Sem vencer EM SP ou Minas ninguém se elege presidente

Pedro do Coutto

O presidente Lula – segundo matéria de Soraya Agege e Gerson Camaroti, O Globo de 22/07- resolveu fazer uma segunda investida sobre o PT de São Paulo para que a regional apóie a candidatura de Ciro Gomes ao governo do Estado em 2010, plano fundamental para sustentar a candidatura da ministra Dilma Roussef. Se é a segunda investida, claro, é porque a primeira não deu certo. Certamente Luis Inácio encontrou resistências. Inclusive naturais porque a indicação do deputado pelo Ceará, que ainda dependeria de a transferência de sem domicílio ser aceita pela Justiça Eleitoral, significa a superação dos quadros paulistas do partido. Sinal de que o presidente da República não sintoniza com o nome do senador Eduardo Suplicy, embora tenha sido reeleito em 2006, e não considera viável a candidatura do deputado Antonio Palocci. Sem dúvida. Caso contrário não recorreria a Ciro.

Mas o problema não é só este. É que Ciro Gomes, na semana passada, anunciou seu apoio ao governador Aécio neves se este for lançado candidato pelo PSDB. O que está se colocando, uma vez que o governador José Serra, não se sabe ainda ao certo por quais motivos, está fornecendo sinais de que vai recuar de um novo vôo na direção do Planalto. Prefere disputar a reeleição. Um enigma. Outro será o ex ministro da Fazenda de Itamar Franco aceitar ou não a aliança com o PT. O futuro próximo decidirá estas questões.

Mas o essencial é a preocupação de Lula. Tem motivos para isso. Ele parte da constatação de que candidato algum à presidência pode alcançar êxito se não vencer  em São Paulo, ou em Minas Gerais, ou então – dizendo o óbvio – nas duas unidades da Federação. Ele está certo. Há vinte anos atrás, exatamente, em almoço com o meu saudoso amigo Paulo Montenegro, pai de Carlos Augusto, presidente do Ibope, examinávamos a candidatura de Leonel Brizola. As pesquisas apontavam sua extrema fraqueza tanto em São Paulo quanto em Minas Gerais. Estava forte no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul. Mas em São Paulo registrava apenas 1,5% das intenções de voto. Em Minas, 5%, Lembramos então as eleições de 45 até aquela época.

Eurico Dutra venceu tanto em São Paulo quanto em Minas. O mesmo ocorreu com Getúlio Vargas. Em 55, JK perdeu em São Paulo, mas venceu disparado em Minas Gerais. Em 60, Jânio Quadros venceu nos dois Estados. Em 89, o mesmo fenômeno marcou a vitória de Fernando Collor. Brizola, por um ponto, perdeu a segunda colocação para Lula no primeiro turno 16 a 15%. Em 94 e 98, Fernando Henrique foi vitorioso nas duas unidades. Em 2002, Lula venceu em Minas, 50% dos votos com apoio total de Itamar Franco, compensando o êxito de Serra em São Paulo. Finalmente em 2006, Lula perdeu para Geraldo Alckmim em São Paulo, mas foi vitorioso em Minas. Perdeu também no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Mas ao lado de Sergio Cabral venceu por larga maioria no RJ. No Nordeste disparou. Porém o que importa assinalar estatisticamente é que o esquema focalizado por mim e Paulo Montenegro até hoje não foi rompido.

Agora, se o candidato das oposições, o que inclui o PPS de Itamar Franco, for Aécio Neves aumenta a dificuldade para Dilma Roussef. Porque Aécio arrebata o eleitorado mineiro e, com o apoio de Serra, deve vencer também em São Paulo. Inclusive porque é um candidato que cresce na campanha, tem a seu lado uma simpatia inegável. Embora esteja atrás de Serra nas pesquisas do Datafolha, Ibope, Sensus, é um candidato com potencial maior. Por este motivo é que Lula faz nova investida para ter Ciro a seu lado e ao lado do PT. O quadro da sucessão de 2010 mudou há poucas semanas.No momento o panorama visto da ponte é este.

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