Serra-Alckmin, intimíssimos e do mesmo PSDB, disputam os últimos dias de Pompéia. Nem lembram de Aécio, a preocupação maior é com o PT. Lógico, preferem Dilma a Lula, quem poderá adivinhar?

Helio Fernandes

Em 2002, Alckmin assumia mais uma vez o governo de São Paulo, longa e tenebrosa herança de Mario Covas. Medíocre e inútil, em 2006 passou o cargo ao mesmo cidadão que o havia precedido: José Serra.

Se revezavam no governo de São Paulo e nas candidaturas e derrotas presidenciais. E também nas hostilidades administrativas. Serra “revisou” Alckmin, este fez o mesmo, fizeram a glória do PT em 2002, 2206, 2010, as três presidências desperdiçadas na fonte.

Agora, Alckmin se vinga do “amigo” que traiu a personalidade e a legenda do partido, apoiando Kassab do DEM. Como para eles vale tudo, Alckmin voltou ao governo de São Paulo. Estava no palanque da derrota de Serra, que “comovido”, abraçou o governador eleito, no discurso, “não é um adeus e sim um até logo”.

No pluripartidarismo cabisbaixo e envergonhado, só quem não tem vez é o povo. E impossível sequer imaginar que essa ratificação periódica, Serra-Alckmin, seja o sonho de consumo do povo paulista.

Como as cúpulas fazem o que querem, o PSDB escolhe sempre entre o que está no governo (Alckmin) ou o único que sobra (Serra), e se sucedem mais duas vezes. Agora, governador pela milésima vez do maior estado da Federação, Alckmin se prepara para a segunda derrota presidencial. Tem todo o direito, Serra já perdeu as suas duas oportunidades.

Mas não é esse o “espírito e o clima” que Serra pretende para 2014. Acreditando que todos entenderam a troca do adeus pelo até logo, trabalha intensamente para “representar” o PSDB na corrida presidencial de 2014.

Como Serra acredita muito em pesquisas, mandou fazer várias, examina, estuda, pede outras para decidir. Em 2002 perdeu para presidente, as pesquisas indicavam, “será eleito prefeito fácil da capital”, se candidatou em 2004. Fez as mais tremendas promessas e compromissos, jurou, “cumprirei o mandato inteiro de Prefeito”.

Como a palavra dele não vale nada, mas também não se incomoda nem se constrange, ficou no cargo apenas 15 meses. Os outros 33 passou para o vice Kassab, do DEM. Em 2006, candidato a governador de São Paulo (com pesquisas positivas e sem adversários), novamente governador, com o mesmo “linguajar”, vou até o fim. Saiu 9 meses antes, precisava glorificar o PT e Dona Dilma.

Jamais será presidente (o que escrevo, repito e garanto desde 2002), mas minha garantia não irá ao ponto de afirmar que não disputará a terceira vez. Estará então com 72 anos, Dilma com 67, Lula com 69. (Análise sobre fatos e normalidade, nenhuma responsabilidade sobre o imponderável ou o anormal, venha de onde vier).

Inacreditável que o PSDB, apenas com os dois nomes de sempre e sem chance, já esteja tratando de 2014, desde agora, quando a presidente eleita não completou uma semana no cargo. É bem verdade que ela começou mal, assediada por todos os lados. O próprio Chefe da Segurança Institucional (antiga poderosa Casa Militar) fingiu que era indiretamente, não podia falar o que falou sobre os DESAPARECIDOS.

O general José Elito sabia que não lhe aconteceria nada, não aconteceu. Voltou ao passado, lugubremente, tinha certeza, bastaria trocar a lembrança “descuidada” por um pedido de desculpa, continua no cargo, altivo e altaneiro.

O ministério, que aparentemente parecia pobremente completo, se desdobra melancólica e lamentavelmente. No PMDB, “todos”, sem que ninguém soubesse, são “grandes defensores do povo”. E manifestam essa preocupação, revoltados com o salário mínimo de 540 reais. Henrique Eduardo Alves e Eduardo Cunha, “defendem” 560 ou 580, não conseguem “entender” como podem ser tão insensíveis.

Os dois do PMDB, podem nobremente abandonar a defesa de um salário mínimo mais “avantajado” em 20 (ou 40 reais). Mas nobremente reivindicam cargos. Não é intimidação ou chantagem e sim compensação pelo apoio na campanha. Notável apoio.

As manobras para eleger Aldo Rabelo presidente da Câmara, estão na fase da contagem de votos. O PCdoB é bom nisso. E para confundir, lançaram o nome de Sandro Mabel. O deputado do PCdoB trata Marco Maia, candidato oficial, como se ele fosse um novo e simples Severino Cavalcanti.

Dona Dilma deixa as coisas rolarem, entrega a coordenação palaciana com o Chefe da Casa Ciivil, o sombrio e desonesto Antonio Palocci. Até onde um governo pretende chegar tendo no segundo lugar mais importante, esse demitido desprezivelmente Palocci.

Assim, com menos de uma semana, Dona Dilma vai satisfazendo e atendendo as esperanças de Serra e Alckmin, que nem escondem que prefeririam ela como adversária do que o ex dos 87 por cento. Falta muito para os dois lados, mas é melhor não perder de vista o medíocre e espaventoso Gilberto Carvalho.

É bem verdade que, mesmo errando desde o início, Dona Dilma não se manterá no erro com insistência. Esse ministério é tão frágil que Dona Dilma poderá mudá-lo imediatamente, vá lá, dentro de algum tempo. Começando pelos dois cargos mais importantes do Planalto. E só receberá aplausos.

***

PS – O trajeto da sucessão é permanente, acaba um começa a outra. Só que agora, como a reeeleição, não acaba nem começa, pode recomeçar. O melancólico é que jogam no cassino de 2014, mas as mesas estão ocupadas pelos mesmos jogadores.

PS2 – Dessa forma, o quadro se completa sem alteração. Pelo menos por enquanto. O PSDB numa disputa árdua, sequestrada apenas em São Paulo.

PS3 – No PT, Lula e Dilma, sem maiores ou visíveis hostilidades, decidirão harmoniosamente de quem será o Planalto-Alvorada dentro de 4 anos. Com o aval rígido do PMDB, que sabidamente não quer o Poder e sim, garantidos, os dividendos desse Poder.

PS4 – E Aécio Neves? O PSDB (e seus dois fantoches que dominam a cúpula), tratam do futuro, se referem sempre a Aecio como “o nosso jovem candidato do amanhã”.

PS5 – Segundo eles, a vez do “jovem” Aécio chegará em 2022. Estará com 62 anos, mais moço que todos agora, mesmo passados 12 anos. Pode ser também o amanhã que não virá.

  

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