Será que o analista do Credit Suisse também será demitido?

Mário Assis

Antes da eleição, uma análise da economia brasileira feita pelo Banco Santander ocasionou protestos do governo e acabou provocando a demissão da economista responsável pelo texto.  Agora, surge análise semelhante, feita por um especialista do banco Credit Suisse. Será que novamente haverá demissão?

ANÁLISE DO CREDIT SUISSE

Achamos que a situação da economia brasileira é bem mais frágil do que aquela sugerida hoje pelos preços dos ativos. Passamos praticamente todo o ano de 2014 comprando “seguros” para a piora expressiva da economia brasileira e a consequente queda no preço de seus ativos financeiros.

Nossas previsões sobre a eleição e o desempenho econômico/seus indicadores estavam corretas. No entanto, a compra dos “seguros” parece ter sido efetuada com muita antecedência, e o taxímetro corre impiedosa e mensalmente contra a cota do Fundo.

Os motivos pelos quais tais “seguros” não estão sendo “acionados” são os seguintes: o cenário internacional e a extrema complacência dos investidores, especialmente os estrangeiros, com o Brasil.

Os juros de médio prazo (em torno de 12% ao ano) que o Brasil paga – comparados aos juros globais zero ou próximos a isso – somados a uma enorme liquidez em busca de retornos financeiros são as principais razões para a atração de capital. Isto produz um efeito no qual o investidor, por querer estar aqui, tende a enxergar apenas o lado positivo de nossa economia e a acreditar que existem soluções viáveis e relativamente simples para solucionar os graves problemas domésticos.

É um pensamento esperançoso inacreditável. A reação é a de que, independentemente de quem esteja no comando do País – Marina, Aécio ou Dilma, com um capital humano na Fazenda melhor –, os problemas são facilmente contornáveis; e, portanto, não apenas o investidor não tira o dinheiro do Brasil, como também passa a investir ainda mais.

Nosso entendimento tem sido diametralmente oposto: independentemente de quem seja, consertar a economia é uma tarefa inglória e depende de um norte muito mais do que de um ministro. Ignoram o fato de que o Brasil precisa se reinventar; e, para isso, subir a Selic e prometer um ajuste fiscal à la “me engana que eu gosto” (pois todos sabem que não será feito) são medidas insuficientes, pois precisamos de profundas reformas estruturais que não estão na agenda.

Isto sem falar da importante queda no preço das commodities e da conspiração da natureza, com a maior seca da história, ameaçando os setores de energia e água.

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