Sem prévia e ampla divulgação (que não houve), multar e apreender veículo sem extintor de incêndio ABC é patifaria nacional

Jorge Béja

Por acaso o leitor leu o Diário Oficial da União, Seção 1, edição 215, de 11 de novembro de 2009? Seguramente, não. Ninguém leu. Foi quando saiu publicada a Resolução nº 333/2009 do Conselho Nacional de Trânsito. De texto curto, o artigo 2º, parágrafo 2º, dispôs, textualmente: “A partir de 1º de Janeiro de 2015, os veículos automotores só poderão circular equipados com extintores de incêndio com carga ABC“. E, por fim, “Esta resolução entra em vigor na data da sua publicação. Brasília, 11 de Novembro de 2009“.

Pronto. Nada mais era preciso. Basta publicar no Diário Oficial. Dar mais divulgação para que? Os donos de veículos é que se virem, que se danem. Daqui a 5 anos e pouco, quando chegar o 1º de janeiro de 2015, vamos multar, vamos apreender e aumentar a receita pública. Assim tramou o governo. E está dando certo. Desgraçadamente.

FALTOU A PRÉVIA E AMPLA DIVULGAÇÃO

O administrador público brasileiro tem e vê na população um adversário. Ele não administra sem seu prol, mas em seu desfavor. A ordem é impor medo. Vejam o símbolo do Imposto de Renda: até hoje um leão, rugindo, raivoso, querendo devorar a gente.

Quando veio a lei que tornou obrigatórios o cinto de segurança e a cadeirinha para crianças nos veículos, houve intensa e prévia campanha educativa de âmbito nacional. Também foi assim com a frustrada e imprecavida obrigatoriedade da caixa de primeiros socorros.

Agora, não. Tudo voltou a ser foi feito em silêncio, com a publicação desta referida resolução 333 do CNT no Diário Oficial da União, apenas para que o ato administrativo não fosse chancelado de inválido, por falta da publicidade formal. Porque da publicidade, da ampla divulgação, que o próprio Código de Trânsito Brasileiro impõe ao governo (artigos 72 a 79) ao tratar da política, do cidadão e da educação para o trânsito, aí o governo se calou. Calou quando era seu dever anunciar a novidade, com meses de antecedência. E intensificá-la, diariamente, nos últimos 15 dias de dezembro passado, por todos os meios de comunicação, através da publicidade governamental. Divulgar que a partir de 1º de janeiro de 2015 os extintores de incêndio dos veículos deverão ser ABC, sob pena de multa, perda de 5 pontos e apreensão do veículo.

VELHACARIA E PATIFARIA NACIONAIS

Desde quinta-feira passada, 1º de janeiro de 2015, milhões de proprietários de veículos não podem sair à rua com seus carros, porque não compraram o novo extintor ABC.Não foram avisados. Apenas o noticiário da TV Bandeirantes fez matéria jornalística sobre o assunto, o que não substitui a publicidade governamental obrigatória. E no país inteiro não existe um só lugar que o tenha à venda. A informação é que somente no final de janeiro os extintores novos voltarão a ser vendidos nos postos de gasolina e lojas de acessórios para veículos. Se o agente de fiscalização do trânsito surpreender uma pessoa com o extintor antigo, uma das penas é a retenção do veículo e sua remoção para o depósito público, de onde somente poderá ser retirado, após o cumprimento de muita burocracia, além do pagamento das diárias e da colocação do novo extintor.

Mas onde comprar o novo extintor, para liberar logo o veículo apreendido, se ele desapareceu do mercado? Espera-se que contra esta patifaria-velhacaria, o governo reconheça que não fez a sua parte, que era divulgar a mudança, e prorrogue, ainda hoje, por mais 3 meses o prazo para a troca do extintor. Ou que o Ministério Público, as Defensorias Públicas ou alguma associação que represente os proprietários de veículos ingressem na Justiça com a Ação Civil Pública, ou remédio jurídico similar, com pedido de liminar para suspender a exigência pelo prazo que a Justiça entender razoável. O que não se pode é ficar prisioneiro de um ato de império perverso, pela falta da ampla divulgação em todo o país.

47 thoughts on “Sem prévia e ampla divulgação (que não houve), multar e apreender veículo sem extintor de incêndio ABC é patifaria nacional

  1. Grato pelo ‘retorno’ e parabéns pelo artigo. As nossas ‘autoridades’ são assim mesmo, já mandaram a PRF fazer blitz para ver que está ‘ilegal’ ! Certa vez eu precisei procurar uma lei e fui consultar uma coleção, não me lembro o nome, que além de leis, publicava decretos, portarias, etc. Mesmo ela sendo editada com letras miúdas, a edição de 1999 tinha 14.400 e poucas páginas. É duro ser brasileiro.

    • Este livro, Virgilio, chama-se “Vade Mecum”. Seu autor foi o bravo e talentoso juiz Doutor Osny Duarte Pereira. ´Ninguém mais escreveu outro igual. Por ser comunista declarado, foi cassado pelo regime militar, quando ainda era juiz. Depois, com o restabelecimento da democracia, retornou ao TJ do RJ como desembargador e se aposentou. Dr. Osny faleceu. Morou muitos anos na Avenida Edison Passos, naquela casa branca de esquina com a antiga Estrada Velha da Tijuca, onde o bonde Alto da Boa Vista surgia para retornar à Edison Passos e subir até o Alto. Por fim, Dr. Osny foi morar perto da Lagoa Rodrigo de Freitas. Deixou muitas obras, jurídicas e principalmente sobre o ferro e petróleo. Grande brasileiro. Foi amigo de meu pai e vinha muito até aqui em casa.
      Jorge Béja

  2. Dr. Béja, não sei se o Sr. se lembra do ” Kit de Primeiros Socorros” que logo depois que todo mundo comprou, revogaram a lei, pois leigo não deve fazer primeiros socorros. Essa ‘maravilha’ tirou uma indústria de gaze, pertencente ao filho de um político da época, da falência…. Da mesma forma ocorre, muitas vezes, com a certificação obrigatória do INMETRO. Os grandes grupos fazem um lobby e o INMETRO pede a certificação obrigatória, tirando os pequenos do mercado. Para se ter uma ideia, sistemas de freios de autos não são certificados, mas os isqueiros a gás o são.

    • Sem contar tambem que em meados de 1995/96 criaram a obrigatoriedade do para-choque trazeiro dos caminhões, foi um Deus nos acuda, pois, alem da escasses de tempo só podia ser feito em oficinas credenciadas. Imaginem a frota brasileira de caminhões implantando ao mesmo tempo tais para-choques.

    • Dessa vez, o golpe foi ainda mais longe … acabaram com 2.880 empresas de recargas de extintores automotivos em todo Brasil, para beneficiar meia dúzia que agora não tem capacidade de atender o mercado brasileiro, sem contar que essa porcaria além de não apagar tambem o fogo em automóveis como reportagem da globo mostrou, contamina o solo e rios com o pó ABC, danificando o meio ambiente, pois não existe política de descartedesse material que é descartável, onde estão os orgãos competentes que fiscalizam (INMETRO, IPEM, SECRETARIA DO MEIO AMBIENTE, etc…) vergonhoso ser brasileiro.

  3. Dr. Béja, infelizmente, estamos em uma democradura, casamento da democracia com a ditadura, infelizmente os “gravatinhas de brasilia”, que são pagos, com ótimos salários, por nós, escorcvhados em 5 meses e 20 de nossos salários, não tem o menor “pudor de vilipendiar a Cidadania”, aí está mais, uma, desculpe o termo, é mais uma sacanagem em cima do cidadão idiota e babaca, que alimenta a HIDRA, chamada “governo”.
    Permita, assino embaixo de seu artigo, que é a indignação da CIDADANIA.
    Vamos ter que aturar por mais 4 anos a “incompetência”, e a corrupção, em suas diversas formas, essa é uma delas.
    Pergunta: a Industria está capaz de atender a demanda, pelo visto não, apesar, da falta de “comunicação do governo”, o mercado está desabastecido, é sacanagem pura contra o Cidadão.
    O governo, se for honesto, deveria ver se a indústria está capacitada para a demanda, fazer a divulgação, com prazo mínimo de 6 meses, para a troca, mas no governo quem se interessa em respeitar o Cidadão!?!!, ficam no velho ditado: “tenho o poder, mando, e faça,para não ser punido!. O personagem de Chico Aníso está atualíssimo: que o Zé e Maria Mané,EXPLODA!!!
    E ainda se dizem governo do trabalhador, imagine se não fosse!?!?!??

  4. Tenho escrito que o povo para os nossos governantes é vassalo. Existimos para obedecer e outorgar poderes, mais nada.
    A condição do povo brasileiro é humilhante perante os donos do poder. Abusos de autoridade são constantes em nossos noticiários, comprovando que somos tido considerados como um povo de segunda categoria, sem qualquer direito, a não ser deveres, principalmente de sustentar a classe dominante e manter seus privilégios.
    A longa lista de impostos municipais, estaduais e federais, que também mudam praticamente a cada dia, servem de exemplo para enaltecer este artigo do Dr.Béja, que nos coloca em patamares inferiores à importância que deveria ter a população deste País que, no entanto, tem sido espoliada e aviltada pelos poderes constitucionais, surpreendentemente.
    A questão do Código Nacional de Trânsito, especificamente, tornou-se uma verdadeira mina de ouro, que produz bilhões de reais diários em multas E SEM QUE SE SAIBA PARA ONDE VAI ESTA FORTUNA!
    Alguém já leu o montante arrecadado pelos municípios estados e União em multas de trânsito?!
    Veículos apreendidos?
    Guinchos?
    Multas pelo IPVA vencido?
    Multas por Carteiras Nacional de Habilitação vencidas?
    Ou quanto foi arrecadado em emissão de novos documentos?
    Ou quanto rende o IPVA para cada estado?
    SEGREDO DE ESTADO!!!
    Certamente os automóveis – razão pela qual tanta proteção e incentivo dos governos às montadoras – trazem mais dinheiro aos cofres públicos que o IR, considerando o montante de impostos que a venda do carro estabelece, a sua manutenção posterior, afora o combustível, pneus, pedágios … UMA FÁBULA EM ARRECADAÇÃO QUE NÃO SE SABE O DESTINO!!
    Ora, aplicar mais um golpe no povo é a conduta do PT por excelência, ainda mais que a cartilha socialista deve determinar que os donos de automóveis são ricos e poluem o ar, então que sejam multados avisados ou não das novas normas feitas na calada da noite.
    Ainda bem que este blog incomparável tem o Dr.Béja, que nos avisa e informa sobre esses expedientes deploráveis, armadilhas para coletarem mais dinheiro do bolso do contribuinte.
    Obrigado ao nosso Dr.Béja por este artigo importante e esclarecedor, informativo e procedente.
    Da minha parte, amanhã vou tomar providências com relação a este extintor e, caso não encontrá-lo no mercado, acredito que as empresas deverão me fornecer uma declaração que não o possuem em estoque, na eventualidade de eu ser flagrado em uma inspeção quanto a este acessório imprescindível ao veículo.
    Agora, vamos e venhamos, de fato estamos agindo como um povo sem união, sem coesão, pois teríamos motivo suficiente para ingressar em Juízo e cobrar do governo as devidas explicações sobre esta medida não ter sido devidamente divulgada ou, por acaso, eu estaria errado nesta disposição?
    Um abraço, Dr.Béja.

    • Bendl, repare que até o nome que deram ao Código é impróprio. O código revogado tinha nome correto: Código Nacional de Trânsito. Este outro ( Lei 9507 de 1997 ) que revogou aquele, recebeu o nome Código de Trânsito Brasileiro, como se o trânsito de automóveis e pessoas no Brasil não se dessem da mesma forma que em outros países. Correto teria sido manter o nome do código revogado ou, na pior das hipóteses, Código Brasileiro de Trânsito.
      Jorge Béja

  5. Dr. Béja.
    De tão importante a matéria publicada neste blog,solicito permissão para reproduzi-lo em minha página do Face e compartilhar com meus amigos e amigas.
    Cordialmente.
    Paulo Barão.

  6. Essa é a ditadura camuflada de democracia.
    Quando me preparava para viajar no final do ano me deparei com essa notícia na TV!
    Perplexo, como o Sr. Beja, e irritado, fui no dia seguinte comprar o tal extintor ABC, pois tinha absoluta certeza que ele esgotaria nas lojas. Dei sorte e consegui por R$ 58,00. Agora custa quanto a loja quiser cobrar. O antigo extintor BC custava R$ 10,00, na base troca.
    Quando fiz a vistoria em 2014 não seria obrigatório ser informado que no ano seguinte, 2015, o extintor teria que ser outro? Não é um procedimento óbvio e simples? Essa falta de informação não é suficiente para o “multado” entrar no Juizado Especial Cível e pleitear indenização do estado?
    Lei seca (quem dirige bêbado e mata nunca é preso), cadeirinha, vistoria, extintor, tudo é feito com o objetivo de faturar e extorquir, dependendo da ocasião… Nunca visa educar e proteger.

  7. É antiga essa artimanha. É como o kit emergência, com gaze, esparadrapo, mercúrio . milhões de automóveis, milhões de kits e milhões de extintores de incêndio. Pardais viraram fonte de arrecadação. E as vias de circulação esburacadas, mal sinalizadas, mal asfaltadas. Ninguém suporta mais o Brasil que só multa e não dá nada em troca. Sem contar o mal exemplo das autoridades e do Detran, um foco constante de corrupção e roubalheira .

  8. SEIS PROVAS DE QUE O MOTORISTA BRASILEIRO É UM OTÁRIO

    Fonte: Estadao.com.br

    Todo motorista brasileiro é um otário. Ou, ao menos, é feito o tempo todo de otário pelas autoridades do trânsito do País, segundo o especialista em trânsito Ronaldo de Breyne Salvagni, professor titular e coordenador do Centro de Engenharia Automotiva da Escola Politécnica da USP e conselheiro da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva. Confira abaixo cinco exemplos de fatos que comprovam a afirmação e a íntegra do artigo em que o especialista explica a sua opinião:

    QUANDO SOMOS FEITOS DE BOBOS

    01 – PREÇO DOS CARROS NO BRASIL
    O carro é sempre mais caro no Brasil do que em outros países. E os carros importados são enormemente taxados, e todos acham isso normal. O custo dos carros no Brasil é muito alto em comparação a outros mercados por conta de impostos, especialmente o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). O brasileiro paga por um Fiat Uno, em dólares, o que o valor que um europeu precisa para comprar um Honda Civic. “O IPI pode chegar até 33% do valor do veículo, dependendo da cilindrada. Quanto maior (a cilindrada), maior o percentual do imposto”, explicou o analista de produção, Fernando Trujillo.
    Outros impostos também fazem dos carros brasileiros muito mais caros quando comparados a modelos similares em outros países. O Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) pode chegar a até 30% do preço final de um automóvel, de acordo com a consultoria CSM. A diferença do peso dos tributos na aquisição de carros do Brasil em comparação com outros países não é nada desprezível. “Enquanto 30% do preço final de um veículo no Brasil são tributos, nos Estados Unidos este percentual é de 6%”, diz Takaki.
    A CSM fez um levantamento da diferença de preço entre veículos no Brasil e Europa e descobriu que o valor gasto para se comprar um Fiat Uno no Brasil (US$ 15,6 mil) equivale ao preço de um Honda Civic na Europa. O Civic custa US$ 15,6 mil, na Europa. O Fiat Panda, um modelo similar ao Uno brasileiro, custa US$ 11 mil.
    Enquanto com US$ 18,3 mil o brasileiro compra um Corsa, o europeu compra um Hyundai i30, que custa US$ 17,7 mil. O similar europeu do Corsa, o Opel Corsa, custa US$ 14,3 mil.
    Em uma faixa de veículos mais caros, a diferença não é menor. Enquanto um brasileiro paga US$ 28,6 mil por um Astra, o europeu, com o mesmo valor (US$ 28,3 mil) compra um BMW 3 Series. Para comprar um similar ao Astra, o Opel Astra, são necessários apenas US$ 21,3 mil na Europa.
    Enquanto um brasileiro paga US$ 32,4 mil por um Honda Civic, o europeu paga apenas US$ 15,6 mil pelo mesmo veículo. Com os mesmos US$ 32 mil, compra-se uma Mercedes-Benz C180K na Europa, com direto a troco: US$ 31,5 mil.
    Não bastasse impostos e deficiências estruturais do País, a diferença de juros cobrada entre um financiamento no Brasil e demais países faz com que a disparidade de valores dispare. “O juro é muito alto. A média cobrada no Brasil é de 25% (ao ano), enquanto na Alemanha são 4%, nos EUA 8% e no Japão 6%. Os bancos e financiadoras ganham muito dinheiro aqui”, afirmo Trujillo. Mesmo com a taxa de juros ao consumidor em 2010 sendo uma das mais baixas do País na história.
    Enquanto um Honda Fit financiado em uma concessionária brasileira custa US$ 37 mil, o mesmo veículo custa cerca de US$ 20 mil nos Estados Unidos. Na vizinha Argentina, o Fit financiado custa US$ 23 mil, conforme apurado pela CSM South America.

    02 – TROCA DE PLACAS
    Modelos das placas são trocados periodicamente. Entre 1941 e 1969 eram seis números. Depois mudou para duas letras e quatro números até 1990, e de lá até hoje são três letras e quatro números. Depois vieram as refletivas. E agora vem aí o modelo Mercosul, a ser instalado em todos os carros. Mas não será preciso pressa trocar as placas dos veículos atuais. As novas placas do padrão Mercosul serão obrigatórias a partir de janeiro de 2016 apenas para veículos novos, transferidos de município e com troca de categoria.

    03 – EXTINTOR OBRIGATÓRIO
    O extintor obrigatório só existe no Brasil. É desnecessário para pequenos focos de fogo (que podem ser apagados por abafamento), e insuficiente e inútil para incêndios maiores. Durante a carreata do presidente Lula, ainda antes da primeira eleição dele, um dos carros se envolveu em acidente e, com o motorista preso, começou a pegar fogo, devagarzinho. De nada adiantou a intervenção dos outros motoristas com os extintores dos outros carro para evitar o desfecho fatal…
    Nos países sérios a obrigação de combater incêndio é do Corpo de Bombeiros, que tem conhecimento e competência para isso, da mesma forma que o leigo não tem obrigação de prestar os primeiros socorros aos acidentados e, por isso mesmo, não é obrigado a ter material de primeiros socorros no seu veículo. NOS PAÍSES SÉRIOS, O MOTORISTA DEVE PRESERVAR A VIDA DELE E DOS PASSAGEIROS SE AFASTANDO DO CARRO QUE ESTÁ EM CHAMAS E NÃO SE EXPONDO PARA APAGAR O FOGO! Lá a vida vale mais do que o carro. E aqui todos já são obrigados a comprar um novo modelo de extintor.

    04 – REDUÇÃO DA VELOCIDADE
    Em São Paulo, a velocidade máxima atual de 90 km/h será reduzida por causa dos acidentes ocorridos nas madrugadas devido aos rachas. Mas essas disputas são em altíssima velocidade, pois só o retardado faria racha na velocidade de placa! Vai haver, isso sim, mais multas, e mais arrecadação. Em Brasília é comum o motorista ser multado a 50km/h quando dirige em pista de 80km/h, pois em pontos estratégicos foram colocados radares com a velocidade obrigatória de 40km/h.

    05 – KIT DE PRIMEIROS SOCORROS
    Lembra do kit de primeiros socorros, que todo carro foi obrigado a ter há alguns anos? Não era necessário para ferimentos leves e era inútil para os mais graves. Não durou muito tempo, pois, assim como os extintores de incêndio, quem tem a obrigação e conhecimento para usá-los não era o motorista.

    06 – SELO PEDÁGIO
    Era fixado no lado interno do pára-brisa para identificar que o veículo tinha estava em dia com os impostos e com o IPVA.

    (OU OS BRASILEIROS SÃO UNS OTÁRIOS OU SÃO GOVERNADOS POR LADRÕES)

    “Alguém lembra do “kit de primeiros socorros”, que todo carro foi obrigado a ter há alguns anos? Foi uma festa de lucros para os seus fabricantes, mas a coisa era tão escandalosamente inútil (não era necessário para pequenos ferimentos, e era inútil para qualquer ferimento maior) que o bom senso prevaleceu e a lei não durou muito tempo.
    Entretanto, um outro “conto do vigário”, tão inútil e tão lucrativo para os respectivos fabricantes como aquele “kit”, permanece vivo: o do “extintor de incêndio veicular”. Trata-se de mais uma “jabuticaba” – só existe no Brasil. Nenhum outro país exige esse acessório, por razões óbvias: é desnecessário para pequenos focos de fogo (que podem ser apagados por simples abafamento), e insuficiente e inútil para incêndios maiores.
    Essa inutilidade já foi declarada por entidades técnicas no Brasil, mas ninguém levou isso em conta. Note-se que o extintor é até mais lucrativo que aquele “kit de primeiros socorros”, pois exige manutenção e trocas periódicas, regiamente cobradas, o que não acontecia com o “kit”. Agora, com desfaçatez impressionante, anuncia-se mais um passo na exploração do motorista: a obrigatoriedade de trocar todos os extintores antigos (e pagar caro) por um “novo modelo” a partir de 2015.

    É verdade que quem compra carro no Brasil já é visto como otário por estrangeiros: paga-se, em muitas prestações, cerca de duas vezes mais do que o preço do mesmo modelo em outros países, notadamente nos Estados Unidos ou na Europa. Para proteger esse esquema, os carros importados são enormemente taxados, e todos acham isso normal.
    Mas a exploração do motorista brasileiro não fica só nisto, nem é de agora. Alguém lembra da “plaqueta”, uma plaquinha de metal com o ano corrente que era rebitada sobra a placa traseira do veículo, e que precisava ser trocada todo ano no licenciamento, sendo também (obviamente) cobrada? Essa plaqueta não existe mais, porém outros esquemas tão ou mais lucrativos continuam aparecendo.
    Periodicamente, os modelos das placas são trocados, obrigatoriamente. Entre 1941 e 1969 eram seis números, passou para duas letras e quatro números entre 1969 e 1990, e de lá até hoje são três letras e quatro números. Todos os proprietários tiveram que trocar as placas dos seus veículos nessas ocasiões, e pagar por isso. Depois vieram as “placas refletivas”, mais caras. O próximo passo na exploração do motorista brasileiro já foi dado: os jornais informam que todos terão que adotar o “modelo Mercosul” a partir de 2016. Os fabricantes de placas já estão felicíssimos, comemorando mais esta conquista.

    É impressionante a criatividade para encontrar novas formas de “bullying” a serem aplicadas aos motoristas. Em São Paulo, noticiou-se que a velocidade máxima atual de 90 km/h será reduzida “por causa dos acidentes ocorridos nas madrugadas devido a “rachas””. Ora, esses acidentes (em rachas!) já não ocorreram em velocidades muito superiores ao limite de 90 km/h? De que vai adiantar reduzir esse limite? O fato é que, com os modernos radares atuais, é fácil flagrar qualquer veículo em velocidade superior à permitida, e baixar o limite (especialmente nas marginais de São Paulo) vai aumentar significativamente a arrecadação de multas sem maiores esforços nem investimentos. Mais uma maneira de arrancar dinheiro do motorista.
    Na mesma linha, noticiou-se que os limites de velocidade nas vias centrais de São Paulo (normalmente congestionadas) também serão reduzidos, para “proteger aqueles mais vulneráveis no trânsito, como pedestres e ciclistas”. O mais impressionante é que os argumentos são apresentados sem nenhuma fundamentação técnica, não é mostrada nenhuma evidência estatística da correlação entre os acidentes alegados e a velocidade dos veículos. Vai haver, isso sim, mais multas, e mais arrecadação.

    O estereótipo do “brasileiro cordial” é verdadeiro, em parte devido ao desconhecimento dos seus direitos e do respeito que lhe é devido como cidadão – desta forma, ele fica vulnerável aos “espertos” e às “autoridades” em geral, que se aproveitam disso. A exploração do motorista brasileiro é apenas a ponta do “iceberg”.
    Como disse Cícero, e poderíamos parafrasear agora: “Quousque tandem abutere, Catilina, patientia nostra?”

    Ronaldo de Breyne Salvagni – Professor Titular e Coordenador do Centro de Engenharia Automotiva da Escola Politécnica da USP e conselheiro da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva

  9. PS: me desculpem pelo texto comprido.
    Achei que se suprimisse partes ficaria descaracterizado.

    Caro Béja.
    Ótimo assunto, principalmente vindo de um jurista.

  10. Senhores, o único direito que temos é “espernear”, onde estão os de puta dos e sena dores desse congresso corrupto, com toda certeza não defendem à Cidadania, a prova está ai, nesta questão veiculo/cidadão, o dito cujo, é roubado sempre.
    Pergunta que não quer calar: Quando seremos Cidadãos de 1ª, respeitados, dou minha resposta: com essa urna fraudavel, presidente do tse, reprovado 2 vezes.voto obrigatório, esse tipo de eleitor que vende o voto à corrupção, que vota em ladrão, N U N C A.
    SOMOS DO 5º MUNDO, É SÓ OLHAR, E VER A PODRIDÃO NOS 3 PODERES, QUE SUSTENTAMOS COM NOSSA OMISSÃO NO USO DA CIDADANIA!!!

  11. O Ministro das Cidades lê nosso blog. No último parágrafo do artigo foi pedido, implorado mesmo, que a exigência da obrigatoriedade deste extintor de incêndio ABC para os veículos automotores fosse prorrogada por mais 3 meses. No final do dia de ontem o Ministro das Cidades prorrogou o prazo por mais 90 dias, mesmo depois que o Denatran confirmou que a exigência não seria prorrogada e a fiscalização mantida, conforme notícia que nos enviou, lá do Rio Grande do Sul, nosso leitor e articulista Francisco Bendl, indicando o jornal Zero Hora. Parabéns, tribunadainternet. Parabéns, Jornalista Carlos Newton. E vaias, muitas vaias para a chamada “grande imprensa” que, com exceção da Tv e Rádio do grupo Bandeirantes, se manteve calada e, com isso, não tomou posição em favor dos proprietários de veículos.
    Jorge Béja

      • Prezado Lionço, já entrei em contato com dona Rita de Almeida, prima-irmã do magnífico pianisa José Feghali, que encantou o mundo e projetou o Brasil. O nosso editor, Carlos Newton, já me havia feito a observação do chamado de dona Rita.
        Gratíssimo, a ambos.
        Jorge Béja

    • Parabéns a você, Dr. Jorge Béja, que ocupa o lugar do Dr. Sobral Pinto na defesa dos interesses públicos, coletivos e individuais. Como sempre afirmei aqui, para a Tribuna da Internet é uma honra contar com um articulista do seu porte.

      Do amigo e admirador
      Carlos Newton

      • Carlos Newton, Carlos Newton, Sobral Pinto foi e será sempre incomparável. Nos corredores do fórum, quando o Dr. Sobral Pinto passava e eu estava sentado num daqueles bancos de madeira, duros, pequenos, sem encosto, eu me levantava e me curvava. Ele via, registrava, acenava com mão como quem quer dizer “senta, senta”, e ía em frente. Mas que foi no Dr. Sobral Pinto que me inspirei, logo no início da advocacia, em 1971, isso foi mesmo.

        Esse caso dos extintores ABC (multa, perda de pontos e apreensão do veículo), objeto do artigo, serviu para mostrar a força, a difusão, a importância e penetração do blog que você, Carlos Newton, magistralmente administra. Foi a primeira medida do novo Ministro das Cidades, Gilberto Kassab, após sua posse. A decisão de prorrogar a obrigatoriedade por mais 90 dias foi tomada à noite. Pelo menos após o término (20:15h) da edição do Jornal da Band, excepcionalmente ancorado ontem pelo Boris Cassoy, que não deu a importante notícia, em razão da assessoria de imprensa do ministro não tê-la divulgado até o final da edição do referido noticioso. Caso contrário, é óbvio que o Jornal da Band daria a notícia.

        Ou Kassab, ele próprio, leu o blog de Carlos Newton, ou algum assessor leu e pediu que o ministro lesse. Sim, porque não é coincidência que o artigo tenha pedido que “ontem mesmo o governo prorrogasse a obrigatoriedade do novo extintor por mais 3 meses” para, no mesmo dia, à noite, o ministro tenha assinado ato no exato sentido da prorrogação pedida e pelo mesmo prazo sugerido. É muito bom escrever para a tribunadainternet.
        Jorge Béja

  12. Bela vitória da Tribuna da Internet!
    E, graças também, ao articulista Dr.Béja, cujo artigo provocou as autoridades competentes que voltassem atrás em suas medidas de implantação deste novo extintor e sem prazos maiores à sua colocação nos automóveis.
    Eis o resultado de um blog que se preocupa com as questões nacionais e na defesa do povo permenentemente espoliado:
    O governo se dar conta do seu erro e corrigi-lo.
    ESTAMOS TODOS DE PARABÉNS!

  13. O país mais rico do mundo é o Brasil, até mais q os EUA, Japão e Alemanha. Por que? Roubado como vem sendo, especialmente nas últimas décadas, e até agora não quebrou, tem q ser muito rico mesmo.

  14. P U T I F A R I A DO PT UM AGENTE DA ARTESP COMENTOU COMIGO QUE ESTÁ MULTANDO VEÍCULOS SEM O EXTINTOR ABC PORQUE NÃO RECEBEU UMA CONTRA ORDEM PARA DEIXAR DE MULTAR POR 90 DIAS COMO FOI DIVULGADO PELA MÍDIA. MAIS UM ABSURDO, NÉ? ENTÃO NÃO SEI SE VIAJO OU NÃO, POIS NÃO EXISTE ABC PARA COMPRAR. POR OUTRO LADO, O NOVO EXTINTOR PROTEGE O CONDUTOR OU O VEÍCULO? QUAIS AS CONSEQUÊNCIAS DA INALAÇÃO DOS PRODUTOS QUÍMICOS TÓXICOS QUE COMPÕE O CONTEÚDO DO EXTINTOR? AS AUTORIDADES ELEITAS PELO POVO DEVERIAM SE PREOCUPAR MENOS COM EXTINTORES E MAIS COM A CORRUPÇÃO QUE GRASSA NO NOSSO, EU DISSE NOSSO PAÍS. TAIS COMO: PETROBRAS, INSS, FORNECEDORAS DE ENERGIA ELÉTRICA, METRO, TRENS DA CPTM, ETC ETC.

  15. ANTES DE QUALQUER COMENTÁRIO, VALE LEMBRAR QUE TENHO CERTA CULPA POR NÃO TER MA ATUALIZADO NA ÉPOCA EM QUE FOI DECRETADA A LEI DO EXTINTOR ABC AUTOMOTIVO E TER COMPRADO A PREÇO REAL DE CUSTO.
    ENFIM, ESTOU SOFRENDO POR FALTA DE INFORMAÇÃO E DESLEIXO.
    MAS, O QUE QUERO REGISTRAR, É QUE A “ZENTOS” ANOS DESDE QUE INVENTARAM O AUTOMOVEL, NUNCA EXISTIU EXTINTOR abc, ccc, bbb ENFIM, NÓS SOMO CULPADOS, SE NINGUÉM COMPRASSE, AONDE ELES IRIAM ENFIAR OS AUTOS APREENDIDOS???? ESTÃO ESTIMULANDO ROUBOS VEICULARES, DEVIDO A ESPECULAÇÃO DO PREÇO DE MERCADO E ETC…VAMOS LÁ POVÃO, ACORDA….

    ABRAÇO DR. BÉJA.

  16. Aos caros amigos leitores, tenho que comentar sobre esse assunto que abala á todos nós,
    não sei se é conhecimento de todos pois existe cerca de 6 empresas que produzem esse produzem esse tipo de extitores e apenas duas (2) empresas são as maiores produtoras de Extintores Automotivos ABC, sendo uma a Kidde (multinacional) e a outra Resil . Sendo elas as principais fornecedoras de extintores para as montadoras de automóveis do Brasil.
    Vendo que assim elas garantem o mercado tanto no varejo quanto no atacado, tornando as únicas no mercado. Assim constata- se que é um Cártel, e eles vão praticar os preços que acharem de melhor rendimento a eles.

  17. Se o Brasil tivesse algum parlamentar preocupado com o povo, faria com que essa lei não fosse obrigatória quanto ao uso do extintor veicular , como é em alguns países de primeiro mundo , esse parlamentar ficaria na história por ter destruído um cartel , cartel esse que está aproveitando , pois está segurando os extintores para serem vendidos a altos preços , no ano passado antes da divulgação o custo do extintor não passava de R$60,00 e agora além de não encontrar , quando se encontra passa da casa dos R$140,00 , e em algumas revendedoras elas próprias tiveram que devolver a mercadoria pois o valor veio super faturado , fica a minha indignação .

    Abraço Dr. Béja

  18. Pingback: O ABC | Blog do Giulio Sanmartini (1944/2013) ....................................Para bom entendedor, meia palavra basta!

  19. São Paulo, 14 de fevereiro de 2.015, 21:01 hs.

    Prezados leitores(as); da matéria acima, amplamente divulgada;

    Todos nos, não podemos nos esquecer-mos que primeiramente, não somos “BOMBEIROS”; não temos curso para tal e tão menos vocação, pois os que já são, estão baseados e operando na área.

    Bem se não somos da respectiva área acima o que sobra?

    Resposta: DANOS MATERIAIS E MORAIS, como acidentes gravíssimos, queimaduras devido a exposição ao fogo, por não pertencermos a dita área: “BOMBEIRO”.

    Vejam, já nos países de primeiro mundo a coisa é diferente; lá é proibido o seu uso, por não pertencermos a dita área; BOMBEIRO.

    Lá o ente é o responsável e tem de existir bases, que possa chegar não somente o BOMBEIROS, mas os PARAMÉDICOS, juntos, e tem de ser em menos de 5 (cinco) minutos, se não o Administrador o ente público responde, e é preso.

    Mas aqui não, vejam o que ocorre quando um motor de um auto esta em chamas, ao se abrir o cofre do motor ao levantar a tampa entra uma grande quantidade de AR (O MESMO QUE DIZER OXIGÊNIO), dai bum explode na sua face, digo no seu peito, no seu corpo e ai…..

    Dai depois de todo queimado, iremos reclamar para quem, uma Ação de Danos Materiais e Morais, contra o Estado, depois de 45 anos vai virar um título chamado PRECATÓRIO, e dali mais ou menos 20 a 30 anos, receberemos o tal do dinheiro, com a inflação de volta, mal da para compra a chave da casa e ai….

    Então Povo Brasileiro, está na hora de acordarmos imos para as ruas bater panelas fazer valer nossa voz que entre nos estamos silenciosos de mais.

    ABS, a todos boa noite,

    Adm. Dr. Sérgio S. Antunes

  20. O brasileiro e culpado tudo que vivemos e culpa nossa .O povo não sabe votar não procura conhecimento para melhorar
    sua maneira de ver o mundo ai da no que da o pais do fank ostentação do carnaval e do futebol tudo isso para tirar o foco de um pais miserável >
    O brasil e o pais da corrupção isso sim e isso não vai mudar nunca , estamos caindo em um buraco chamado miséria
    e o povo brasileiro vai ter 2 opções no futuro ou se mantem no estado cada vez mais decadente deste pais ou se revolta e muda todo sistema que temos agora .
    So para lembrar na historia da revolução francesa o brasil esta indo para o mesmo caminho.
    Vergonha de ser brasileiro

  21. po meu amigo faça uma materia sobre o gnv pois todo ano tem novidade .. agora foi o suporte do gas que tivemos que trocar com urgencia pois se nao trocasse eu ficaria impedido de realizar a vistoria do gnv e nem a do detran ….obs o novo suporte custa 300 reais e tem que ser omlogado nao avisaram nada foi no grito uma putaria ……..um abraço aloisio

  22. Hoje ao trocar o extintor de incêndio do meu carro, tomei conhecimento da não obrigatoriedade. A experiência que tive ao longo de alguns anos foi uma sensação da ação da indústria de multa usando o extintor. Certa vez fui multado. Foi um mal que virou bem. Passei a agendar a troca. E as circunstâncias e fatos me provaram a malandragem da indústria. Por 2 vezes fui parado pela polícia e conferiram apenas a validade do extintor, mas eu já estava vacinado. A maioria não se vacina. O brasileiro é desorganizado. Este nichozinho da indústria da multa em cima do extintor deve ter rendido uma boa grana…:)

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