Se todos os funcionários do Poder Legislativo forem trabalhar, vai cair gente pelas janelas. Outro risco: os edifícios podem até desabar, devido ao excesso de pessoas por metro quadrado.

Carlos Newton

O panorama é semelhante em todos os Estados, nas grandes cidades e em Brasília Se os funcionários das Assembleias Legislativas, das Câmaras de Vereadores e do próprio Congresso Nacional forem todos trabalhar, ao mesmo tempo, a maioria não conseguirá entrar nos respectivos prédios, tal a superlotação.

Levantamento feito no quadro de funcionários da Assembleia Legislativa do Paraná, por exemplo, demonstra que as dependências do serviço médico da Casa não são suficientes para os funcionários do setor. A área tem 30 m², com uma recepção interligada a uma sala, mas é destinada ao trabalho de 44 pessoas consideradas do quadro efetivo.

Diante dessa revelação, a direção-geral teve que reconhecer que, se todos resolvessem aparecer num mesmo dia para trabalhar, faltaria espaço para acomodar mais de dois terços dos funcionários da seção. Mesmo fazendo revezamento em turnos de seis horas, não haveria necessidade de tantas pessoas como médicos, enfermeiros e atendentes trabalhando no mesmo local.

No Paraná, sempre houve denúncias de irregularidades, como funcionários-fantasmas e servidores marajás, com altos salários. Por isso, os deputados que assumiram a nova legislatura decidiram fazer um recadastramento e uma análise da contabilidade da Assembleia.

O recadastramento dos funcionários acabou se tornando um grave problema para a presidência da Assembleia do Paraná. Os nomes dos funcionários e suas verdadeiras atribuições estão sendo levantados para saber o que cada um deles realmente fazia no Legislativo.

O caso mais curioso e grave, que já está sendo investigado pelo Ministério Público Estadual (não vai dar em nada), é a situação funcional de um homem de 52 anos nomeado para a Coordenadoria de Segurança da Assembleia, há 25 anos, mas que nunca apareceu para trabalhar. Detalhe: a informação de que o servidor era fantasma partiu do próprio funcionário, que compareceu ao recadastramento na semana passada.

O funcionário destacou que sempre morou no litoral do Estado, nunca soube seu real cargo na Assembleia e recebia aproximadamente R$ 5 mil mensais de salário. Os vencimentos dele já foram suspensos. E sobrou para um grupo de seguranças, que tinham sido admitidos sem concurso. Todos foram demitidos no começo do mês.

Nos outros estados, é tudo igual. Os deputados e vereadores transformaram as Assembléias e Câmara Municipais em verdadeiros trens-da-alegria, com vagões superlotados de falsos servidores. O Congresso Nacional é aquele vergonha que todos conhecem. Este é o retrato da política brasileira. E ainda falam mal do deputado José Antonio Reguffe (PDT-DF), que a briu mão de todas as mordomias. Daqui a pouco vai estar sendo chamado de “demagogo”.

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