Sergio Cabral cometeu um equívoco

Pedro do Coutto

O Globo publicou na edição de terça-feira, que, no sambódromo, ao assistir ao desfile das Escolas de Samba, o governador Sérgio Cabral afirmou que não vai aceitar que a ministra Dilma  Roussef suba ao palanque do ex governador Garotinho, principal adversário seu nas eleições para o governo do Estado do Rio de Janeiro, quando tenta a reeleição, inclusive na condição de franco favorito. Para um governador e, sem dúvida, um homem politicamente vocacionado, não se entende bem a restrição, aliás, frontal na medida em que ameaça a chefe da Casa Civil de perder seu apoio e até o de sua família. Assim agindo, em vez de fechar, abriu o palanque ao ex governador, pois candidata alguma, ainda por cima com o apoio do presidente Lula, que atingiu 80% de aprovação popular, poderá ceder à exigência. Lula evidentemente, em matéria de apoio situa-se à frente de Cabral e, inclusive, tem reservado ao atual governador as maiores manifestações de apreço e afeto pessoal. Vetando o palanque duplo para Dilma, Cabral corre o risco de se distanciar dói presidente da República permitir que dele se aproxime Garotinho. Não foi uma boa idéia.

Até porque se não apoiar Dilma, Cabral poderá vir a apoiar quem? Ninguém. Ele pertence aos quadros do PMDB. Poderá apoiar José Serra? Ciro Gomes? Marina Silva? Todos estes, no fundo, vão lhe acrescentar muito menos votos que Dilma Roussef. E não são apenas os votos de Dilma. São os votos de Lula. São as obras federais no Rio. Será a presença do presidente a seu lado numa série de eventos.. Lula, a rigor, não deve ter gostado nada das palavras do governador. Não se pode usar de imposição em relação à candidatura ao Palácio do Planalto. O governo federal é muito mais importante que o estadual. E a campanha ainda não esquentou.

Cabral esqueceu que está 15 pontos à frente de Garotinho, segundo a mais recente pesquisa do Datafolha. E Dilma, com base no levantamento do Census-CNT, avançou 6 pontos diminuindo sua diferença sensivelmente em relação à Serra. Portanto, o avanço palpável de Dilma, pelo menos até agora, não foi acompanhado por uma evolução de Garotinho. Além disso, Sérgio detém a máquina administrativa estadual a seu favor. Mesmo que Dilma divida o palanque entre o atual e o ex governador, a situação favorece plenamente a Sérgio Cabral que alem do mais participou ativamente da escolha da sede da Copa do Mundo no Brasil e da seleção do Rio para as Olimpíadas de 2016. Marcou pontos com isso. Importantes. Está realizando obras de porte. O Metro uma delas. A instalação das unidades pacificadoras da Polícia outra iniciativa de porte e reflexo.

Será que com tudo isso ele teme a presença dividida de Dilma em seu palanque governamental e no palanque extra oficial da candidata de Lula? Será que não pensou, ele é um político racional, um bom articulador, em todos esses elencos de fatos? Além do mais a divisão do palanque só pode lhe favorecer, não a Dilma. Ela, inclusive, não terá pensado nisso? Uma campanha em encadeamento de fatos. Não constituiu um episódio isolado. Começa em junho, termina em outubro. E o que dizer do tempo de televisão? O de Sérgio Cabral será dos maiores. O de Dilma Roussef, ao lado do PR de Garotinho, será dos menores. Francamente, pensando mais no assunto, Cabral, vocacionado politicamente como é, chegará a uma conclusão diferente. O palanque misto só o ajudará. Não lhe retira um voto daqueles que já conquistou e que hoje, sem dúvida, lhe fornecem a maioria do eleitorado e assim conduzem à reeleição.

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