Serra defende Palocci (por ser igual a ele), Dilma leva na brincadeira a denúncia contra o Chefe da Casa Civil, mas o caso é grave e não vai virar pizza com tanta facilidade.

Carlos Newton

É até compreensível que a presidente Dilma Rousseff defenda o enriquecimento ilícito do ministro Antonio Palocci. Afinal, não é o primeiro político do PT nem será o último a querer levar vantagem da posição que ocupa no cenário nacional.

Ontem, pela primeira vez cara a cara com os jornalistas, a presidente Dilma Rousseff foi logo dizendo que está recuperada da pneumonia. E a seguir, quando os jornalistas quiseram saber sobre a “saúde” de Palocci, ela brincou: “A saúde do ministro Palocci vai bem. Todos estamos bem. Vocês estão bem”.

O surpreendente mesmo foi aguentar o eterno presidenciável tucano José Serra defendendo Palocci: “Prefiro ver as explicações dele. Acho normal que a pessoa tenha rendimento e esse rendimento promova evolução patrimonial. De forma alguma ia crucificar uma pessoa por causa de sua evolução patrimonial” – argumentou Serra.

Para desfazer a surpresa com esse posicionamento de Serra, convém esclarecer que ele e a filha também ficaram ricos, tiveram evolução patrimonial espantosa, de fazer inveja até à filha de Cesar Maia, que há alguns anos presenteou o pai com um dos apartamentos mais caros do Rio de Janeiro. Aliás, os filhos dos políticos brasileiros parecem ter realmente muita queda para os negócios, está aí o filho do Lula que não nos deixa mentir. Tem um talento extraordinário. De porteiro de Zoológico a empresário, ele fez uma carreira belíssima. Sempre que fala nele, o pai se emociona.

Em meio a essa Ilha da Fantasia, felizmente ainda há algum resquício de moralidade na capital, e o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou ontem que já se preparava para pedir informações ao ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, e à Comissão de Ética da Presidência da República sobre a escalada do patrimônio do ministro nos últimos anos. Como o PPS anunciar que fará uma  representação no mesmo sentido, o procurador então decidiu aguardar.

Roberto Gurgel, aliás,  tem sido considerado uma reserva moral. Foi ele quem deu aquelas declarações demolidoras sobre a política em Brasília, ao tempo do governador (cassado) José Roberto Arruda, quando afirmou que “estava tudo contaminado”.

Ainda ontem (contra a vontade de Serra), é claro, o PSDB solicitou ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) informações sobre as operações da prodigiosa empresa Projeto Consultoria, que pertence ao ministro. O PSDB quer saber se houve registro suspeito de transações bancárias da Projeto. O DEM também protocolou na Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara requerimento para convocar o ministro da Casa Civil, para dar explicações.

Resumindo: podem fazer o que quiser, o Planalto pode considerar o assunto encerrado, como o Ministro Gilberto Carvalho afirmou segunda-feira, mas a verdade é que a questão ainda vai render muito. Palocci é político provinciano e sem talento, seu sucesso no PT e no governo é inexplicável, são coisas da política que simplesmente acontecem. Ele foi apanhado em flagrante, não há dúvida, ninguém enriquece tão rapidamente assim, com trabalho honesto. Defendê-lo significa perda de tempo e desgaste, para quem tem coragem de fazê-lo.

O senador Walter Pinheiro, do PT baiano, por exemplo, não quer se sujar e diz apenas o óbvio: “Não sei se o ministro teria obrigação de identificar empresas para as quais prestou consultoria, mas, como homem público, fica inevitável que ele dê esclarecimentos sobre a fonte dos recursos”.

Simples assim.

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