Seleção do contra-ataque

Tostão (O Tempo)

Um leitor, com razão, não entendeu qual a razão de tantos elogios à seleção, a Mano Menezes e a Kaká, por apenas duas boas atuações, contra o fraquíssimo Iraque e o mediano Japão. Ele, novamente com razão, disse que o Japão marcou muito à frente e que deixou enormes espaços para os velozes jogadores brasileiros. O leitor completou: “Contra a Colômbia, o Brasil deve ter muito mais dificuldades”. Ele deveria ser comentarista.

Quem define o estilo de uma equipe não é o treinador. São as características dos jogadores. Mano Menezes quer um time com mais troca de passes e posse de bola, mas, com tantos atletas velozes, a seleção será um time muito mais de contra-ataques, como era com Dunga. A diferença é que a equipe marcava atrás, longe do outro gol. Com Mano, o time fica mais ofensivo, pois recupera a bola mais à frente. Por outro lado, dá mais chances de contra-ataque.

Tenho esperanças de o Brasil formar um ótimo time até a Copa. A seleção tenta sair do lugar-comum de que uma equipe tem de ter um volante brucutu e outro mais técnico (Ramires e Paulinho atacam e defendem bem), um único meia, responsável pela armação de jogadas, e um centroavante fixo, artilheiro. Os quatro mais adiantados são meias e atacantes.

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CAVALIERI

Tenho também muitas preocupações. Como disse José Trajano, Cavalieri é o melhor do Brasileirão, mas uma única e ótima temporada não é suficiente para ser considerado um grande goleiro de seleção, ainda mais que foi reserva em todos os times anteriores.

David Luiz ainda não me convenceu. Daniel Alves, há um bom tempo, não brilha nem pelo Barcelona. Fora Neymar, não há um outro fora de série. Há jogadores bons e excelentes. Kaká é uma incógnita para a Copa.

Oscar, além de fazer dois belíssimos gols, tem atuado bem no Chelsea, como outros meias do time, o belga Hazard e o espanhol Matta. Há uma pressa em rotular Oscar como uma estrela mundial. Nos dois últimos jogos do Chelsea, quando o time precisava vencer, ele foi substituído pelo nigeriano Moses.

É óbvio que o Brasil vai precisar, em algumas situações, de um típico e bom centroavante. Hoje, o melhor é Fred. Não sei se será amanhã. Na Copa América, foi mal. Quando o time não jogar bem, por dezenas de outros motivos, a causa será a falta de um centroavante. A explicação já está pronta.

Mano quer Neymar mais perto do gol. Se ele jogar mais pela esquerda, ao lado de um típico centroavante, terá de voltar para marcar o lateral. Ocorreu o mesmo com Messi. Quando ele saiu da direita para o centro e para mais perto do gol, tornou-se espetacular e ainda mais artilheiro.

Quando Adilson Batista era técnico do Santos, quis fazer, com Neymar, o mesmo que tenta hoje Mano Menezes. Nós o criticamos. O técnico tinha razão.

 

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