Segundo turno será teste para pesquisas

Pedro do Coutto

Lisboa – Impressionado pelo estado primoroso das praças, estradas e ruas de Lisboa, escrevo este artigo antes do debate de ontem à noite entre Dilma e Serra na Rede TV, antiga Manchete que foi tragada pelo tempo. Entretanto, leio hoje no jornal O Público matéria da correspondente no Brasil, Alexandra Barros Coelho, que focaliza o resultado de pesquisa do Datafolha, apontando 54 para Dilma, 46 para Serra. Aliás, como ontem havia me adiantado o editor deste site, Carlos Newton.

A margem de uma para outra parece estar consolidada, uma vez que o Datafolha apresenta números coincidentes com o IBOPE. O debate da Rede TV, pelo índice de audiência provável, não será capaz de alterar o quadro estatístico de probabilidade. O debate da Globo sim, mas este está marcado para o dia 26.

As pesquisas do primeiro turno vêm sendo objeto de contestação por parte de jornalistas e estatísticos. De fato, em alguns casos não coincidiram com os resultados. Sobretudo em São Paulo quanto ao desfecho para o Senado. Não coincidiram totalmente também no que se refere a vitória de Dilma no primeiro turno, porém, é preciso considerar que tanto o IBOPE quanto o Datafolha, acertaram plenamente a colocação dos três candidatos. O equívoco na realidade se restringiu à votação de Roussef, quando os Institutos apontaram 50 pontos e ela fechou a disputa em torno de 47.

Alguns estatísticos, cujas opiniões foram reproduzidas pela revista Veja que ontem chegou a Lisboa, defenderam a mudança da metodologia, sustentando surpreendentemente que a pesquisa moderna deve ser feita com base em caráter aleatório. Nada mais errado, tratando-se de levantamento político eleitoral. Há que estabelecer uma diferença essencial entre a pesquisa de mercado, que envolve consumo de produtos, e a pesquisa de voto que tem pela frente a identificação de emoções humanas. A começar pelo fato de que pesquisa de mercado pode ser feita semanalmente, enquanto a eleitoral é de 4 em 4 anos.

Além disso, o ser humano não é um produto e nas urnas vive sua aventura na aventura dos candidatos que escolhe. Esra emoção só encontra paralelo nas competições esportivas e não nos hábitos de consumo. Finalmente, os hábitos de consumo estão condicionados à renda das famílias. O voto não está condicionado a restrições de poder aquisitivo.

Ainda há a acrescentar um aspecto que os estatísticos entrevistados pela Veja ignoraram: o voto numa direção ou em outra varia por classe social e, portanto, qualquer pesquisa aleatória não conduzirá a nada. A pesquisa eleitoral é a única que pode ser comprovada publicamente na prática, e assim as urnas de 31 de outubro serão mais uma oportunidade para esse teste.

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