Sérgio Moro (se quiser) pode se tornar o grande eleitor das urnas de 2018

Apoio de Moro poderá decidir a eleição

Pedro do Coutto

Acredito que ninguém no país possua maior credibilidade do que o juiz Sérgio Moro. Seus atos, suas sentenças, suas opiniões destacaram sua imagem de forma muito forte, sobre tudo num ambiente político no qual a corrupção impera. Os fatos desencadeados pela Operação Lava Jato e pelo episódio JBS são suficientes para levar a opinião pública a uma sensação de repulsa pelo governo Temer e pelos ilusionistas de sempre. Como a mágica é o oposto da lógica, o povo brasileiro está cansado de promessas vãs. E também do sistema institucionalizado de corrupção, a partir de 2003 principalmente, que transformou a honestidade em um defeito, quando deveria ser exatamente o contrário.

Verifica-se um vazio enorme no cenário do Brasil. Quase nenhum partido escapou à volúpia dos negócios ilícitos, punindo no mesmo plano políticos, administradores e empresários. Tudo começou com o mensalão, capítulo em que se destacou o ministro Joaquim Barbosa, então presidente do Supremo Tribunal Federal.

A ESPERANÇA – Joaquim Barbosa, na minha opinião, é a esperança que surge. Constato receptividade de seu nome, intensa e por igual em todas as classes sociais. Ele tem o prazo de 6 de abril para se filiar ao PSB, legenda que deseja tê-lo como candidato à sucessão presidencial.  O prazo de filiação, que era de um ano, a partir de julho de 2016 passou a ser de 6 meses. Guardo comigo a página em que a Folha de São Paulo, edição de 31 de julho do ano passado selecionou as mudanças no calendário eleitoral.

Mas falei na influência que poderá ser exercida pelo juiz Sérgio Moro, sobretudo se ele hipotecar apoio a Joaquim Barbosa. A convergência das imagens poderá construir uma bela jornada na história do Brasil e representar um caminho de salvação contra a hipocrisia e o apelo ao roubo que intoxicou PT, MDB, PP e até o PSDB, como as delações da Odebrecht e da Andrade Gutierrez expõem e confirmam.

FORÇA DECISIVA – A história da força decisiva dos apoios políticos não engloba muitos exemplos. Um deles o apoio de Vargas à candidatura de Eurico Dutra em 1945. A ditadura de Vargas, que começou em novembro de 37, com o Estado Novo, chegava ao fim de seu desabamento logo após a vitória dos aliados contra o nazismo de Hitler. O exemplo da democracia dos EUA e na Grã Bretanha contrastava com o poder centralizado nas mãos de Getúlio Vargas. Seu fim se aproximava, mas não sua influência eleitoral.

Hugo Borghi, no plano nacional, e José Gomes Talarico no plano estadual do Rio de Janeiro lideraram o Movimento Queremista, no sentido de permitir que Vargas pudesse concorrer à mais uma sucessão nas urnas de  2 de dezembro. O movimento não teve o sucesso projetado. Porém Vargas pôde se eleger senador por São Paulo e pelo Rio Grande do Sul e deputado federal por cinco estados. Não havia na época exigência de domicilio eleitoral. Vargas, no Rio, teve 34% dos votos para deputado. Escolheu o mandato de senador pelo Rio Grande do Sul.

BORGHI E TALARICO – Hugo Borghi e José Talarico permaneceram no Varguismo até o capítulo final de suas vidas. Talarico, que mereceu uma exposição na Assembleia Legislativa do RJ, no seu centenário de nascimento, integrou-se na luta pela posse de João Goulart, acompanhou-o no exílio, retornou ao país, elegeu-se deputado estadual e integrou os dois governos de Leonel Brizola. É o homem talvez que tenha sofrido o maior número de prisões políticas na ditadura, ao lado de Mário Lago.

Se alguém escrever a história do PTB e depois a do PDT não poderá omitir a presença marcante de Talarico. Mas ele pertence ao passado. Sérgio Moro é a grande figura marcante do presente e também, se quiser, tornar-se-á o grande eleitor de Joaquim Barbosa no futuro próximo. Faltam menos de 10 meses para as urnas de 2018. Pode se tornar um tempo de alvorada.

9 thoughts on “Sérgio Moro (se quiser) pode se tornar o grande eleitor das urnas de 2018

  1. Seria dias ao invés de meses se a chefe da PGR fizesse seu trabalho de maneira isenta !

    Raquel Dodge está prevaricando e essa atuação da PGR de Temer é inaceitável !

    Raquel Dodge é a Prevaricadora Geral da República !!!

    Já era pra PGR ter feito a 3ª denúncia contra Temer no caso da MP do porto de Santos faz meses !!!

    Mas Raquel Dodge, a Prevaricadora Geral da República, foi escolhida por Temer justamente pra isso: continuar engavetando essa denúncia !

  2. Caro Couto, permita assino mil vezes, o problema são as urnas eletrônicas fraudáveis, como tenho escrito neste Blog, e propagado em minha comunidade. O sinistro Toffoli, o reprovado 2 vezes para juiz (SP) elegeu Dª Dilma, em apuração secreta; não nos deixa mentir.

  3. Não tem como associar a imagem de um covarde arregão do mensalão com a imagem de um juiz sério, competente e corajoso como Sérgio Moro.
    Barbosa anda por ai levemente. Moro, pelas suas decisões em favor do Brasil, não tem mais sossego.
    Acho uma falta de respeito (desculpe), associar a imagem de um juiz sério e corajoso com a imagem de um outro covarde .
    Aliás , alguém lembra quem indicou o arregão? Rs

  4. quais as propostas dos juizes citados na materia sobre: divida interna e externa farao auditiria reforma agraria e agricola terceirizacoes dentro do servico publico reforma urbana para zerar falta de moradias reforma no sistema financeiro os bancos continuaram a mandar no pais reforma tributaria ,,politica fiscal.qual oprograma dos dois juizes e o seu posicionamento politico eleitoral pois nao baste ser apenas honesto.

  5. Bom dia, Pedro do Coutto.

    Havia comentado que a republica dos jovens promotores e juízes não estão aí para perderem com o Francisco Bendl.
    Comentei tal possibilidade de já estarem conversando, o que com sua escrita agora, só me faz crer que alguma estratégia derradeira irá acontecer se o caldo sair do prato.
    Feliz Ano Novo.

  6. O tal joaquim barbosa livrou o chefao lula no mensalao se tivesse feito o trabalho cono deveria nao estariamos sendo roubados assim por tantos anos pois o petrolao do pt é continuaçao do mensalao como disse a justiça

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