“Seguir Jesus significa assumir sua causa, correr seus riscos”, diz Leonardo Boff

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Leonardo Boff elogia o Papa, na entrevista

Paolo Rodari
“La Repubblica”

O seu “canto do cisne” –  assim é considerada por Leonardo Boff a tradução que o ex-frei franciscano e ex-presbítero brasileiro, renomado expoente da Teologia da libertação, fez da “Imitação de Cristo”, de Tomás de Kempis. A um dos textos mais meditados depois do Evangelho e retraduzido a partir da edição da Tipografia Poliglota Vaticana, Boff acrescenta, “no ocaso da vida”, um quinto livro sobre o seguimento de Jesus. A entrevista foi publicada no jornal romano “La Repubblica”. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Freud, Jung e Heidegger leram Tomás de Kempis refletindo sobre o tema do esvaziamento de si contra todo apego ao próprio eu. Há a necessidade disso hoje?
É um tema central e representa a atitude de Jesus que, ‘mesmo sendo de natureza divina’, despojou a si mesmo para ser igual a nós. Essa renúncia ao apego ao próprio eu é a primeira virtude do budismo e também do caminho espiritual cristão. E é o tema central do maior dos místicos do Ocidente, Mestre Eckhart, com o seu “Abgeschiedenheit”, a prática do desapego. Psicólogos como Freud e filósofos como Heidegger compreenderam essa necessidade de Tomás de Kempis. O desapego é o primeiro passo para o verdadeiro processo de individuação e de identidade pessoal. É isso que nos assegura o maior dom depois do amor, que é a liberdade interior.

O senhor escreve que seguir Jesus significa assumir a sua causa, correr os seus riscos e, eventualmente, aceitar o seu próprio destino trágico. O que isso significa?
É uma realidade testemunhada pela Igreja da libertação da América Latina sob os regimes militares em vários países. É esse tipo de Igreja que leva a sério a opção pelos pobres, que produziu e produz ainda hoje muitos mártires, entre leigos e leigas, padres e bispos, como Oscar Romero em El Salvador e Angelelli na Argentina.

A Igreja, em algumas de suas partes, parece ligada a uma visão imperialista/constantiniana, imersa na história e dedicada à conquista do poder. E Francisco, às vezes, aparece como um meteoro em um mundo que se esforça para manter o seu ritmo. O que o senhor acha?
Eu acho sinceramente que a Igreja-instituição, isto é, a Igreja como sociedade hierárquica, não se sente parte do povo de Deus como pedia o Concílio Vaticano II, mas fora e acima dele. Organizando-se não ao redor do conceito mais antigo de communio, de comunhão entre todos, mas ao redor do poder sagrado (sacra potestas), excludente porque concentrado apenas em algumas mãos. Esse tipo de Igreja caiu nas três tentações enfrentadas e superadas por Jesus: a do poder religioso de reformar o mundo a partir do templo; a tentação do poder profético de transformar as pedras em pão; e a tentação do poder político, dominar sobre todos os povos. Continuam atuais as palavras pronunciadas pelo católico Lord Acton em relação aos poderosos papas do Renascimento: “O poder tende a corromper, e o poder absoluto corrompe de modo absoluto”. E ainda mais pertinente é o que afirmava Hobbes a respeito do poder, que, dizia, se sustenta apenas sobre o “desejo incessante de ter cada vez mais poder”. Todas palavras que se concretizaram na história da Igreja, através de uma concentração enorme de poder unicamente nas mãos do clero, com a exclusão em particular das mulheres. Foi necessário um papa proveniente do fim do mundo, que escolheu o nome de Francisco, arquétipo da pobreza e da renúncia a todo poder, para mostrar como a hierarquia da Igreja deve se orientar com base no serviço (hierodulia), e não no poder sagrado (hierarquia).

O senhor sofreu um certo ostracismo de Roma?
Não guardei nenhum rancor pela punição que me foi infligida pelo silentium obsequiosum. Eu sabia que a teologia do poder sagrado operante na cabeça dos responsáveis do ex-Santo Ofício tornaria inevitável a minha condenação. Eu me sentia na verdade e tinha o apoio da Conferência dos Bispos do Brasil. Por isso, aceitei tranquilamente a imposição do “silêncio obsequioso”, depois suspenso por João Paulo II.

O Papa Bergoglio recebe várias críticas de setores conservadores da Igreja. Por quê?
Acho que os conservadores estavam acostumados a um papa faraó, com títulos e símbolos do poder herdados dos imperadores pagãos. Depois, de repente, chega um papa fora do quadro tradicional, que se despoja de todo esse aparato profano que afasta os fiéis e favorece a vaidade clerical. Eles não aceitam um papa que não provenha do seu velho e moribundo cristianismo. Francisco traz a atmosfera nova de Igrejas que não são mais o espelho das europeias, mas sim Igrejas-fontes, com a sua teologia, a sua pastoral dirigida especialmente aos mais pobres, a sua liturgia, o seu modo de louvar a Deus.

O senhor ainda se sente um filho da Igreja?
Sempre me senti dentro da Igreja Católica. No ocaso da vida – vou completar 80 anos em 14 de dezembro – não me preocupo com o passado, mas volto os meus olhos à eternidade. Unir o meu nome, o de um theologus peregrinus, ao do genial Tomás de Kempis é para mim a maior honra. “Valeu a pena?”, perguntava-se Fernando Pessoa, o maior poeta português. Eu faço minha a sua mesma resposta: “Tudo vale a pena se a alma não é pequena”. Posso dizer que, com a graça de Deus, tentei fazer com que a minha alma não fosse pequena.

22 thoughts on ““Seguir Jesus significa assumir sua causa, correr seus riscos”, diz Leonardo Boff

  1. 1) “Como é delicioso Amar a Deus em Tudo e Acima de Tudo” = capítulo 34, pág. 136.

    2) Imitação de Cristo, Tomás von Kempis (1380-1471) editora Agir, 1970.

    3) Nasceu na Alemanha e faleceu na Holanda, monge escritor, mais de 40 livros.

  2. Com essa onda de assaltos que grassa como uma 10 graça pelo Brasil adentro. Seguir Jesus, tornou-se um risco para os pastores: andando sempre com maletas abarrotadas de dízimos e os seus iguais, assaltantes, de espreita!

  3. Trouxa, safado, mediocre. Jesus nada falou sobre política, sobre ganhos de bens ou terrenos, ou casa, ou peitar os governantes. Antes, se submentam a eles, pois foi Deus que permitiu isso.
    A teologia da libertação é um engodo, uma afronta aos ensinamentos de Cristo.
    Seu Reino não é deste mundo, e tudo o que Ele, como fílho unigênito do Pai (padre, papa são palavras que afrontam a Deus), pregou se diz respeito aos valores espirituais. Portanto a recompensa não será nesta Terra. Muito menos temos que abraçar a Terra como mãe! Católicos, Laudato sí não é sobre a Terra, é sobre adoração.

  4. E um problema sério aguentar essa coisa, quero dizer esse boff, que fala contra ditaduras, mas as dos outros, não a dele, a pior de todas, a dos castros em Cuba, que assassinou mais de 70 mil cidadãos e que ele apoia.

    É um doente mental.
    definitivamente

    Nunca entendeu Cristo ou um Buda e jamais vai entender .

    Caso perdido.

  5. Escolha duas: Petista, Inteligente ou Honesto?

    Quando Deus fez o mundo, para que os homens prosperassem decidiu dar-lhes apenas duas virtudes.

    Assim:

    – Aos Suíços os fez estudiosos e respeitadores da lei.
    – Aos Ingleses, organizados e pontuais..
    – Aos argentinos, chatos e arrogantes.
    – Aos Japoneses, trabalhadores e disciplinados.
    – Aos Italianos, alegres e românticos.
    – Aos Franceses, cultos e finos.
    – Aos Brasileiros, inteligentes, honestos e petistas..
    O anjo anotou, mas logo em seguida, cheio de humildade e de medo, indagou:
    – Senhor, a todos os povos do mundo foram dadas duas virtudes, porém,
    aos brasileiros foram dadas três! Isto não os fará soberbos em
    relação aos demais povos da terra?
    – Muito bem observado, bom anjo! exclamou o Senhor.
    – Isto é verdade!
    – Façamos então uma correção! De agora em diante, os brasileiros,
    povo do meu coração, manterão estas três virtudes, mas nenhum deles
    poderá utilizar mais de duas simultaneamente, como os demais povos!

    – Assim, o que for petista e honesto, não pode ser inteligente.

    – O que for petista e inteligente, não pode ser honesto.

    – E o que for inteligente e honesto, não pode ser petista.!!!!!!

    Palavras do Senhor !!!

  6. Assim como existem grupos especiais para resgatar pessoas sob regime de trabalho semiescravo, mulheres submetidas à prostituição etc. Deveria haver uma força tarefa para tomar os crentes coitados das garras dos pastores sacripantas e santarrões. São ovelhas “chipadas”, nouroprogramadas, assim levadas ao estado de oblatividade; ao ponto se deixarem espoliar dos seus bens, votos e lãs. Reverendos que se apossam de cartões bancários dos seus crendeiros, além de violação ou posse sexual mediante fraude.
    Só muito metal abrasante no mesófrio!

  7. É estranha a teologia do teólogo Boff. É percebida apenas pela via humana. Mesmo sua formação em filosofia, deveria saber que a essência do Evangelho de Cristo se resume a clássica passagem bíblica, a qual regula todo o tema da palavra de Deus: “Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido”(Lc 19.10). Jesus nunca se envolveu em política, pois não era político; nunca se envolveu em ativismo dos direitos humanos, pois seu reino não era deste mundo; nunca tomou partido pelos pobres, mas também pelos pobres, visto que veio buscar e salvar a todos; Enfin os argumentos egoístas deste senhor, em favor de uma só classe, denota um grande equívoco do seu espírito faccioso. Sua falácia nessa entrevista passa milhas de distância daquilo que falsamente afirma ser sua conduta de vida, ou seja, “seguir Jesus significa assumir sua causa, correr seus riscos”.

    A verdadeira descrição de Cristo no NT evidencia o caráter de seu trabalho divino na terra. Isto fica claro quando Ele assume a condição de “servo”, ou “escravo”(doulos, no grego). Portanto, a teologia de Boff, que ele denominou de “libertação” é a mesma que segmentos da Igreja Evangelica chamam-na de “missão integral”, ou, para não ir muito longe, de “prosperidade”. Tanto estas, como aquela, são interpretações errôneas que deturpam e envergonham as boas novas de salvação, – o Evangelho, e a pessoa de Cristo, O Salvador. Por que isto? Por que o próprio Jesus definiu sua missao e para tanto não delegou a nenhum mortal que a delineasse diferente das Escrituras Sagradas: “o Filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos”(Mc 10.45).

  8. Cristo protegia tanto os pobres, que a sua Igreja erigiu palácios para o conforto dos seus chefes. A escultura Pietá foi encomendada pelo Cardeal Jean de Billheres a Michelangelo para adornar a sua sepultura. ADORNAR a sepultura de um seguidor do salvador dos pobres! Isso se chama escárnio.
    “E todos aqueles que me seguirem, dizia Cristo, que tiveram deixado suas casas, irmãos, pai, mãe, mulher, ou filhos, ou terras, por amor do meu nome receberá cem vezes tanto, e herdará a vida eterna.” Cem vezes tanto… tá pior que o Lula.
    Até hoje os pobres são explorados, crianças são abusadas e o céu, finalmente se descobriu, é o resultado da dispersão da luz azul pelas pequenas partículas da atmosfera!

    • Mateus 6:24
      -Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará um e amará o outro, ou será leal a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mâmon (deus da riqueza). Descanso na providência divina.
      O Templo de Salomão da IURD – Instituição Umbandista Revestida de Divina, custou somente R$ 600.000.000,00 – grana arrancada do lombos das ovelhas otarianas.

  9. O título do artigo está errado, a meu ver.

    Deveria ser:
    Seguir Jesus É IMPOSSÍVEL!

    Conforme diz o Novo Testamento – e pretendo levar o debate inicialmente dentro deste limite religioso -, Deus mandou o seu Filho para nos salvar, a ponto que Jesus nasceu da virgem Maria porque assim quis o Criador.

    Na condição de Filho de Deus, Jesus nos deixou ensinamentos que nos levam à salvação, morrendo crucificado e seu sangue seria a nossa redenção.

    Na sua curta vida terrena e com os homens, Ele fez milagres, ressuscitou Lázaro, que estava morto há três dias, transformou água em vinho, de cinco peixes aumentou para centenas de outros, assim como o pão, andou sobre as águas, curou cegos e loucos, e salvou uma prostituta de ser apedrejada, quando profere a sua célebre e inesquecível afirmação, ode à humanidade e tolerância pelos nossos pecados:
    – Quem nunca pecou, que atire a primeira pedra!

    Neste resumo absolutamente ínfimo sobre Cristo, basta para constatarmos que a observação de Leonardo Boff carece de verdade ou, então, o ex-frei nega a divindade de Jesus, e apenas o tem como ser humano.

    Nenhum ser humano ao longo da história fez um dos milagres atribuídos a Jesus ao longo do tempo que ascendeu aos céus, logo, faz dois mil anos que não temos um episódio dos que citei acima repetidos pelo homem.

    Desta forma, se seguir Jesus é assumir a sua causa e correr riscos, conforme prega Boff, das duas uma:
    Ou o ex-frei subestima categoricamente os poderes de Jesus ou superestima a nossa capacidade de fazer o mesmo que o Filho de Deus, inclusive milagres e morrer na cruz!

    Portanto, no aspecto religioso, Leonardo Boff pode ser facilmente contestado, pois a sua afirmação não se sustenta, carece de fundamento, e não tem a fé necessária no poder divino.

    No que diz respeito ao aspecto político, Boff transita entre o cinismo e a omissão, a falsidade e a demagogia.

    Explico:
    Ao criticar os militares pela violência na América do Sul, e a opção que a Igreja fez pelos pobres, não posso aceitar que Boff tenha deixado de lado os esforços de milhões de cidadãos para melhorar a vida dos miseráveis, tanto através de entidades específicas para esses auxílios, quanto pela solidariedade humana, os Médicos Sem Fronteira que o dizem!

    Esquece, também e, a meu ver propositadamente, que a violência de hoje, infinitamente maior que nos períodos militares sul-americanos, teria como origem ou causa quem ou o quê??!!

    Os drogados, os traficantes de armas e tóxicos, os latrocínios, os crimes de pedofilia, estupros, estelionatos, corrupção exacerbada … decididamente não seriam mais consequências dos regimes de exceção, mas do homem, então pergunto ao Leonardo Boff:
    Errou a Igreja?
    A sua pregação foi falha?
    A Teologia da Libertação não surtiu o efeito desejado?
    E as crianças que já nascem na miséria, Deus quis assim, que mais um miserável viesse ao mundo para sofrer ou foi falha do sistema?!

    Por que a Igreja é contra o anticoncepcional?
    Contra o Planejamento Familiar?
    Contra a pessoa se tornar estéril, e não mais ser pai ou mãe sem a menor condição??!!

    Não seria muito mais humano E DIVINO, impedir o sofrimento do ser humano antes de que ele nascesse, do que deixá-lo viver e ser condenado à pobreza, a comer mal, a não ter o que vestir, não estudar, não ser uma pessoa realizada e, irremediavelmente, ser empurrada para a violência??!!

    Que exemplos a Igreja tem deixado ao longo do tempo, que não tenham sido de angariar riquezas, a construção de basílicas, catedrais, igrejas, capelas, santuários pelos quadrantes do mundo, afora ter consigo as obras de arte mais famosas que o homem criou, a ponto que a Igreja Católica Apostólica Romana hoje é um Estado, um país, o Vaticano, sede da Igreja e da basílica de São Pedro??!!

    Abriu mão de uma centésima parte desse seu patrimônio INCALCULÁVEL para amenizar o sofrimento daqueles que enfatiza terem sido a sua “opção”??!!

    Qualquer obra de caridade sob os auspícios da Igreja é através de doações de seus fiéis!!

    A Igreja não dá absolutamente nada para ninguém, mesmo que vendesse uma que outra igreja ou catedral, e o dinheiro arrecadado fosse doado para os africanos, por exemplo.

    Por acaso, o pobre estaria sendo usado despudoradamente pela Igreja, pelos seus falsos profetas?
    Por que os padres e bispos mais o cardeal chileno, rezavam missa com a presença do general Pinochet??!!
    O mesmo faziam conosco, convivendo com ditadores e assassinos, mediante o que escreve Boff!

    A Igreja seria a autora da máxima popular:
    “Faz o que digo, mas não o que faço”??

    Se tem um movimento ou religião que deve permanentemente olhar para o passado, e tentar corrigir os seus erros, seus pecados CONTRA O SER HUMANO E O POBRE, esta é a Igreja de Leonardo Boff, logo, o que diz, obriga-nos a ter os dois pés atrás, pois a essência de seus recados não é a opção pelo pobre coisa nenhuma, mas manter o poder na maior quantidade de seres humanos existentes neste planeta, os pobres e miseráveis!!!

    Até porque, Boff segue à risca o que reza no Novo Testamento, em João, 12:8
    “Quanto aos pobres, vós sempre os tereis convosco, mas a mim vós nem sempre tereis.”

    Ora, diante da extrema dificuldade de ver a Deus, ouvi-lo, obedecê-lo, a opção pelos pobres não foi escolha, não foi caridade, mas a única que havia!!!

    • Os famosos intelectuais do século XVIII lutaram contra o poder da Igreja Católica e a sua objeção aos avanços científicos. Por certo tempo foram vitoriosos, mas nos países pobres desta nossa era os poderosos religiosos estão renascendo. Para o mal de todos. É preciso combater essas pragas.

    • Queria saber se a Igreja assume as crianças que nascem na miséria, não só arranjando enxovalzinho, mas também arrumando atendimento médico, remédios, escola, faculdade e empregos no futuro. É muito fácil condenar o planejamento familiar não se envolvendo na situação.

  10. Toda ideologia ou religião, o que dá no mesmo, é a sistematização do ideal, que surge com o advento da mente nos humanos e que contraria a nossa natureza com o estabelecimento de falsa-morais em que se determina o “bem” e o “mal”, o pecado e o pecador: a ortodoxia que distingue entre o fiel e o cismático.

    Enfim, a verdade é que Buda ou Cristo não inventaram nenhuma religião, apenas, como bons entendedores da nossa natureza, apontaram elementos que temos dentro de nós e que a maioria ignora com as quais poderíamos ser felizes ou sofrer menos como a solidariedade, o amor, o desapego, etc.
    Nada a ver com sistemas religiosos ou políticos.
    Nada a ver no plano material e sim espiritual.

    “Meu reino não é deste mundo”

  11. Prezado Mário Jr.,

    Vamos nós de novo trocar ideias, topa?

    Diante do teu primeiro parágrafo absolutamente enigmático, onde certamente não externaste o teu pensamento porque não encontraste as palavras adequadas, pois indiferente às religiões o homem distingue o certo do errado, o bem e o mal, a conclusão que chegaste foi vertical em um texto horizontal!

    O Budismo de fato não é uma religião, mas uma filosofia, um modo de viver, e segue os ensinamentos de Buda quem acredita fundamentalmente na reencarnação, ou seja, a gente vai e volta para este mesmo planeta para expiarmos nossos erros e crescermos como seres humanos.

    O Cristianismo, não, trata-se de religião pura, porém não criada por Jesus mas Paulo, antes, Saulo, que perseguia cristãos.

    Paulo foi o grande divulgador do Cristianismo. Sem ele, a religião cristã não existiria, a ponto que tem uma participação no Novo Testamento importantíssima.

    Por outro lado, esqueceste que desde que o homem existe, jamais ele viveu sem que acreditasse em forças superiores às suas.

    Se, inicialmente, ele tinha medo do sol, da lua, da chuva, do vento, das intempéries, enfim, com o tempo passou a adotar o politeísmo, a crença em deuses os mais variados.

    Foi com os judeus que o mundo à época, passou a conviver com um Deus, o monoteísmo, surgindo os primeiros conflitos entre politeístas e monoteístas, cujos relatos a Bíblia está repleta no Velho Testamento.

    Quanto ao que escreveste, que poderíamos ser felizes, sofrer menos, que haveria solidariedade, amor, desapego … portanto, não haveria a necessidade de religião, faz-se mister que se saiba o que é religião, o seu significado, e o que a difere de ideologias e filosofias:

    Religião vem do latim ¨religare¨.
    Tem o significado de religação.
    Essa religação se refere entre uma nova ligação entre o homem e Deus.
    Sabendo disso, conclui-se que o real significado da palavra é JESUS CRISTO, pois Ele é o único mediador entre Deus e os homens, não há outro.

    A Bíblia assim diz, na pessoa de Jesus: ninguém vai ao Pai senão por mim. Todos pecaram e foram destituídos da Glória de Deus.

    Mas, o quadro foi totalmente mudado quando Ele se ofereceu em sacrifício em nosso lugar. O que a maior parte das pessoas toma por religião é, na verdade, denominação. Católicos, Mórmons, Metodistas, Batistas, etc. são denominações. Jesus morreu por todos e para se ter uma religião é só se converter a Ele.

    Desta forma, Mário Jr., o Cristianismo é religião, sim, e tanto nos afeta espiritual como materialmente.
    Aliás, quando mencionaste os sentimentos e emoções que podemos sentir sem seguir religião alguma, deixaste de lado a principal motivação para se viver, e dentro das leis tanto dos homens quanto de Cristo:
    A ESPERANÇA!

    Ora, se eu quero depois desta vida descansar, ter paz, devo seguir os ensinamentos de Jesus, logo, preciso ser fiel ao que pregou, devo ser obediente aos recados que deixou em formas de parábolas, principalmente no Sermão da Montanha, ode à filosofia mais refinada possível!

    Caso eu conseguir seguir tais conselhos e orientações serei salvo, pois ninguém vai ao Pai se não por Ele, Jesus.

    Assim, a religião é mais ampla, haja vista ter a sua influência no aspecto espiritual, mas a sua real importância reside no que tange à vida, à matéria, no caminhar diariamente dentro do estipulado por Deus, pois se eu não obedecer seus limites, de nada adianta eu ser um pensador e cuidar do meu espírito, pois o corpo faz o indevido, ele peca, ofende, agride, mata!

    Ora, ora, quem sinaliza se o meu espírito está bem?
    O físico, o corpo!
    Logo, o espírito não pode ser estanque deste invólucro que o carrega, ambos estão umbilicalmente ligados e são inseparáveis.

    E, o final do teu comentário, interessante, a ponto que me chamou à atenção para trocarmos ideias a respeito, é que contrarias o teu arrazoado inicial, quando mencionas as palavras de Cristo:
    “Meu reino não é deste mundo”.

    Bom, que reino seria este?!
    Se este não é o mundo de Cristo, devemos saber as razões pelas quais se fez homem para nos salvar, pipocas.

    Diante dessas perguntas, observo que extraíste um texto de um contexto, que virou pretexto para dares um final que fosse condizente com o teu pensamento, que religião não existe, muito menos Deus, pois esse não é o seu mundo!

    Diante deste novo panorama, que constato ser analisado por um ateu, a conversa muda de rumo.
    E tenho apenas uma indagação para te deixar e me responder se quiseres, claro:
    Em face de o ateu não acreditar em Deus, em religião, em vida espiritual, quando morremos adeus tia Chica, contesto o teu ateísmo e veementemente.
    Podes não acreditar na espiritualidade, porém acreditas em algo, nem que seja em ti mesmo, o teu próprio Deus, a tua religião, o teu norte, pelo simples fato de que és obrigado a seguir, pelo menos, as leis do homem, as normas que te colocam obediente, limitado, caso contrário não vais para o inferno, lógico, mas irás para a cadeia!!!

    Cristo ao dizer o que finalizaste, quis dar a entender que esta vida terrena é de expiação, dores, sofrimento, finita, mas, se seguirmos o que Ele nos deixou como fórmula de felicidade eterna, o outro reino, teremos finalmente atingido a legítima vida eterna!

    Abração.

  12. Obrigado Francisco Bendl
    Você se equivocou quanto ao que explanei, pois falei sobre o bem e o mal entre aspas, que são advindos de falsas-morais de ideologias ou religiões com o fim de tornarmos submissos aos seus líderes e sacerdotes.
    O bem ou o mal verdadeiros não vem delas, da moral, e sim através dos olhos, do tato,etc: pela interação do nosso nosso corpo com a realidade presente, ou seja, da natureza de cada um..

    Enfim, o que Buda ou Cristo tentaram mostrar , com a capacidade de enxergar a nossa natureza que tinham, como psicólogos ou filósofos nos seus tempos, foi a potencialidade do belo que temos dentro de nós para despertá-lo e nos levar a um caminho de amor entre as pessoas, pacífico, etc ,que poderia trazer mais felicidade para a vida de todos nós.

  13. Completando: essa de vida depois da morte , para mim foi mais uma criação das religiões.
    Cristo ou Buda estavam preocupados em eliminar o sofrimento porque passavam as pessoas aqui na terra.

  14. Mário Jr.,

    Excelente um debate com estes níveis, de respeito e educação.

    Podemos discordar da ideia, do pensamento, do conceito, mas somente nesses terrenos abordados pelas postagens e, no campo teórico, nada, absolutamente nada pessoal.

    Outro abraço.

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