Sergio Gabrielli: “Ainda não é hora de aumentar o preço do combustível”. Sabe que está muito alto. Usa esse “ainda não é hora”, conhece o Poder de fogo das multinacionais, pode receber ordens.

Helio Fernandes

A Petrobras já foi a empresa mais popular do Brasil. Veio das lutas para a sua consolidação, e a criação da frase, conhecida e repetida por todos: “O petróleo é nosso”. Não é mais.

Desde as licitações favorecendo as maiores empresas estrangeiras, que escolhiam campos prósperos e com petróleo comprovado, lutavam apenas entre elas. As licitações foram criadas por FHC, quem mais seria capaz disso? Ato explícito e implícito de covardia, não teve coragem de fazer o que fez com a Vale.

Estranho e curioso: a posição da AEPET (Associação dos Engenheiros da Petrobras) e de Dona Dilma, ainda não potência, nem imaginava que algum dia pudesse ocupar o Planalto-Alvorada, não como locatária e sim como proprietária.

A AEPET era contra as licitações, como poderia ser a favor? Só que depois, reexaminando (?) a situação, silenciou, não deu mais uma palavra sobreo assunto. Cardeais da AEPET, participando habitualmente de programas de radio com  audiência e repercussão, se escondiam no silêncio, tentavam confundir as coisas. Jamais se explicaram, apesar de intensamente cobrados.

FHC criou essas criminosas licitações, através do Decreto 7890. O pessoal da AEPET fugia de comentar essa impostura. Só este repórter tratava do assunto, condenava com veemência a entrega camuflada da nossa já visível riqueza.

Perdão, a resistência não era exercida apenas pela Tribuna da Imprensa. Dona Dilma, (com Lula já eleito mas ainda não empossado) fazia campanha duríssima contra as licitações. Teve que ser contida por diretores da AEPET. Pediram a ela: “Espere Lula tomar posse, a quinta licitação, de agora, não tem muita importância. Temos que lutar contra a sexta, é a próxima, vai demorar algum tempo”.

Demorou tanto que a AEPET já não combatia o Dec. 7890, e Dona Dilma, assumindo Poderes cada vez maiores, pretendia (e tratou de obter) a oficialização desse decreto, considerando-o c-o-n-s-t-i-t-u-c-i-o-n-a-l e reduzindo o prazo entre as licitações. Um escândalo, qual a surpresa?

Continuei a campanha combatendo esse absurdo. O Procurador-Geral do Paraná, entrou então no Supremo com uma ADIN (Ação Direta de Inconstitucionalidade), tínhamos a certeza de que o 7890 seria sepultado.

Nelson Jobim presidia o Supremo (por causa do rodízio), foi chamado à Casa Branca de Brasília (desculpem, o Planalto ainda não Alvorada) por quem? Lógico, Dona Dilma.

Jobim saiu do encontro com Dona Dilma, com a incumbência: transformar em constitucional o 7890. Já estava em votação, não perceberam, a ADIN do Procurador-Geral do Paraná vencia por 3 a 0. Como fazia sempre, Jobim olhou para o Ministro Eros Grau, ele “pediu vista”. Ficou com o processo meses, enquanto Jobim e Dilma “trabalhavam”.

Quando se convenceram da vitória, colocaram em votação, o 3 a 0 a favor da ADIN se transformou num 7 a 4 contra. Aí as licitações foram sendo aceleradas, a Petrobras foi tendo sua participação diminuída e dinamitada. Sem um protesto, lógico, quem ganhava era o lado mais forte, e esse lado não era o da Petrobras e da coletividade, e sim o do governo. Parece a mesma coisa, erro e equivoco cometido por muita gente.

Aí, honrando o 7890, o PSDB começou um movimento orquestrado contra a Petrobras. Consideravam que isso seria popular e daria votos. Todos foram derrotados na eleição de 2010, começando pelo então senador Jereissati, que apresentou o pedido de CPI.

Esse senador respondia a processo desde 2001, quando governador do Ceará, acusado de ter falido o Banco do Estado. Como se elegeu senador logo em 2002, o processo foi para o Supremo. Onde ministros “prestimosos” vigiavam para que não saísse das gavetas,

Agora, descobriram que a Petrobras não é mais majoritária. E não é só isso: publicam que não é autossuficiente na produção, estaria importando, ela que se considerava potência, queria até pertencer à OPEP.

*** 

PS – Tudo farsa, mistificação, campanha dirigida para derrubar a empresa, desmoralizá-la diante da opinião pública.

PS2 – No momento se trava grande batalha dentro da empresa. O grupo nacional não quer aumento do combustível, já é um dos mais caros do mundo.

PS3 – Os multinacionais, favorecidos pelas licitações, querem aumento imediato, conseguirão? A não ser que haja campanha contra esse aumento, realmente inacreditável. E Dona Dilma. Voltará para 2001, mudará para 2003, ou fará  o quê?

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