Sem juros subsidiados, o BNDES não serve para nada, nem mesmo para financiar jatinhos

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Fotomontagem reproduzida do Arquivo Google

José Vidal

Os empréstimos concedidos pelo BNDES visam ao desenvolvimento da indústria nacional. Até sei que esses empréstimos estavam dentro do programa de financiamento chamado Finame. O vendedor precisava credenciar seus equipamentos nacionais junto ao banco para estar apto a vender. O comprador, que precisa ser pessoa jurídica, tem de preencher requisitos para obter o financiamento. Isso, para mim, é uma ótima maneira de estimular nossa indústria.

No caso da Embraer, esses estímulos a ajudaram a crescer. As construtoras também obtém ou obtinham créditos a juros subsidiados pelo BNDES. Da mesma forma, muitas prefeituras e Estados conseguiram empréstimos subsidiados.

PAIXÃO IDEOLÓGICA – Aliás, é só pesquisar e verificar o que esse grande banco de fomento fez pelo desenvolvimento do país, em todas as áreas.  Eu apoio, sim, o trabalho e a missão do banco de fomento, mas infelizmente, parece que a paixão ideológica está conseguindo destruir sua imagem.

Quase todos os países fazem isso, estimulam suas próprias indústrias. Como eu gostaria que o Brasil aumentasse esse tipo de incentivo… Mas nós aqui, os espertos, achamos um escândalo e aplaudimos as importações de manufaturados e a exportação de produtos primários subsidiados. A obsessão por Lula e o PT parece que embotam o raciocínio dos debatedores.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Gostei deste texto do Vidal. Os brasileiros precisam entender a importância do BNDES. O banco praticava juros subsidiados, mas não pratica mais, por burrice de Joaquim Levy, que ama o Aterro do Flamengo e vive fotografando a natureza legada por Burle Marx, mas deve tomar cuidado para não tropeçar e cair de boca na grama.

Levy jamais conseguiu entender que o BNDES precisa ter juros baixos para apoiar a indústria nacional. Se o empresariado brasileiro investir com financiamento bancário comum e juros à la Febraban, irá logo à falência, jamais poderá competir com a multinacional que se capitaliza paga juros correntes em seu país, que às vezes são até negativos.

IDIOTA COMPLETO – No governo Lula, quando era secretário do Tesouro, Levy vivia dizendo que os juros do BNDES tinham efeito inflacionário, o que era um verdadeiro absurdo. Na época, o economista Carlos Lessa presidia o BNDES e achava Levy um idiota completa.  

Levy esperou 15 anos até conseguir eliminar os juros subsidiados do BNDES. Hoje, o banco oferece quase 500 linhas diferentes de crédito, mas a procura é ridícula. O resultado dessa política bestial de Levy, como dizem nossos irmãos lusitanos, é que a indústria nacional está estagnada, a economia entrou em estagflação (recessão com inflação ao mesmo tempo), e as multinacionais batem palmas.

Carlos Lessa e seu parceiro Darc Costa dirigiram o BNDES durante apenas dois anos, mas inflaram as velas da economia. Quando Lula deixou o governo, em 2010, o PIB subiu 7,5%, ainda como reflexo da política de Lessa e Darc. Depois, veio o dilúvio de Mantega, Dilma e Cia. Ltda. Agora, com o apatetado Paulo Guedes à frente da economia, a tendência do Brasil é piorar, desculpem a franqueza.

JATINHOS – Quanto ao financiamento de jatos da Embraer, isso sempre houve, mas somente empresas do setor (companhias aéreas) poderiam se beneficiar dos juros beneficiados, mediante o apoio que o BNDES deu às empresas nacionais na era Lessa/Darc. Depois, os petistas abriram as torneiras para beneficiar figuras patéticas com Huck e Doria.

De toda maneira, apoiar a Embraer foi melhor do que financiar Cuba, Moçambique, Venezuela etc., que jamais vão pagar os empréstimos. A Embraer hoje brilha no céu do mundo inteiro e agora deveria estar concorrendo com a decadente Boeing, ao invés de ter sido “entregue” de bandeja ao grupo norte-americano.  (C.N.)

27 thoughts on “Sem juros subsidiados, o BNDES não serve para nada, nem mesmo para financiar jatinhos

  1. Mais de 60% dos aviões produzidos pela Embraer voam nos EUA.

    Sem contar os aviões militares, acredito que menos de 4% dos aviões produzidos pela Embraer voam no Brasil.

    Aqui, somente a Azul opera com aviões da Embraer. LATAM, GOL etc operam com aviões importados (Boeing e Airbus), gerando emprego para americanos e europeus.

    Para ajudar a Embraer seria mais lógico financiar aviões para empresas aéreas brasileiras que operam uma média diária de 10h de voo/dia com 11 decolagens/dia, consumindo muito mais peças que meia dúzia de jatinhos particular e gerando emprego e mão de obra especializada no Brasil.

    Abraços

    • Mas as empresas aéreas tinham esse tipo de crédito. Só não o usaram porque era mais vantajoso para elas adquirirem aviões importados e até ela Embraer não produzir o de porte adequado. A guerra comercial existe e na maioria das vezes é pouco ética. A valorização do Real durante longo período foi um erro e por isso medidas desse tipo tiveram que ser tomadas.

  2. Mas é justamente quem não precisa, quem é milionário/bilionario é que obteve o benefício e subsídio, não empresas aéreas do setor. Como explicar os donos do banco Itaú obterem este financiamento? O banco privado é quem mais tem lucrado todos os anos. E o doleiro envolvido na lava jato, como obteve o subsídio? O Brasil esta cheio de “Eikes Batistas” que navegam pelo sistema e dele se beneficiam, mas em público posam de milionarios/bilionários sem produzir nada de concreto para a nação.

  3. No Brasil a coisa não funciona. Juros subsidiados a uma estatal? Isso é ridículo. Enquanto os bancos particulares são os que mais lucram e menos emprestam, pois cobram juros extorsivos e se cercam de excesso de burocracia, sobra para o BNDES ou seja sobra para quem retira diretamente do erário os recursos. A saída é imediata, mas o retorno tem prazos longos e incertos a depender da maré política na ocasião. Juros subsidiados só ocorrem em desfavor ao erário e precisariam de uma justificativa muito bem fundamentada ou trabalharemos para o fracasso do país, mesmo pagando impostos sufocantes.

  4. É cada uma que aparece que dá até dor de barriga. Por isso que este país jamais deixará de ser uma republiqueta de corruptos e vagabundos. Quer dinheiro, entra no mercado de capital como nos países de primeiro mundo. Mas, aqui precisa de dinheiro público para crescer como os irmãos açougueiros. BNDES mais uma jabuticaba para transferir dinheiro público para a ratoeira.

    • Simples assim.
      Se não me falha a memória, o BNDES criou até um cartãozinho para “facilitar” certos finamciamentos.
      Se o BNDES tivesse financiado as Cia Aéreas visando aquisições junto a Embraer, vá lá, concordando ou não, seria a função.
      Joaquim Levy realmente é um produto dessa nossa grande jabuticaba. Basta dizer que foi secretário de Serginho Cabral, não é mesmo?

  5. BNDES O BANCO DO GOVERNO QUE NÃO EMPRESTA DINHEIRO AOS POBRES . ENQUANTO ISSO OS BANCOS PRIVADOS COBRAM JUROS ABSURDO AOS POBRES . AUMENTANDO O ÍNDICE DE ENDIVIDAMENTO . ISSO E UM ABSURDO . POIS TODOS OS BRASILEIROS SÃO IGUAIS PERANTE A LEIS , SEM DISTINÇÃO DE QUALQUER NATUREZA .

  6. Antes da chegada da quadrilha lulopetista ao poder, pouco se ouvia falar do BNDES.

    Esse importante banco de fomento ao desenvolvimento econômico e social trabalhava em silêncio, longe dos holofotes, alavancando o desenvolvimento da economia BRASILEIRA.

    Mas os bandidos petistas chegaram ao poder metendo a mão em tudo. E isto não é só figura de linguagem. Não!

    No BNDES chegaram ao ponto de distorcer imensamente a filosofia e a função da instituição!

    Virou um banco de empréstimos a juros baixos (e sem garantias!) para os “amigos dos amigos”, para os “campeões nacionais” (escolhidos pelo chefão Lula e aliados)… e até para fomentar economias ESTRANGEIRAS alinhadas à seita lulopetista, o que é um ASSOMBRO!

    E quase ninguém criticava quando essa farra estava a pleno vapor. Uma das raras exceções foi o Carlos Newton, desta Tribuna! Lembro muito bem!

    Pois é, hoje existe uma imensa caixa-preta de bilionárias malandragens e crimes aonde o BNDES foi usado para fazer jorrar montanhas de dinheiro!

    Resta saber se essa caixa-preta será totalmente aberta, conforme os cidadãos honestos desejam. Ou se apenas parte dela será aberta, a mando de Bolsonaro, como forma de represália, retaliação, vingança ou ameaça aos que ousem contrariá-lo.

    Muita água vai rolar…

  7. Conforme eu disse ontem para o Vidal, a questão não é a Embraer, longe disso.

    Postei as minhas críticas e até com veemência, contra os financiamentos de aviões ATÉ PARA OUTROS BANCOS, de tão baixo os juros cobrados, algo de pai para filho.

    Inadmissível que a compra de jatinhos tenha juros menores que a aquisição de um imóvel para moradia, hoje em 13% ao ano, enquanto os aviões tiveram uma taxa de 3%!!!

    A encrenca é só com esta regalia para quem não precisa.

    Por outro lado, muito antes de o BNDES financiar bens de consumo, que os créditos disponíveis fossem concedidos somente para as empresas que aplicariam o dinheiro em produção e melhorias de suas instalações.

    Para financiamentos desse tipo, avião, que os interessados procurassem em bancos que oferecessem juros mais baixos.
    Agora, um banco de fomentos servir como um banco comum, e ainda operando com juros pagos pelo povo, convenhamos, não dá para aceitar tanta regalia.

    Volto a frisar:
    Não está em discussão a Embraer mas, o BNDES, que concedeu os financiamentos a juros de pai para filho.

  8. Realmente os governos passados faziam um redistribuição de renda, dos pobres para os ricos, e tem otário até hoje achando que o fies nos moldes esculhambados do jeito foi, era bom para os pobres, ai eu me pergunto, e quem sabe até o alex que sabe tudo do pt, possa me responder, o jatinho do dono do pitagoras é dele ou do lula, afinal o mula vive pegando uma carona nele.

  9. Aproveito para agradecer ao Carlos Newton, nosso Editor, que tenha postado um artigo do meu conterrâneo José Vidal.

    O gaúcho é inteligente, escreve muito bem, culto, dotado de conhecimentos e ampla visão sobre o nosso povo e país.

    Volta e meia andamos às turras, mas nada que impeça o respeito e admiração que tenho pelo gaudério.

  10. -Não se pode CRITICAR os subsídios do BNDES, importantíssimos para o desenvolvimento do país.

    -Mas é impossível não criticar O QUE e QUEM receberam subsídios.

  11. Caro Carlos Newton,
    embora algumas discordâncias em algumas áreas, concordamos em quase tudo no que diz respeito a politicas de desenvolvimento do Brasil.
    Sempre gostei de uma definição de patriota que encontrei: “o verdadeiro patriota é aquele que critica os erros do seu governo, não quem o aplaude cegamente, não importa o quê.”.
    Em economia devemos ser pragmáticos.
    “Eu não ligo se o gato é preto ou branco, contanto que seja bom em pegar ratos”.
    Abaixo segue o link de uma interessante entrevista de um estudioso das economias dos países, autor de vários livros de como eles conseguiram se desenvolver.
    Tenho certeza que concordarás com ele.
    https://brasil.elpais.com/brasil/2018/01/05/economia/1515177346_780498.html

    • Prezado José Vidal, roubarei um parágrafo do teu link. É exatamente isso que está acontecendo hoje no mundo! Por isso tanto interesse na Amazônia e que não surja um novo Japão ao sul do equador e por isso acredito que o Guedes esteja equivocado:

      “Hoje, quando olhamos para os países ricos, em sua maioria, eles praticam o livre comércio. Por isso, é comum pensarmos que foi com esta receita que eles se desenvolveram.

      Mas, na realidade, eles se tornaram ricos usando o protecionismo e as empresas estatais. Foi só quando eles enriqueceram é que adotaram o livre comércio para si e também como uma imposição a outros Estados.

      O nome do meu livro, CHUTANDO A ESCADA, faz referência a um livro de um economista alemão do século XIX, Friedrich List, que foi exilado político nos Estados Unidos em 1820. Ele critica a Inglaterra por querer impor aos EUA e à Alemanha o livre comércio. Afinal, quando você olha para a história inglesa, eles usaram todo o tipo de protecionismo para se tornar uma nação rica.

      A Inglaterra dizendo que países não podem usar o protecionismo é como alguém que após subir no topo de uma escada, chuta a escada para que outros não possam usá-la novamente.”

      Abraços.

      • “As pessoas têm que entender como é séria a redução da indústria de transformação no Brasil. Nos anos 80 e 90, no ponto mais alto da industrialização, esse setor representou 35% da produção nacional. Hoje não é nem 12% e está caindo. O Brasil está experimentando uma das maiores desindustrializações da história, em um período muito curto. O país tem que se preocupar. E eu não estou dizendo nada novo.”

  12. E para cúmulo do absurdo neste país de “zelites” endoidecidas, o Estadão agora vem acusar o governo de quebra de sigilo bancário por conta da divulgação dos ricaços que compraram jatinhos facilitados pelo BNDES. isso embora o Supremo já tenha dito que as operações de crédito do BNDES não são sigilosas:

    http://www.lex.com.br/noticia_26832833_OPERACOES_DE_CREDITO_ENTRE_BNDES_E_JBS_FRIBOI_NAO_ESTAO_COBERTAS_PELO_SIGILO_BANCARIO.aspx

  13. “Embraer hoje brilha no céu do mundo inteiro e agora deveria estar concorrendo com a decadente Boeing, ao invés de ter sido “entregue” de bandeja ao grupo norte-americano.

    -Colocação perfeita.
    -Para os acionistas,
    entre a Embraer vender aviões de caça, satélites militares e/ou mísseis intercontinentais com prejuízo e vender pregos com lucro, é melhor vender pregos com lucro.
    A defesa e a estratégia do país não interessam.

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