Seção do DF da Procuradoria desmoraliza parecer de Roberto Gurgel e aumenta o cerco a Palocci, que terá de revelar os nomes dos clientes.

Carlos Newton

Os problemas de Antonio Palocci estão apenas começando. A seção do Distrito Federal da Procuradoria da República já desmoralizou o parecer do procurador-geral Roberto Gurgel, que engavetou as denúncias contra o então chefe da Casa Civil. Sem dar a mínima importância à decisão de Gurgel, a Procuradoria do DF continua investigando por conta própria o enriquecimento do sócio-controlador da consultoria Projeto.

Muito antes de Gurgel se manifestar, o procurador Paulo José Rocha Júnior já havia aberto a investigação preliminar para saber se o enriquecimento de Palocci caracterizou improbidade administrativa, através de tráfico de influência.

Na época, a seção do DF da Procuradoria exigiu que a Receita Federal lhe enviasse cópias das declarações dos últimos cinco anos de imposto de renda da empresa de Palocci, e já foi atendida. A Receita enviou os dados no último dia 9, mas só agora a Procuradoria confirmou à imprensa ter recebido as informações.

Na verdade, toda a investigação da Procuradoria está sob sigilo, decretado pelo procurador responsável pelo caso, Paulo José Rocha Júnior, e o acesso à documentação relacionada à Projeto é vedado aos jornalistas.

Antes de deixar o governo em meio à crise aberta a partir de reportagens da Folha de S. Paulo revelando a espantosa multiplicação de seu patrimônio, Palocci atribuiu seu enriquecimento aos serviços de consultorias prestados por meio da empresa Projeto, mas se recusou a informar publicamente quais foram seus clientes e objetivo e valores dos contratos.

A Procuradoria então exigiu de Palocci a relação dos clientes, contratos e tudo o mais.  Para atender ao pedido, advogados da empresa Projeto reuniram-se no último dia 10 com o procurador Rocha Júnior para definir como e quando serão entregues os documentos requisitados diretamente à empresa, tais como “cópias de contratos, comprovantes de prestação dos serviços e escrituração contábil”.

Segundo a assessoria de imprensa da Procuradoria, “em princípio não houve qualquer resistência por parte da empresa em apresentar os documentos solicitados”. A Procuradoria aguardará a entrega dos papéis até o próximo dia 21.

Palocci ficou rico, mas dinheiro acaba. Sem mandato e sem emprego, com um padrão de vida altíssimo, o ex-ministro teve de contratar um dos mais caros escritórios de advocacia do país, comandando por José Roberto Batocchio, que ficará com boa parte da fortuna. Assim, devagar, devagarinho, o dinheiro ganho ilicitamente vai saindo pelo ladrão, digamos assim.

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