Sem Joaquim Barbosa, cresce o vazio nesta sucessão presidencial

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Charge do Aroeira (O Dia), inspirado em Munch

Pedro do Coutto

Através das redes sociais, na manhã de ontem, em matéria depois divulgada também pela emissoras de televisão, o ex-presidente do STF anunciou a retirada de seu nome na eleição presidencial nas urnas de outubro. Joaquim Barbosa, pela receptividade que obteve, tornara-se uma hipótese concreta para os eleitores indignados com o mar de corrupção que inundou o país, além de ter assaltado a Petrobrás de modo profundo. Joaquim Barbosa inscrevera-se no PSB antes um pouco de 7 de abril, limite máximo para qualquer candidatura no pleito deste ano. Mas recuou.

Ao se filiar, acentuou que não havia se definido na disputa pelo Planalto. E agora sua saída de cena contribui sem dúvida para desestimular ainda mais o eleitorado, agora aparentemente restrito a Jair Bolsonaro, Marina Silva, Geraldo Alckmin, Ciro Gomes e Alvaro Dias. Nenhum dos cinco consegue interpretar o sentimento abafado na consciência e no coração dos eleitores e eleitoras. Surge agora uma nova realidade e temos de aguardar os novos levantamentos do Ibope e Datafolha.

EXTREMA-DIREITA – Bolsonaro tem uma posição consolidada, não há dúvida, mas restrita à posição da direita conservadora. Nem de centro-direita ele pode ser considerado. Sua posição é a extrema radical, e tal conotação pode levá-lo ao segundo turno, porém com dificuldade para vencer a sucessão do presidente Michel Temer.

Por falar em Temer, em artigo publicado na edição de ontem da Folha de São Paulo, o professor e intelectual Hélio Schwartsman indaga por que o presidente da República é tão rejeitado e até odiado pela população. A corrente antiTemer, pode-se dizer assim, deverá tornar-se um alvo comum para os candidatos em busca de votos.

TEMER E ALCKMIN – Diz-se que Temer estaria procurando retirar sua candidatura e formar uma aliança com Geraldo Alckmin. Mas o tucano Alckmin sentir-se-á à vontade ao lado de um político recordista em impopularidade? Acredito que todos terão em comum o posicionamento antiMichel Temer. Mas a pergunta de Schwartsman continua no ar.

 Acha o articulista da FSP que a figura de Temer pode trazer consigo um tipo de carga negativa que marcou na história as figuras de Judas, Brutus e Cássio. A figura de Cássio recebe um destaque enorme na obra Julio Cesar, de Shakespeare. Para o poeta, Brutus usou o punhal, mas Cássio na sombra articulou e organizou a conspiração.

Inesquecível a interpretação de John Gielgud. Como inesquecível também a de Marlon Brando que viveu Marco Antonio no famoso discurso no Senado romano acusando Brutus.

ALTA REJEIÇÃO – No caso, a rejeição a Temer tem origem também no seu projeto econômico social. Os assalariados do Brasil sentem-se vítimas das decisões do Planalto. Decisões que contêm também gravações e processos de corrupção.

O povo sente-se escorraçado pelo poder e pela corrupção.

4 thoughts on “Sem Joaquim Barbosa, cresce o vazio nesta sucessão presidencial

  1. Estão tentando criar uma falsa da esquerda de centro nessa eleição. Até na política o gênero de posições de pensamento, esquerda moderada contra a estrema direita. Que ponto chegamos a imprensa criando subterfúgios para eleger os seus preferidos.

    • Esse Bolsonaro de extremista vai mais por conta do que já disse sobre o regime militar do que por suas posições políticas em si. No Brasil do politicamente correto e moralmente arrasado, este tipo de comentário tem levado Bolsonaro a responder, inclusive judicialmente, o que para os outros parlamentares é imunidade parlamentar, em seu caso, tem sido incitação ao crime, racismo, homofobia e o que mais a esquerda e jornalistas que perseguem SUAS forças armadas AINDA hoje, possam conceber. O povo vacinado contra a inconsciência, seja ideológica, seja política. O povo que vive nas ruas e não do alto dos edifícios e vê, assiste, ouve, a voz e o clamor das ruas, percebe a violência desenfreada, a banalização cada vez maior, da morte, da corrupção, do ilícito. Sente nas costas o peso de um estado que não ajuda e que cobra mais e mais a cada ano. A mentira e dissimulação de quem tem o dever moral de dizer a verdade para seu povo. Estes tem interesse em votar em Bolsonaro. Não sou cabo eleitoral, apenas expresso o sentimento das pessoas com quem conversei e que querem ver Bolsonaro presidente.

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