Sem autoestima, muitas pessoas passam a odiar a si mesmas

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O Tempo

Nascemos sempre repletos de defeitos, não há quem não os tenha. Não à toa, tenho arquivada a entrevista da Gisele Bündchen na qual ela relata, em sua espontaneidade, o quanto se achava horrorosa e quanto sofreu com bullying e apelidos. Ela achava suas pernas magras, e o corpo, esquálido, até ser descoberta como modelo. Daí a ser considerada a mulher mais bonita do mundo foi um pulo. Imagina quantas tops estão por aí chorosas, mal resolvidas, se escondendo do mundo, que, por sua vez, está querendo desesperadamente revelá-las? Quantos jovens brilhantes deixam de ocupar uma vaga por não se acharem capacitados numa empresa de ponta?

Antes de mais nada, vivemos num tempo de falsidades, exibicionismos, exposição e de muita, muita imaturidade. Piorando a caótica realidade, as redes sociais na internet são inclementes ao expor pessoas a situações extremas e pesadas, ressaltando o ridículo, manipulando fatos, criando “verdades” e massacrando os defeitos nossos de cada dia. Daí a viralizar a baixa autoestima foi um pulo.

MAIS SUICÍDIOS – Entre crianças (algo raro até há poucas décadas) e adolescentes, a baixa autoestima tem se manifestado de forma tão grave que o aumento de suicídios pós-ciberbullying já virou tragédia nos Estados Unidos, no Japão e na Europa. Também está entre os adultos jovens, principalmente quando se trata de temas ligados à vida afetiva, sexual e profissional, e, nas pessoas maduras, causada por problemas financeiros, conjugais e familiares. Tudo isso só da baixa autoestima!

O achar-se pior que todo mundo virou lugar-comum. Não há photoshop, botox ou roupa de marca que resolva. Nem pós ou doutorado. Amor próprio não se compra, não se maquia, não se inventa… Amor próprio desenvolve-se com muita humildade, zelo, carinho e coragem.

Entrar em redes sociais e ver pessoas sorridentes, acompanhar suas viagens, conhecer seus filhos unidos, seus carrões (quanta coisa falsa, muitas vezes!)…

INFERNO PESSOAL – Ao comparar com a lida diária, quem assiste ao paraíso virtual se sente no inferno do dia a dia. E a baixa autoestima sempre será uma distorção da imagem de si mesmo. É o péssimo comportamento de supervalorizar as características alheias e menosprezar as próprias. “Queria ter o nariz do beltrano, o corpo do fulano, a inteligência do ciclano…” e por aí vai. Sem contar que o sofrimento costuma sobrar para a família: “tinha que ter cabelo tão ruim, mãe?!”.

A arte mais difícil é amar-se. Odiar-se é fácil, basta um espelho, uma frustração, uma paixão mal resolvida ou ouvir um sonoro “não” de alguém ou de uma vaga sonhada. É fácil se lamentar e achar a vida pesada, injusta. É fácil vestir seu uniforme de burro, horroroso, feio, zero à esquerda e se trancar no quarto, sentar no final da sala e querer ser invisível, querer morrer antes mesmo de merecer ter vivido. Pois amar a si mesmo dá um baita trabalho.

ESPELHO INTERNO – É preciso encarar o espelho interno a cada dia e surpreender-se. Olhar de perto nossas imperfeições. Não duvide, não há quem não as tenha. É preciso surpreender-se ao encarar que temos virtudes, muitas, por sinal, que se escondiam atrás da fixação pela aparência.

Esse coração enorme, por exemplo, o desejo de existir, fazer algo bom… E esse sorriso lindo, tão pouco usado pois o mau humor o roubava? Sim, o nariz pode ser largo, mas seus olhos são tão expressivos que, juro, não dá para censurar o nariz. Concordo que o cabelo é crespo, mas charmoso ao ser colocado de lado, e com essa voz rouca… Amar-se é ser benevolente, generoso consigo mesmo. Aprender a errar, não ser obrigado a ser nem o melhor, nem o pior, apenas você. Gostar de você mesmo é brincar com seu jeito de ser. Único, pois você faz a diferença, ninguém nunca será como você! Aproveite ser quem é. Deve ser encantador ser como é. Daria um livro. Escreva-o.

Zoar a si mesmo e assim desarmar a maldade alheia. As pessoas aqui fora sempre querem umas às outras, desde que umas se disponham a se apresentar às outras com seus defeitos e suas virtudes. Não busque no outro ou em coisas materiais a solução para sua baixa autoestima ou passará a vida inteira codependente de alguém ou de coisas materiais, para fingir ser feliz. Sorria, você está sendo filmado por sua estima própria.

5 thoughts on “Sem autoestima, muitas pessoas passam a odiar a si mesmas

  1. Falar que fulana de tal é a mulher mais bonita do mundo,é precipitado.Realmente a Gisele é uma mulher muito bonita.Entanto,há milhares e milhares de mulheres bonitas espalhados no mundo inteiro.

  2. Amar, amando-se. É auto-estima.
    “Só existe autoestima quando uma pessoa vive de acordo com suas ideias, sem ofender o código de valores que ela construiu ao longo da vida. Uma pessoa para quem a honestidade é fundamental poderá ficar rica se aceitar suborno, mas sua autoestima cairá, inevitavelmente. Não é possível alguém gostar de si mesmo, ter um bom juízo de si, se estiver agindo em desacordo
    com seus princípios.” Flavio Gikovate.

    Aquino, um tema de grande importância você postou. Amei.

  3. Aos 70, o que fica em baixa é a baixa autoestima.
    Tô nem aí. Na verdade, estou bem para meus 70.
    E não importa que ninguém mais ache. Eu acho. E minha opinião é a que costuma valer.

    A saúde é que não pode tropeçar. Aí complica.

    Muito.

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