Segundo turno não quer dizer que Dilma não vencerá

Pedro do Coutto

É natural – e justo – o entusiasmo que chegou às oposições (PSDB-DEM-PPS) na reta de chegada com a perspectiva aberta pelo Datafolha de a sucessão do presidente Lula vir a ser decidida no segundo turno. Mas a pesquisa do IBOPE jogou uma pouco de água na fervura.

Duas coisas: não quero dizer com isso, hoje, que vá haver  ou não segundo turno. Até porque, como escrevi esta semana, vai depender do desempenho que tiverem os três principais candidatos e mais Plínio Sampaio no debate da Rede Globo. Não assisti. Assim vou esperar a verdade das urnas. E agora há mais um dado: a exigência de uma carteira com retrato, documento que muitos pobres não possuem. Essa obrigatoriedade, decidida ontem, na chamada undécima hora, vai tirar votos de Dilma, não há dúvida.

Sou dos que sempre acreditaram em pesquisas eleitorais. Não tenho motivos para descrer, já que o índice de acertos, de 55 até hoje, situa-se em torno de 95%. Talvez um pouco mais, possivelmente 97. Acompanhei de perto o IBOPE, era amigo de seu diretor presidente,   Paulo Montenegro, pai de Carlos Augusto. Sou testemunha de seu crescimento, sua plena consolidação, seus acertos. Erros foram muito poucos. Mas não é esta a questão.

O tema é o segundo turno. Ninguém duvida que Dilma chegará na frente. Não há quem seja capaz de apostar contra tal tendência. Tanto assim que os que estão contra a ex-ministra não torcem neste momento pela vitória domingo. Torcem por uma segunda jornada nas urnas. Enquanto isso, os que apóiam Dilma torcem pela maioria absoluta. Nem se preocupam com o fato de ser ela a primeira. Aí está revelada a diferença de dois impulsos predominantes. Dilma e Serra.

Aqueles que preferem Marina Silva desejam o segundo turno e se orgulham de a candidata verde ter alcançado o desempenho que atingiu na escala. Aguardam o segundo turno, que prolonga o sabor da disputa. Mas se houver desfecho final a 31 de outubro, que fará o PV? Vai se dividir em partes iguais? Vai se dividir em partes desiguais? Vai apoiar Dilma?Vai para as urnas ao lado de Serra? Vamos por etapas.

Se apoiar Rousseff, ela estará facilmente eleita. Se houver divisão em partes iguais, ela vencerá também, já que não perderá – suponho – os cerca de 45% que terá conquistado no primeiro turno. Se os verdes se abstiverem, o desfecho será o mesmo. Se o PV mandar votar em Serra, cabe a pergunta: os adeptos da onda verde seguirão essa palavra de ordem? Total ou parcialmente?

Entre as diversas alternativas que coloco, a única que pode favorecer o ex-governador de São Paulo é a mobilização dos verdes que foram às urnas no primeiro, cerrarem fileiras com Serra no segundo. Com base em tal elenco de opções, sente-se a dificuldade de Dilma não ser a primeira mulher a presidir o país. Acho sinceramente que apenas uma hipótese absolutamente inusitada poderá afastá-la do Palácio do Planalto na alvorada de 2011. Vamos ver. Se houver segundo turno, estarei aqui mais uma vez para comentar o voto e o povo.

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