Sem liberdade de imprensa, no h a menor possibilidade de a democracia se manter

Charge da Fundao: "Cartooning for Peace" (desenhos pela paz)

Charge da Fundao: “Cartooning for Peace”

Joo Domingos
Estado

Ningum que defenda a democracia pode considerar normal a banalidade com que se tem invocado a edio de um novo AI-5. Com o AI-5, o Congresso foi fechado, o presidente da Repblica foi autorizado a decretar estado de stio por tempo indeterminado, demitir pessoas do servio pblico, cassar mandatos, confiscar bens e intervir nos Estados e municpios. A liberdade de imprensa e de expresso foi extinta. Essa a verdade dos fatos. Escond-la distorcer a realidade, fabricar fake news.

Autor do recm-lanado Existe democracia sem verdade factual? (Estao da Letra e Cores Editora), no qual dialoga sobre o impacto da desinformao no debate pblico com o pensamento da filsofa Hannah Arendt, criadora da teoria da banalidade do mal, Eugnio Bucci, professor titular da Escola de Comunicaes e Artes da USP, faz uma analogia entre a tentativa de negar a verdade dos fatos e a ameaa ao estado democrtico de direito.

ENGENHO SOCIAL – coluna, Bucci lembrou que a democracia uma construo histrica, um engenho social, um projeto humano. Sem cuidados, ela pode perder vigor e desaparecer. A democracia existe porque existiram e existem seres humanos que cuidam dela, com muito trabalho. Sem eles, nada feito.

Para existir a democracia, preciso haver liberdade de expresso e de imprensa. Mas at quando a liberdade de imprensa e de expresso sobreviver ameaa de solues autoritrias, como a da volta do AI-5, ou tentativa de banalizao do uso das Foras Armadas em conflitos urbanos e rurais, que podem esconder intervenes nos Estados e quebra do princpio federativo?

Bucci observa que no Brasil e em outros pases aumentam a atividade e o espao dos que trabalham contra e combatem as liberdades individuais, os direitos fundamentais, as conquistas sociais, a tolerncia, o pluralismo e a cultura de paz, valores que servem de balizas civilizatrias. A democracia ainda est a, as instituies esto funcionando, mas as ameaas contra ela se avolumam.

LADO MAIS FRGIL – Nesse contexto, os primeiros ataques tentam atingir a liberdade de imprensa a frente mais frgil e mais visvel das sociedades democrticas, diz Bucci. No Brasil, o clima de ameaas se tornou escancarado. Artistas so xingados e execrados. As universidades sofrem infmias dirias, como a de que no passam de centro de consumo e de produo de drogas. Por que isso? Porque na universidade h pensamento livre, coisa que os autoritrios no suportam. E porque nas artes h imaginao solta, coisa que os apavora.

Mas contra a imprensa que se detonam os bombardeios mais baixos e mais covardes, incluindo intimidaes pessoais, ameaas de morte e de priso, chantagens e tentativas, vindas do Estado, de quebrar o negcio de rgos jornalsticos.

VERDADE FACTUAL – Para Bucci, no h nada mais frgil do que a verdade factual, mas, ao mesmo tempo, no h nada que o autoritarismo mais tema.

Cerremos fileiras com a liberdade de imprensa. Se ela cair, todo o resto cair logo em seguida. Se queremos uma democracia que no dobre os joelhos, queremos uma imprensa incmoda, independente e sustentvel. A liberdade de imprensa ser o fiel da balana no Brasil de agora, como j foi no passado. Sem ela, alm de acuados, estaremos perdidos.

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NOTA DA REDAO DO BLOG
Bolsonaro um inovador. Nunca antes, na Histria deste pas (ou de qualquer outro, um presidente democrtico atacou tanto a imprensa, a ponto de tentar destruir um jornal importante como a Folha. Isso deve ter algum significado. Ou no?, diria Caetano Veloso… (C.N.)

22 thoughts on “Sem liberdade de imprensa, no h a menor possibilidade de a democracia se manter

  1. O choro livre, a impren$a e as penas de aluguel, no cansam de passar vergonha e nem de plantar suas vontades, ento cabe aos Jornalistas de verdade separar o joio do trigo e no entrar nessa barca furada de ficar gritando que to pedindo o ai 5, ou j esqueceram como foi a eleio da categoria.

    • Jornalismo de verdade, existe mas pouco, para falar de jornalistas, conta-se nos dedos.
      De democracia, pergunta-se qual o seu conceito? Deve ser aquela para luiz Incio roubar a vontade eo STF mudar ar regras e deixar o bandido solto por a.
      Tantos assuntos importantes para tratarmos como educao, sade, segurana, tecnologia, e vem com esses subjetivismo.
      Democracia de verdade aquela que o PT defende, ou seja, somente eles roubam e soltam o ladro de estimao.

  2. Hoje com a internet no h mais como proibir a informao, a desinformao, as fakes news.

    Essas matrias sobre liberdade de imprensa da nossa mdia so sofismas, falsos alarmes, para justificar o prejuzo que esto amargando causado pelo seu descrdito pelo povo, por suas prticas condenveis pelo verdadeiro jornalismo.

  3. A imprensa sempre foi partido politico . Principalmente contra o povo pagador de tributo .
    Viveu sempre dos maus governantes.
    Quando aparece algum governante , mesmo que tenha defeito , que prioriza o povo , a imprensa com raras exceo batem at que esse se ajoelhe diante deles .

  4. A imprensa sempre foi partido politico . Principalmente contra o povo pagador de tributo .
    Viveu sempre dos maus governantes.
    Quando aparece algum governante , mesmo que tenha defeito , que prioriza o povo , a imprensa com rara exceo batem at que esse se ajoelhe diante deles .

  5. A grande mdia se esqueceu completamente de que no viveu em lua-de-mel com nenhum governo depois de FHC. O PT j vivia s turras com a mdia desde a campanha presidencial de 1989, e deu seguimento briga durante seu perodo no poder, embora invocando rtulos pomposos de “marco regulatrio da mdia”, “controle social da mdia”, e outras coisas que, trocando em midos, colocariam a imprensa sob os ditames de algum comit selecionado pelo governo, isso quando no estava denunciado a “imprensa golpista” (algum lembra dessa expresso?) e financiando com patrocnio de estatais mdias “independentes” tipo Conversa Afiada e outros, que por alguma razo seguiam o padro de sempre defender o lulismo e atacar seus opositores polticos. Algum lembra como o PT estava orgulhoso do papel desempenhado por seus blogues “independentes” em desancar Serra e a grande mdia na eleio de 2010?

  6. Qual seria o comportamento da Folha e demais rgos da imprensa que tanto ataca o governo se fosse nas democracias da Coria do Norte, China, Rssia e correlatos? Qual seria a resposta de um Kim Jong-un, por exemplo? O que faria ele, com a a turminha da Folha?

    • Sr. Anunnaki ,

      Caso fosse na Coria do Norte, China, Rssia, Cuba e correlatos, todos estes jornalistas seriam fuzilados.

      A Ditadura Militar de 1964 foi um pouco mais branda: prendeu alguns jornalistas, assassinou-os na priso (lembre-se do caso Vladimir Herzog) , torturou, estuprou, estabeleceu censura mas no fechou os jornais nem pediu boicote a qualquer rgo de imprensa a seus seguidores, e alguns, ao contrrio dos pases supra-citados conseguiram fugir para o exlio, geralmente em pases europeus.

  7. Miitos artistas so execrados por defenderem Lula asseclas apesar da roubalheira mais que comprovada aos cofres do pas. Quem apoia corruptos no pode esperar nada seno o desprezo. Contra fatos no h argumentos.

  8. Existe democracia sem verdade factual? pergunta o ttulo do livro do jornalista Eugenio Bucci. A pergunta soa um to pretensiosa quanto descabida. Os fundadores da democracia moderna, pelo monos os dos Estados Unidos, estavam mais preocupados em defender a liberdade do que a “Verdade” com V maisculo, que um conceito filosfico e religioso. Alm do mais, quem vai definir o que a Verdade, e mesmo a “Verdade factual”? O governo? A grande imprensa? Jornais, no importa o quanto se queiram srios, no publicam a “Verdade”, nem nem a “Verdade factual”, publicam notcias. Notcias so verses de fatos, que dependem das informaes que chegam ao jornal e da interpretao que o jornal d a essas informaes. E essas verses sempre podem ser modificadas por novas informaes que venham a surgir. Que rgos de imprensa se pretendam portadores da “Verdade”, ainda que seja da “verdade factual” uma pretenso enorme, se atriburem uma infalibilidade que eles acham ridcula quando invocada pelo Papa. Claro que jornais e revistas sempre acreditam publicar a verdade, mesmo quando no tem evidncias suficientes, ou quando se mostram redondamente enganados. A Veja certamente achava que dizia a verdade quando publicou a matria sobre os dlares de Cuba para o PT sem provas, ou a resenha em que malhava a srio o livro “A Vida Sexual de Immanuel Kant”, sem se dar conta de que se tratava de uma obra satrica. E nos tempos atuais o Wikileaks to querido de boa parte da mdia desmentiu a credibilidade de muita coisa divulgada como “verdade factual”, como ocorre agora com os ataques qumicos na Sria.
    https://www.voltairenet.org/article208428.html

    No faz nenhum sentido pretender uma aceitao acrtica da parte do leitor de qualquer noticirio, vindo seja de onde for.

  9. E quando a imprensa apoia um determinado grupo poltico, esconde e modifica as notcias, ela est colaborando com a democracia?
    Quando ela participa de um plano para fraudar o resultado das urnas, como no caso Brizola-Procunsult, ela est ajudando a democracia?
    Quando ela utiliza a prerrogativa do “sigilo da fonte” para inventar o que quiser e sair ilesa, e no ter que se retratar, ela est ajudando a democracia?
    proibido criticar a imprensa? S ela pode criticar tudo e todos? S ela pode apontar os erros que ela “acha” que algum cometeu? Ns, reles mortais no podemos fazer o mesmo?
    No isso que se aproxima mais da democracia? Direitos iguais? Por que tanto espanto quando se critica a imprensa?

  10. ECA?Na USP?A 2a.maior concentrao de drogas no campus, o trfico atua livremente!O professor traando paralelo da atual situao no pas, com a banalidade do mal, expresso criada durante o julgamento de Eichmann… coitado, na poca do nacional-socialismo, se a imprensa ou algum criticasse publicamente o regime, caia em desgraa, redao destruda, risco de fuzilamento!O cara doido de pedra, subliminarmente chamou o governo de nazista.”estado democrtico de direito”, fazendo comparao com totalitarismo, s rindo, srio, docente e escritor?

  11. A mdia brasileira jamais aceitou qualquer crtica ao trabalho desenvolvido.

    O jornalismo se colocou em um patamar inatingvel, de verdade absoluta, e de destruir facilmente seus opositores ou questionadores quanto iseno e imparcialidade que anteriormente caracterizava a imprensa nacional, pelo menos agia dessa forma a maioria dos veculos de comunicao em passado at mesmo recente.

    O fim da ditadura chancelou uma liberdade de imprensa que extrapolou qualquer limite de respeito ao cidado, e temos inmeros casos gravssimos de vidas que foram destrudas pela mdia, de modo que seus interesses e convenincias fossem atendidos.

    O advento do PT, e as fabulosas verbas destinadas s propagandas favorveis ao governo, motivaram a mdia a prospectar uma fonte de renda infinitamente melhor e maior com esse mtodo de se posicionar a favor do Planalto, onde estavam nas vendas avulsas, assinantes e propagandas, a receita dos veculos de comunicao.
    Assim como o Brasil comeou a ser dividido politicamente, PT e aliados de um lado, oposio e antipetistas de outro, a mdia agiu da mesma maneira:
    A verdade de um lado, que nada rendia de dividendos, e reportagens que elogiavam o governo e seu partido de outro, que geravam receitas substanciais.

    Em consequncia, a imprensa atual no o sustentculo de qualquer democracia, pelo contrrio:
    ajuda sobremaneira na separao dos poderes constitudos do povo, acirra o radicalismo poltico, combate o governo eleito como se fosse um partido, enaltece o crime com apoios a Lula, ignorando os crimes cometidos pelo petista, publica informaes que no so corretos, e edita reportagens tendenciosas a respeito da administrao atual.

    A imprensa nacional deixou de lado a crtica construtiva;
    Abandonou a sua funo de fiscalizar;
    Deixou de lado investigar os erros e desvios de verbas dos governantes;
    Renunciou verdade em benefcio de contabilizar receitas maiores de acordo com o trabalho produzido, e conforme a poltica a remunerava;
    A imprensa nacional escolheu defender o sistema, em detrimento das carncias do cidado.

    A imprensa no um dos pilares da democracia como querem que acreditemos.
    Democracia o enaltecimento do povo;
    Democracia a liberdade de o povo decidir sobre o que quer do governo;
    Democracia o povo participar do governo no s atravs de seus representantes, invariavelmente corruptos e desonestos, mas exigir, denunciar, punir, ento a mdia deveria estar ao lado do cidado injustiado e segregado.

    Mas no esta mais a funo da mdia brasileira, hoje um misto de partido poltico, interesses financeiros, e convenincias empresarias sendo atendidas.

  12. Bendl,
    Muito lcido teu comentrio acima.
    E tudo nasce porque o Administrao no quer adquirir um jornal. Este, um item de consumo da vnia de qualquer administrador.
    Discusso sobre o desenvolvimento da Nao tem passado batido!
    Cumprimentos pelo comentrio.

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