Serra: “Quero ser o presidente da União”. Esqueceu de dizer: da união com Aécio Neves

Não é nem de longe a sucessão mais empolgante, emocionante, nem mesmo a mais surpreendente. Como só existem dois candidatos, o que não acontecia há muito tempo, um dos dois tem que vencer, o que não é de modo algum o ideal ou o objetivo do cidadão-contribuinte-eleitor. Com Dilma ou Serra se apossando do Planalto-Alvorada, a palavra mais esquecida, abandonada e desautorizada é, esperança.

Com menos de dois candidatos não existe eleição, e sim intimação e intimidação, que na verdade é o que existe fartamente na “plataforma” de Dilma e Serra. Seja subterraneamente na campanha ou autoritariamente no governo.

Dona Marina e Ciro Gomes são candidatos de meio expediente, vá lá, de semana inglesa. Talvez desistam em junho ou julho, caminhem no rumo já traçado. Ela para o Senado, ele para a Câmara. Onde aliás estão, ela há 8 anos, ele há 4, é a duração esdrúxula, que só pode acabar quando Lula “fizer” a reforma política. Que não interessou nos 8 anos, como poderá concretizar depois?

Mas Dona Marina e Ciro Gomes podem não desistir, garantirem o segundo turno, e aí, negociarem, uma palavra desabonadora, que a politicalha elevou à condição de irrepreensível. Se isso acontecer, Dona Marina agirá com grandeza, Ciro com esperteza.

Candidato único era a regra da “República velha”, quase quebrada em 1906 quando Rui mostrou pela primeira vez o rosto de candidato, teve que ceder a oportunidade ao mineiro Afonso Pena.

Em 1910, quase vence o “oficialista e legalista” Hermes da Fonseca. Desistiu em 1914, não resistiu à ideia de arrasar Pinheiro Machado num discurso de corpo presente. Em 1918 perdeu para Rodrigues Alves, que ganhou a eleição mas não chegou à posse, seu obituário estava pronto.

Vieram os 36 anos das ditaduras, as mais diversas Constituições, eleições indiretas chamadas de transição, o número de vices que assumiram igualando o dos eleitos que começaram e terminaram. Houve até impeachment, inédito em nossa história, a mesma coisa que aconteceu com a reeeleição. Só que o impeachment estava na Constituição e a reeeleição no cofre-forte.

Nos últimos 20 anos, derrotado ou vencedor, a grande estrela foi Luiz Inácio Lula da Silva. Perdeu três vezes seguidas, ganhou duas também seguidas, não somou a terceira, não por falta de esforço.

Tentou de todas as maneiras, não encontrou o código para desmistificar o trajeto. Se tivesse encontrado, estaria eleito, ganhar de Serra mais uma vez, verdadeira e nada altaneira brincadeira.

Digamos hipoteticamente, que Lula seja primeiro time, pelo menos eleitoral. Bloqueado, ficaram apenas sua subalterna subserviente, e o ambicioso sem realização mas com muita obsessão. Derrotado, foi cortando caminho, um pouquinho na prefeitura, tempo maior como governador, se ganhar em 2010 não sobrará para ninguém até 2018. (Agora, em nome da longevidade, todos os cálculos são permitidos e empreendidos).

Agora, o cidadão-contribuinte-eleitor tem que escolher entre dois candidatos sem luz própria, sem projetos, sem compromissos, sem convicções, mas com fartos mananciais de ódio, esperta, avara e lamentavelmente armazenados em freezers.

Para fingir que têm grandeza, acusam o adversário de apelar para a baixaria, nem se incomodam de revelar que a maior baixaria é praticada por eles mesmos. Talvez, quem sabe não seja dose dupla de falta de caráter, mas sim o exagero do desespero? O que fazer?

***

PS – Dona Dilma desmoronou com a queda dos “dois palanques”, reza dia e noite para que Lula, política e eleitoralmente, não tenha sido soterrado pelos escombros.

PS2 – O ex-prefeito-governador jamais presidente, chega a beijar Aécio Neves, quis com isso demonstrar: “Sem Minas, São Paulo não elege ninguém”. E Minas hoje, mais do que qualquer coisa, é Aécio na vice e Itamar no Senado.

PS3 – A pressão sobre Aécio é colossal, de tal maneira impressionante, que contradizendo a mim mesmo, já admito que Aécio não fique insensível ou impenetrável. Mas não por espécie de respeito ou admiração por José Serra, e sim pela necessidade de dar a vitória a seu candidato, Antonio Anastásia.

PS4 – Surpreendentemente, grande amigo de Aécio, Itamar espera que ele aceite a vice na chapa com Serra.

PS5 – É que, se Aécio resistir e não aceitar, o vice-presidente na chapa com Serra teria (terá?) que ser o próprio Itamar. 20 anos depois, tendo sido senador, governador, presidente, embaixador, e mantido inatingida a reputação, Itamar não se deixa seduzir por aventuras. Por que trocar 8 anos certos no Senado, por 4 anos incertos emplumando um tucano já na fase da muda?

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