Serra antecipa o debate e lana sua terceira candidatura em 2014

Pedro do Coutto

Na entrevista reprter Slvia Amorim, O Globo de segunda-feira, 21, o ex-governador Jos Serra partiu para o ataque presidente Dilma Rousseff, antecipando assim o debate poltico j visando sua terceira candidatura presidncia na sucesso de 2014. Lanou-se tambm candidato a presidente do PSDB, iniciando um processo voltado para ofuscar, e assim abalar, a liderana emergente do Senador Acio Neves. O ltimo dos moicanos, o sobrevivente da derrota eleitoral da oposio nas urnas do ano passado. Liderana ascendente, mas sem o tom oposicionista, nico caminho possvel, hoje, em termos lgicos, quele que daqui a trs anos e dez meses tiver que enfrentar a reeleio de Dilma ou ento a volta de Lula s luzes do poder.

No desejando ingressar na sombra do ostracismo, o ex governador de So Paulo iniciou a ofensiva. um longo caminho rampa do Planalto, repetindo o refro de famosa cano inglesa exaltada porChurchill em suas monumentais memrias e cantada pelas tropas britnicas na vspera dos grandes combates contra o nazismo de Hitler. Um longo caminho pela frente.

A entrevista, pelo seu contexto, foi direcionada, de parte de Serra, claro, para objetivos bem definidos. Resolveu sair logo da casca e falar. A reprter Slvia Amorim, da Sucursal de So Paulo, aproveitou otimamente as informaes. Afobao de Jos Serra? Nada disso. Senso de oportunidade na eterna luta do ser humano pelo poder. Serra poderia ter chegado presidncia. Mas havia um Lula no caminho. A pedra de Carlos Drummond de Andrade. Como no caminho do nadador Gustavo Borges existia um Popov. No fosse o russo Popov, o brasileiro teria sido campeo olmpico nos cem metros livres. Assim a vida. No estava no destino.

Como no estava no destino de Adlai Stevenson ser presidente dos EUA. Era democrata. Em 52, enfrentou o republicano Eisenhower. O governo Truman que o apoiava, estava desgastado com a guerra da Coreia. Stevenson perdeu. Quatro anos depois, enfrentou novamente Eisenhower. As pesquisas o apontavam como favorito. Outubro de 56, faltavam quinze dias para o voto. Eis que foras inglesas, francesas e israelenses invadem o Canal de Suez. Gamal Abdel Nasser ameaa dinamit-lo para combater os paraquedistas. Os Estados Unidos condenam a invaso. Dois dias depois a URSS de Krushev invade e massacra a Hungria. O cardeal Midzenty v-se obrigado a pedir asilo na embaixada americana. Eisenhower atava fortemente o governo de Moscou. A terceira guerra parecia desencadear-se. Diante da perspectiva de um confronto armado, o eleitorado norteamericano achou melhor manter o general comandante em chefe da invaso da Normandia na Casa Branca. Stevenson foi batido pelosfatos fora de seu controle.

H sempre, no uma s, mas pedras no caminho. Disse o poeta (Drummond) que tambm encontrou uma rosa no asfalto. Outro poeta, to grande quanto ele, Noel Rosa, fez danar o arvoredo. Mas a arte outro tema, embora dependa sempre da inspirao de momentos captados nas atmosferas da vida e do andar. A poltica, isso ela tem em comum com a arte, depende tambm de momentos.

Vejam os leitores o episdio de 11 de novembro de 55. O general Lott acordou a uma da manh com o rudo de oficiais reunidos na casa ao lado, no Maracan, do General Odilo Denys. Colocou os tanques na rua, deps o presidente Caf Filho, que estava no golpe contra JK, garantiu a posse do eleito. Se Lott no tivesse acordado naquele momento, ou Juscelino no assumia, ou Denys seria o autor de todo o movimento. A histria do Brasil seria outra. O SE uma palavra chave na existncia humana.

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