Secretários de Saúde vão vacinar sem receita, em resposta ao ministro Queiroga

Conselho diz que não será necessário “nenhum documento médico”

Pedro do Coutto

Num ato de revolta contra o ministro Marcelo Queiroga, que defende a necessidade de receita médica para vacinar crianças de 5 a 11 anos, os secretários estaduais de Saúde, através do Conselho Nacional, anunciaram que nos estados haverá vacinação sem a necessidade de receita, não cumprindo assim a decisão do ministro da Saúde. O movimento obteve logo o apoio de prefeitos, como é o caso de Eduardo Paes, e também de secretários municipais de uma série de cidades brasileiras.

O movimento tende inclusive a se ampliar, penso, na medida em que  os próprios pais e responsáveis pela população infantil, como é natural,  começarem a pressionar o governo federal a fornecer as vacinas necessárias à imunização. A consulta pública anunciada por Marcelo Queiroga, uma especia de mini plebiscito, não se encontra aberta a todos, uma vez que a tela destinada a receber opiniões, apresentou-se congestionada até o dia de ontem, sábado.

INDIGNAÇÃO – O sentimento expressado pelos secretários de Saúde através de nota oficial do Conselho Nacional é de indignação diante da medida anunciada pelo ministro da Saúde, considerada absurda. Acrescenta o Conselho: “Infelizmente há quem ache natural perder a vida de crianças para o coronavírus. Mas se com o Zé Gotinha já vencemos a poliomielite, o sarampo e  mais de vinte doenças imunopreveníveis, vamos lutar pela vacinação contra a atual pandemia”.

O Conselho de Secretarias Municipais de Saúde firmou posição de que não há necessidade de exigir receitas para vacinas para crianças de 5 a 11 anos. Acentuo, se não há necessidade de receita para vacinar a população adolecente e adulta, não pode haver para infância de 5 a 11 anos, uma vez que a vacinação foi aprovada integralmente pela Anvisa e por toda a comunidade científica, não só brasileira, mas universal. A própria Organização Mundial de Saúde já aprovou o procedimento.

Seria o cúmulo do absurdo que o Brasil se isolasse fazendo com que o governo do país se tornasse responsável pelo o que acontecer de ruim aos meninos e meninas de 5 a 11 anos de idade. No O Globo, reportagem de Melissa Duarte, André de Souza e Julia Lindner, focaliza amplamente o tema e realça a posição dos secretários de Saúde contra o obscurantismo do ministro Marcelo Queiroga, somente preocupado em não desagradar o presidente Jair Bolsonaro e manter-se no cargo que ocupa. Preferiu tentar permanecer no poder do que salvar vidas humanas: é impressionante o seu comportamento e a sua atuação.

DESDOBRAMENTOS – A decisão dos secretários de Saúde, de prefeitos e de governadores repercutirá fortemente no plano político, tornando-se um fato a mais que inevitavelmente tirará votos de Bolsonaro nas eleições de outubro de 2022. É fácil estimar essa reação, uma questão de lógica. Vacinar pode não render votos, sobretudo porque decorre de uma ação generalizada dos governos municipais e estaduais, independentemente de legendas partidárias. Isso é uma coisa.

Mas nao vacinar é outra, basta analisar os reflexos da revolta dos secretários estaduais e municipais contra o posicionamento de Queiroga. A grande maioria das famílias, evidentemente, todos sabem, e o Datafolha e o Ipec deverão confirmar, é fortemente favorável à vacinação de seus filhos, netos e sobrinhos. Somente uma minoria pouco significante pode concordar com uma exigência a mais, caso da exigência da receita, cujo reflexo é criar um obstáculo para que o ato simples de vacinar se transforme em uma verdadeira loteria pela vida humana.

NATAL – Anteontem foi a véspera, ontem o dia de Natal. Uma data que não pertence somente aos cristaos, mas é sobretudo é um marco para a história universal, uma marca do humanismo e da valorização da existência tão terrena quanto eterna para os religiosos.

Jesus Cristo dividiu o tempo do planeta, entre antes e depois Dele. Esse corte é tão insuperável quanto eterno. O Natal é o encontro de todos nessa aventura chamada viver. Espero que todos tenham comemorado a data superando os problemas enfrentados no Brasil e no mundo

5 thoughts on “Secretários de Saúde vão vacinar sem receita, em resposta ao ministro Queiroga

  1. Resumo da ópera, os gestores públicos conscientes não estão nem aí para as decisões do NÃO GOVERNO Bolsonaro quanto as maluquices negacionistas no enfrentamento da covid-19. E fazem muito bem, ninguém mais aguenta a turma de aloprados pertencentes as hostes palacianas. Que venha logo 2022 para darmos basta a toda a toda essa bizarrice.

  2. 1) Por falar em Filosofia, em outro artigo de hoje, lembrei do Pensador russo Mikhail Bakhtin (1895-1975)… vão dizer que é coisa de comunista…

    2) Bakhtin criou o conceito de Carnavalização na Literatura e áreas afins.

    3) Nossa política atual é um danosa/dolorosa Carnavalização…

  3. Pedro do Couto, essa postergação da decisão do Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, em iniciar já, a vacinação das crianças de 5 a 11 anos, tem provocado receio nos pais, com medo de efeitos colaterais nas suas crianças.
    Os propagadores de fakenews entraram em ação, postando críticas de médicos “renomados”, tudo encomendado, como aquele picareta francês, que fez propaganda da Cloroquina e alguns médicos e infectologistas fizeram coro com esses medievalistas. Parece até, que essas pragas viveram a época da Gripe Espanhola no século XVIII, período obscuro, na qual também eram contra as vacinas.
    O mundo mudou, a Terra está mais quente, mas, as pessoas continuam as mesmas, literalmente.
    Pouca coisa mudou na mente humana.

    • Pedro do Couto, o período Natalino e a esperança de um Novo Ano, sempre nos oferece uma pausa para reflexões.
      Sobre o Humanismo, que requer um olhar para o ser humano, suas mazelas, a injustiça social, a inclusão das pessoas desasticidas, humilhadas, desempregadas, sem teto, sem eita nem beira, vem sendo atacada nas Igrejas Pentecostais, não todas é claro, como contrária a Deus.
      Confundem Humanismo como uma afronta as Leis Divinas.
      Ora o Humanismo está no Plano objetivo, calçada na realidade, portanto, não colide com a Espiritualidade escolhida pelo cidadão, visando a sua fé.
      Isso é muito triste, porque pessoas têm embarcado nessa visão distorcida do Humanismo, como políticas de Esquerda.
      Não se pode, a meu ver, politizar o conhecimento humano no gueto esquerda versus direita, pois isso confunde a cabeça das pessoas.
      Mas, quem se importa.

  4. Conforme reportagem do Jornal O Estado de São Paulo, assinado pelos jornalistas Levy Teles e Gustavo Queiroz, deputados bolsonaristas estão compartilhando notícias falsas nas Redes Sociais, com publicações Antivacina no Telegram. Todas sem evidência científica, inclusive citando casos de problemas cardíacos atribuídos a vacina contra a Covid- 19.
    Numa das postagens bizarras, uma mulher disse que seu braço foi “magnetizado” após tomar a vacina.
    Os deputados bolsonaristas, não querem nem ouvir falar em Passaporte da Vacina, que ficam logo a beira de um ataque de nervos, dizendo que é coisa de comunista. Aliás, essa palavra mágica, Comunista, serve para tudo, só para contrariar aqueles que tecem críticas ao governo. Eles não suportam serem contrariados. É impressionante.
    Isso será lembrado pelo povo, quando essa gente for as ruas pedir voto para a continuidade das suas boquinhas, a custa dos impostos, quer dizer, da nação.

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