Sem medo do ridículo, ministro garante que não há crise

José Eduardo Cardozo diz que governo está absolutamente tranquilo

Amanda Almeida

Correio Braziliense

O ministro da Justiça José Eduardo Cardozo acusou, na manhã deste sábado (15/11), a oposição de tentar transformar a sétima fase da Operação Lava-Jato em um terceiro turno eleitoral. Em entrevista coletiva, em São Paulo, o auxiliar da presidente Dilma Rousseff disse que a Polícia Federal terá autonomia para continuar as investigações e não seguirá “colorações partidárias”.

Entre os presos ontem, está o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, indicado para o cargo pelo PT. Cardozo negou que as apurações da Lava-Jato tenham criado uma crise no governo. Segundo ele, a Dilma, que participa da reunião do G-20 na Austrália, soube da operação ontem e a apoiou.

De acordo com as investigações, Duque era o interlocutor na Petrobras entre o PT e empreiteiras em um esquema de pagamento de propina em troca de contratos milionários. Políticos do partido e de outras legendas da base aliada (PMDB e PP) foram citados pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, preso em fase anterior da Lava-Jato, como beneficiários do esquema. As investigações sobre políticos envolvidos aguardam autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki para serem iniciadas.

“Eu repilo veementemente a tentativa (da oposição)de se politizar essa investigação (da Operação Lava-Jato). (Tentativa) de tentar carimbar forças políticas ‘a, b ou c’ para que se possa ter um prolongamento do palanque eleitoral”, disse Cardozo. O ministro se referiu a entrevistas dadas ontem pelo senador Aécio Neves (PSDB) e o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Derrotado na eleição presidencial de 2014, Aécio disse que “tem muita gente sem dormir em Brasília”. Já FHC afirmou “ter vergonha do que acontece no Brasil”.

“Acho que quaisquer dos nomes citados têm de ser investigados. Se tem ou não proximidade com o PT, se foi ‘a’, ‘b’ ou ‘c’ o indicado, se a pessoa pertence a um partido e recebeu recursos para parar uma CPI. Isso tudo tem que ser investigado. Não posso tecer juízo de valor. O governo está absolutamente tranquilo. Especulações de que isso gera uma crise. Não há crise nenhuma. Nós temos a consciência tranquila de que estamos cumprindo nosso dever. O dever é apurar. O dever é punir. Não tentamos esconder em nenhum momento sujeira para baixo do tapete”, disse Cardozo.

Além de Duque, a Operação Lava-Jato levou à cadeia ontem 16 executivos das maiores empreiteiras do país, responsáveis por R$ 98,7 milhões em doações na campanha eleitoral de 2014. Também foi preso Jayme Oliveira Filho, que seria ligado ao doleiro Alberto Youssef. A Polícia Federal cumpriu ainda 49 mandados de busca e apreensão.

7 thoughts on “Sem medo do ridículo, ministro garante que não há crise

  1. Autoridades dos ESTADOS UNIDOS estão investigando o envolvimento da Petrobras e de seus funcionários em um suposto esquema de pagamento de propinas, segundo reportagem publicada neste domingo pelo “Financial Times” em sua página na internet. Conforme o jornal, fontes familiarizadas com o assunto contaram que o DEPARTAMENTO DE JUSTIÇA dos Estados Unidos abriu uma investigação criminal sobre a empresa, que tem ADRs (do inglês American Depositary Receipt) listados em Nova York, enquanto a Securities and Exchange Commission (SEC), que regula o mercado de capitais americano, está buscando um inquérito civil.

    A reportagem lembra que a estatal, a maior empresa brasileira, é alvo de investigações pela Polícia Federal e pelo Ministério Público que podem culminar na revelação de “um dos maiores casos de corrupção da história do país”. O jornal também destaca que muitos dos problemas apontados na Petrobras teriam ocorrido quando a presidente reeleita Dilma Rousseff estava à frente do conselho de administração da empresa.

    “As autoridades dos Estados Unidos estão investigando se a Petrobras ou seus funcionários, intermediários ou prestadores de serviços violaram a Lei de Práticas Corruptas no Exterior [tradução livre de Foreign Corrupt Practices Act], uma lei anticorrupção que torna ilegal subornar funcionários estrangeiros para ganhar ou manter negócios”, indica a reportagem, citando as mesmas fontes como origem da informação.

    No Brasil, segue o texto, promotores alegam que a estatal e seus fornecedores superfaturaram custos de projetos e aquisições em “centenas de milhares de dólares e repassaram parte dos recursos para políticos da coalizão governista liderada pelo Partido dos Trabalhadores”. Segundo o Financial Times, o Departamento de Justiça e a SEC declinaram de comentar o assunto e a Petrobras não respondeu o pedido de entrevista.

  2. A mesma conversa da Presidente Dilma: a Polícia Federal terá autonomia, estamos
    cumprindo com o nosso dever de apurar e punir. Independentemente do governo,
    a Polícia Federal tem autonomia, quem investiga e apura é a polícia, e quem pune é a justiça. A parte da investigação que toca ao governo, seriam as CPIs, mas nem isso o
    governo com sua base aliada, ajuda, ao contrário melam todas as CPIs .

  3. Se está tranquilo mesmo é pq acredita que a impunidade no Petrolão prevalecerá. Mas, não deveria esquecer que se o gigante adormeceu pode acordar a qualquer tempo. Que seja agora. Às ruas, então!

  4. Depois de doze anos de canalhices, Depois de elevarem mensaleiros condenados da justiça à categoria de heróis do povo brasileiro, Depois de lançarem resoluções prometendo golpear a democracia, Depois de fazerem o diabo para permanecerem no poder, Depois de se apoderarem do Estado como se extensão do partido fosse, Depois de boicotarem praticamente de morte a CPI que tenta investigar o escândalo do petrolão, Depois de aparelharem cinicamente a própria justiça que os julga, Depois de Depois de tudo de perverso e de IMORAL que já fizeram contra o País, virem com uma conversa dessas?
    É muito escárnio! Qual a vigarice da vez? Tentar blindar a chefe? Tentar proteger contra… Será que eles estão começando a ficar com medo? Será?

  5. Ridículo o papel do ministro na conjuntura conforme ela se apresentou.

    Quem enxerga a um palmo à frente do nariz, sabe o que está acontecendo na pátria amada.
    A absoluta inversão de valores, à partir do desgoverno dessa terrorista promovida â presidente, foi obrigado a assistir o titular da pasta da Justiça fazendo desesperado esforço para minimizar o episódio da prisão de corruptores, e enaltecer a presidente ausente.

    Sei não…

    Na minha modesta opinião, se era para ser mostrado ao país um trololó explicativo do que está acontecendo em relação ao escândalo da Petrobras, esse papel caberia ao vice-presidente, Michel Temer, o responsável institucional na falta eventual da presidente.

    Depois, o ministro não acrescentou nada ao seu discursório, ao tentar jogar no colo da oposição, a ideia de que a edição 7.0 da Polícia Federal, estaria sendo interpretada como uma “terceira eleição” – perdendo uma boa chance de ficar calado.

    Decerto, como alguns dos participantes deste blog, fiquei frustrado com a absoluta ausência de manifestações patrióticas na celebração da data da proclamação da República. Um silêncio total marcou a data.

    Pode ser que começará, à partir de 2015, um novo porvir na história do Brasil, para que ela seja celebrada e comemorada como o dia em que a República renasceu das cinzas, de um período tenebroso de falcatruas que nunca mais se repetirão em nossa Nação.

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