Seleção Brasileira na Copa América: desastre e vergonha

Pedro do Coutto

O resultado de domingo contra o Paraguai não foi a maior derrota da Seleção Brasileira de todos os tempos porque houve o episódio da Copa do Mundo de 50. Mas tornou-se a segunda de nossa história esportiva, principalmente quanto a forma em que se deu. Desfecho inédito em decisões por pênaltis. Perdemos quatro das quatro cobranças efetuadas. Os jogadores estavam incrivelmente nervosos, descontrolados. Descontrole que já se evidenciara nas partidas anteriores.

Afinal de contas, o escrete de Mano Menezes só derrotou o fraco time do Equador. Empatamos com a Venezuela e o Paraguai no confronto da classificação. A equipe estava mal.

Aliás na fase Mano Menezes vinha de mal a pior. Ontem dominamos aparentemente o jogo, tivemos a pique em marcar vários gols, mas não soubemos encontrar o caminho da vitória. Nossa maneira de jogar contribui para iludir o torcedor. Passes para o lado.Nenhuma jogada de linha de fundo. Troca de passes curtos, quase nenhum lançamento à distância. A bola corre mais do que o jogador. Assim, quanto mais passes curtos a Seleção fizer, mais lenta fica a partida, maias fácil a marcação adversária. Superiores tecnicamente, mas sem que o treinador fixasse a tática adequada, que era a de abrir os flancos, os lances de perigo terminavam se afunilando no meio da área paraguaia.

Tudo errado. O vexame foi tão grande que se tornou inesquecível. A Seleção de 2011 – fica na memória do esporte – foi a que conseguiu perder quatro pênaltis no desfecho. Desfecho dramático a que fomos levados por falta de planejamento tático. A bola estava presa demais nos pés dos jogadores. Assim como uma bola de brinquedo amarrada por um cordão entre o tornozelo e a ponta da chuteira.

O nervosismo nos derrotou mais uma vez. Não estávamos preparados para a vitória. Tanto não estávamos que caímos muito, revelando pouca resistência aos choques físicos. Os paraguaios souberam administrar melhor seus recursos. Nós sequer conseguimos chegar a eles. Onde ficou o trato primoroso da bola, privilégio nosso? Em lugar nenhum. Para das passes para o lado, não é necessário bater-se com efeito. Encurtamos tudo. Perdemos espaços preciosos e decisivos. Trememos.

Sim. Trememos na cobrança dos pênaltis. Recordei a final contra a França em 98, Paris, quando perdemos a final por três a zero e não vimos a cor da bola. A equipe entrou desarticulada com o episódio envolvendo Ronaldo Fenômeno. Desta vez, na Argentina, entramos desarticulados desde o aeroporto de Ezeiza, a partir do momento em que chegamos.

Os resultados anteriores foram todos decepcionantes. Mano Menezes não é treinador de seleção. Claro, Ricardo Teixeira o substituirá. Inclusive porque necessita apresentar um culpado à opinião pública.

Ele não está totalmente errado, já que não pode responsabilizar a equipe toda, sequer os desastrosos batedores dos pênaltis. Mas se a decisão for parar no campo restrito das penalidades máximas, como dizem os narradores e comentaristas, é porque não conseguimos traduzir nosso domínio ao longo de 120 minutos na explosão de gols.

Fica mais uma lição. Quando uma equipe tem que trocar passes demais para chegar à área adversária, é sinal de que algo está profundamente errado. Foi o que voltamos a assistir ontem, pela Rede Globo, em La Plata. Desastre total. Vexame. Uma vergonha que fica para sempre.

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