Senadores preparam “limpeza” no relatório final da CPI, divulgado por Renan Calheiros

Tasso Jereissati se coloca como opção do PSDB para a Presidência em 2022 |  VEJA

Tasso Jereissati convidou o G7 para discutir o relatório final

Malu Gaspar e Mariana Carneiro
O Globo

Insatisfeitos com o vazamento antecipado à imprensa do relatório de Renan Calheiros para a CPI da Covid, senadores do chamado G-7 estão fazendo uma “limpeza” no texto em reunião nesta noite na casa de Tasso Jereissati (PSDB-CE). Quase todos os membros do grupo tem divergências com algum trecho do documento, que teve parte das mais de 1.110 páginas divulgada no final de semana.

O relator, Renan Calheiros, deixou claro que vai ceder caso não haja unanimidade em torno dos três pontos mais polêmicos. “O relatório indicia 72 pessoas e utiliza 26 tipos penais, e tem três diferenças: genocidio de indígenas, inclusão dos filhos do Bolsonaro e nem lembro o outro”, explicou Renan. “A maioria é que decidirá o que fazer”, disse Renan.

EXAGERO CONCEITUAL – Tudo indica, portanto, que devem ser alterados no texto a quantidade e na tipificação dos crimes atribuídos a Jair Bolsonaro – são 11 – entre os quais o genocídio de indígenas. Parte do grupo acha que, embora esteja caracterizado crime de responsabilidade, não haveria provas suficientes para acusar o presidente da República de trabalhar para, deliberadamente, eliminar uma etnia disseminando o coronavírus por imunidade de rebanho.

Os membros do G7 também discordam da inclusão dos filhos do presidente na lista de indiciados, mais notadamente o senador Flávio Bolsonaro. O filho 01 é acusado de advocacia administrativa por levar o dono da Precisa Medicamentos, Francisco Maximiano, para uma reunião com a diretoria no BNDES ano passado. Há dúvidas também sobre a possibilidade de  atribuir a Bolsonaro o crime de homicídio qualificado.

Preocupado em garantir a aprovação do relatório, Renan Calheiros passou a tarde e a noite de ontem em conversas que entraram a madrugada com membros do G-7. Todos receberam o calhamaço para analisar e ficaram de voltar a se reunir na casa de Tasso.

COBRANÇAS – Quando os trechos começaram a ser expostos em matérias jornalísticas, os integrantes do grupo majoritário na CPI passaram a cobrar Renan Calheiros no grupo de WhatsApp da CPI, acusando o relator de não cumprir o acordo com eles.

Segundo os colegas de CPI, o relator não apenas fechou o texto sem consultar os demais como vazou a minuta para a imprensa. Nem Eduardo Braga (MDB-AM), que é líder do partido e no início da CPI abriu mão da relatoria em favor de Renan, teve acesso antecipado ao texto.

Em sua defesa, Renan tem dito que não houve vazamento porque o documento não era sigiloso. “Não há sigilo, é o que eu penso, defendo e defenderei, portanto, eu poderia anunciar, até porque tudo que ele contém eu defendi publicamente”, afirmou o senador à equipe da coluna.

RELATÓRIO PARALELO – Suas justificativas, porém, ainda não convenceram a todos, especialmente o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), que rebateu Renan publicamente. Ontem e hoje, os membros mais indignados do G7 passaram a sugerir nos bastidores que, se Renan não cedesse, proporiam trocar seu relatório pelo de Alessandro Vieira (Cidadania-SE). No texto, mais enxuto, Vieira atribui a Bolsonaro sete crimes e não cita os filhos do presidente.

Além de Braga, Aziz e Vieira, Jereissati, Otto Alencar (PSD-BA) e Simone Tebet (MDB-MS) também têm restrições a trechos do relatório. Braga chegou inclusive a dizer a Renan que, se ele não concordasse em retirar alguns trechos – ele está especialmente contrariado com a acusação de genocídio contra os indígenas – poderia levar a questão à sessão pública de votação do relatório, quando seria discutida inclusive pelos governistas da CPI.

Percebendo que alimentar a divergência poderia lhe custar ainda mais caro, Renan se comprometeu a acatar todas as sugestões de corte feitas pelo grupo de colegas de oposição e independentes a Bolsonaro nesta noite. A previsão é a de que o documento final seja lido nesta quarta-feira. A votação deve ocorrer na próxima semana.

4 thoughts on “Senadores preparam “limpeza” no relatório final da CPI, divulgado por Renan Calheiros

  1. Essa CPI é coisa do tipo Comissão da Verdade, vai apurar o que convém já que começou com objetivo fixo, promover a derrubada do presidente.
    Esse Renan tem a cara mais dura que a perna de um frade de pedra vai criar jurisprudência a nível mundial onde todos os mandatários de todos os países do mundo serão investigados por genocídio.
    A sanha acusatória tem até um lado cômico, já criaram até um “genocídio em massa” que veio redundar no meu riso sarcástico.
    Os assanhados por degola, os arautos do acusacionismo estão mais exacerbados que os puritanos que redigiram o ” Auto de Excomunhão contra Baruch Spinoza.”
    Em uma observação numa sessão de CPI notei que vários atos de indignação do Renan, ele estava com o olho rútilo, injetado, fitando um depoente que falava o que ele não queria ouvir. Isso confirma minha tese onde o olho do pirata só enxerga a pilhagem e por conveniência se procura por cadáver de afogado, rio acima.

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