Srgio Cabral e o dilvio

Carlos Chagas

Foi de Lus XV o desastroso comentrio de depois de mim, o dilvio. E de seu bisav, Lus XIV, o no menos abominvel o estado sou eu. Pois . Com todo o respeito e guardadas as propores, tenta o governador Srgio Cabral tornar-se a encarnao dos dois reis numa s pessoa: ele mesmo.

Nem se duvida de que o Rio de Janeiro e o Esprito Santo foram garfados no projeto do Pr-Sal aprovado pela Cmara dos Deputados, surripiando-lhes boa parte da receita a que tem direito pela balbrdia criada em seus territrios pela Petrobrs e penduricalhos, por conta da prospeco no litoral.

Diversos de seus municpios viram-se atropelados pela alta do custo de vida, a balbrdia e a multiplicao populacional, obrigados a desdobrar-se para aumentar a infraestrutura, abrigar e alimentar montes de aliengenas. Criaram-se novos empregos, claro, mas para seus habitantes, em maioria, trabalho de pees. O pessoal tcnico veio de fora e inflacionou tudo.

Nada mais natural, assim, que fluminenses e capixabas fossem beneficiados com parte do lucro advindo do petrleo j sendo extrado, assim como daquele que um dia, daqui a vinte anos, poder estar jorrando comercialmente l das profundezas.

Como o pas um s, admita-se que tambm o Amazonas, Mato Grosso, Rondnia e os demais estados venham a participar dessa riqueza por enquanto posta em sossego. Mas que Rio de Janeiro e Esprito Santo disponham de uma razovel vantagem e precedncia, fica bvio, ao contrrio do texto de autoria do deputado Ibsen Pinheiro, que ainda precisa ser aprovado outra vez na Cmara e duas no Senado, coisa para muito tempo.

Feito o prembulo, vamos ao principal, calcado na evidncia acima exposta, de sermos um s pas: escorregou feio o governador Srgio Cabral ao ameaar todo mundo com o fracasso da Copa do Mundo de 2014 e as Olimpadas de 2016 porque o Rio perder significativa receita com o projeto do pr-sal. Quer o qu, o vascano ilustre? Desmoralizar o futebol brasileiro, tirando do Maracan a abertura ou o encerramento da competio? Mandar embora atletas do mundo inteiro porque o Rio, de ante-mo, rejeitar qualquer esforo para tornar a cidade palco da maior disputa esportiva do planeta? H quem desconfie estar o Serginho contente com a sucessiva mortandade de peixes na Lagoa Rodrigo de Freitas, uma antecipao do palco onde se travaro as provas de remo e vela das Olimpadas.

A partir de agora, conforme o ultimato do governador, o Rio no investir um centavo para a realizao dos dois eventos. Ser que vai paralisar as obras de extenso do metr at a Barra da Tijiuca? Interromper os trabalhos da via expressa ligando a Zona Norte regio? Deixar de estimular a construo de novos hotis, assim como a ampliao dos atuais? Dar de ombros para a lstima que so os dois aeroportos da antiga capital? Negar recursos para o incentivo aos esportes? Retirar a Polcia Militar dos pacficos projetos em curso nas favelas?

Deveria, o governador, ter dito que apesar do esbulho em vias de ser praticado contra o estado, governo e populao iro sacrificar-se para o sucesso da Copa do Mundo de 2014 e as Olimpadas de 2016. Com ele ou sem ele…

Sai da, Joo!

Ficou clebre a exortao feita pelo deputado Roberto Jefferson ao chefe da Casa Civil, Jos Dirceu, logo aps a denncia das lambanas do mensalo: sai da, Z!, referncia ao fato de que o principal assessor do presidente Lula deveria abandonar o governo.

Pois estᠠ na hora de aparecer algum, no PT, para repetir o mesmo apelo, apenas mudando o objeto de Z para Joo. Sai da, Joo! deveria estar sendo repetido pelos companheiros para que Joo Vaccari Neto, tesoureiro do partido, entregue o cargo e seu lugar na Executiva. O indigitado personagem nega as graves acusaes que lhe so feitas quando gestor da cooperativa habitacional dos bancrios de So Paulo.

um direito dele, mas tantas e tamanhas so as denncias e as evidncias do desvio de verbas e da inao daquela empresa erigida com a poupana dos bancrios que o mnimo a fazer seria entrar em cone de sombra. At para defender-se melhor. O que no d saber que controla as finanas do partido posicionado para vencer as eleies de outubro.

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