Sem vacinas e sem seringas, o governo lança bordão da incompetência e da desfaçatez

Lançamento do Plano Nacional de Operacionalização da vacina contra a Covid-19 – Foto: Ministério da Saúde

Bolsonaro e seu ministro da Saúde não usam máscaras

Vicente Limongi Netto

O governo anuncia o bordão “Brasil imunizado”. Descarada pantomima bolsonarista. Na realidade, sem vacinas e sem seringas, o país dispõe de outros irretocáveis bordões: Brasil ultrajado, vilipendiado, atrasado, humilhado, castigado, rasgado, destrambelhado, desfigurado, desrespeitado, desatinado, desgraçado, achincalhado, desacreditado, desgovernado, desativado, desonrado, desarticulado e envergonhado.

É de pasmar. Não é piada nem notícia falsa. O governo do incompetente, inconsequente e calamitoso Bolsonaro anuncia que só conseguiu comprar inacreditáveis 2,8% de seringas e agulhas, para começar a vacinar milhões de brasileiros.

VEJAM O QUE ESCREVI – Nessa linha, recordo trecho do que escrevi dia 23, aqui, na “Tribuna da Internet”, saudando a chegada da vacina: “Não esqueça de trazer milhões de seringas. Você conhece a má fama do Brasil. Deixamos tudo para a última hora. A improvisação e o amadorismo estão em todas as partes. Sobretudo nos gabinetes dos graduados burocratas”.

Também escrevi a seguinte nota, em dezembro de 2019, e não mudo uma vírgula: “Discordo do colunista Ancelmo Gois (01/12) quando disse, tratando de cinema, que o então presidente Collor “praticamente acabou com a produção nacional”. Na verdade, Collor acabou com a Embrafilme, antro de picaretas, mesquinhos e gulosos patrulheiros, manjados cineastas e produtores interessados apenas em forrar o próprio bolso”.

E recentemente, escrevi o seguinte: “O técnico português Ricardo Sá Pinto foi demitido do Vasco porque deu mole. Prometeu que os atletas jogariam sempre duros contra os adversários, mas fracassou”.

FELIZ 2021, MAS… – Rogo para que 2021 traga mais realizações e menos desilusões. Mais amor, menos desamor. Mais ternura, menos amargura. Mais paixão, menos compaixão. Mais alegria, menos tristeza. Mais tolerância, menos impaciência. Mais solidariedade, menos rancor. Mais empatia, menos antipatia. Mais educação, menos estupidez. Mais vacinas, menos politicalha e torpeza. Mais abraços, menos despedidas. Mais compreensão, menos arrogância. Mais fé, menos pessimismo. Mais emprego, menos fome e miséria. Mais diálogo, menos deboche. Mais atitude, menos acomodação

No entanto, com o terrível aumento do desemprego e devido ao fim do auxílio emergencial, antevejo, com tristeza, que muitos brasileiros precisarão roubar mercados ou recorrer a latas de lixo, em busca de alimentos, como os norte-americanos na Grande Depressão do século passado. Um Ano Novo nada venturoso.

9 thoughts on “Sem vacinas e sem seringas, o governo lança bordão da incompetência e da desfaçatez

  1. JB como presidente e desde o início da pandemia já afirmou por diversas vezes que: 1 – A pandemia é apenas uma gripezinha. 2- Temos a Cloroquina como medicamento.
    E ninguém vai tirar isso da cabeça dura dele.
    Resta aos governadores e prefeitos comprarem as seringas e vacina.
    Não tem outra solução.

  2. Essa passagem de ano, Vicente Limonge foi a menos promissora de toda a minha longa vida.
    Compartilho da decepção com o Brasil atual. Qual foi o gatilho disparado para o povo embarcar nessa canoa furada elegendo essa turma em 2018? É preciso mergulhar nessas razões.
    Seria simplório demais botar a culpa na corrupção, pois ela persiste firme e altaneira desde o início da República. Então, o que aconteceu nas urnas? Será que foi fraude?
    Porque o presidente insiste tanto no voto impresso? Será que sabe de algo? Muitos sabem, o que ocorreu no verão passado?
    O povo avalizou esse circo diário, essa palhaçada, esse clima de confronto permanente, essa enxurrada de fakenews?
    O que dizer desses quase 200 mil de brasileiros mortos, abandonados pelas autoridades, tomando remédios para vermes e cloroquina, pensando que estariam imunizados.
    Desmatamento, destruição de biomas, reformas draconianas, sempre contra o trabalhador, abandono da Educação pública e da Saúde, uma troca troca de ministros nessas duas vitais áreas.
    Na Educação, um pior do que o outro na equivalência da mediocridade.
    Na Saúde, o eficiente Mandetta foi demitido e colocado um incompetente general, que diziam expert em logística, pois bem, nem para comprar vacinas e seringas prestou.
    Sinceramente, tudo isso é apavorante.

  3. Ministro da Defesa também não usa máscara. Mostra a foto. timeco está unido no deboche Newton impecável mestre nos títulos. Valem por 10 laudas de textos. Grato pela considerações isentas e competentes, Roberto, mas , lembro que meu Limongi é com I no final. Também abraços para Antõnio Rocha, Famigerado e Ronaldo. Saúde, luz e vacinas para todos.

  4. Carlos, ele não usava máscara antes, durante e depois. Dizia que quem usava era mariquinha ( adora diminutivo) e que pelo histórico de atleta se pegasse, como pegou, não passaria de uma gripizinha.
    Trata-se de um comportamento, que desconsidera o sofrimento alheio. Não interessa para ele, quem morreu, quem foi infectado, quem sofreu e ficou desempregado.
    Muito triste.

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