Sem ministério, sem lenço e sem documento, Ciro Gomes está numa encruzilhada: ou entra no PDT ou cria um novo partido. As duas opções são furadas, e ele pode continuar à deriva.

Carlos Newton

Ciro Gomes vai mesmo para o PDT ou tentará criar um novo partido, na trilha de Gilberto Kassab? A boataria é forte em Brasília. Mas qual é a saída para Ciro Gomes, que vinha realizando uma das mais brilhantes carreiras políticas de sua geração e de repente caiu no vazio?

Foi prefeito, governador, ministro da Fazenda, ministro da Integração Nacional, deputado federal, candidato a presidente duas vezes, em 1998 e 2002 (pelo PPS), e nessa última oportunidade tinha até chances de ganhar. Ainda hoje, continua sonhando com a Presidência, embora em 2010 tudo tenha virado um pesadelo.

Era ministro e se considerava amigo do presidente Lula, saiu do governo em março para se desincompatibilizar e disputar a eleição. Mas foi inacreditavelmente ingênuo, no relacionamento com Lula. Acreditou quando Lula lhe disse que o PT poderia até apoiar a candidatura dele, Ciro. Acreditou tanto, que mudou seu endereço eleitoral para São Paulo.

Depois, acreditou de novo, quando Lula lançou Dilma e prometeu a Ciro que, se ela não decolasse, o candidato seria ele. Quando descobriu que tinha sido ludibriado, já era tarde, seu partido (PSB) já tinha feito acordo com Lula para apoiar Dilma e ele só podia disputar eleição em São Paulo. Mas ser candidato a quê na Paulicéia Desvairada?

Ficou fora da disputa presidencial e da política, como um todo. Com Ciro concorrendo, o quadro seria outro, os debates ganhariam entusiasmo e os votos no primeiro turno se dividiram pelas quatro candidaturas (Dilma, Serra, Marina e Ciro), trazendo muito mais emoção à campanha.

Mesmo enganado e humilhado por Lula, no segundo turno Ciro Gomes ainda aceitou ser um dos coordenadores da campanha final de Dilma, sem lembrar que no primeiro turno dera  declarações à imprensa defendendo a eleição de Serra, por ser “mais experiente do que a Dilma”. Uma dessas entrevistas não podia ser negada. Foi gravada e exibida pela Rede SBT.

Ciro Gomes era considerado um ministro certo, garantia-se que iria voltar ao Ministério da Integração Nacional para concluir a inacabável (e absolutamente necessária) transposição das águas do Rio São Francisco. Manifestou, sem sucesso, interesse pela pasta da Saúde, mas acabou ficando de fora. Depois, dizia-se que ele iria presidir o Banco do Nordeste, com sede em Fortaleza, mas não aconteceu nada.

Agora, Ciro se arrisca a passar quatro anos ao relento, pegando sol e chuva, até a eleição de 2014. Já deu entrevista dizendo que iria estudar Economia na Inglaterra. Não foi. Depois, o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), que por acaso é seu irmão, convidou-o formalmente para ocupar a presidência da ZPE (Zona de Processamento de Exportação) do Estado. Trata-se de uma empresa pública com capital misto que vai atuar no Complexo Industrial e Portuário do Pecém como uma espécie de zona alfandegária – com liberdade para negociar produtos para exportação com desoneração de impostos.

A ZPE será instalada em uma área de 4.271 hectares, no município de São Gonçalo do Amarante, a cerca de 60 km de Fortaleza. Esse tipo de empreendimento é usado como distrito industrial voltado para o mercado externo, onde as empresas operam com isenção de impostos e liberdade cambial. Acontece que a empresa ainda não existe, é tudo uma miragem.

Agora, surgem as notícias de que Ciro vai entrar no PDT para ser candidato a Presidência. Será? Mas Ciro só pode se filiar com a garantia de que terá legenda para disputar a Presidência. Quem pode lhe dar essa garantia? Ninguém. Além disso, o partido de Brizola é da base aliada, Ciro quer se colocar na oposição, não vai dar certo.

Surgem também notícias de que Ciro poderia um novo partido. Será? Dificilmente conseguirá, porque Kassab já carregou quase tudo mundo. Não há matéria-prima disponível no mercado para mais um partido que tenha estrutura e tempo na televisão para eleger um presidente.

E agora, o que Ciro vai fazer? Nem ele sabe.

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