Serra lembra Lupicínio para responder a Aécio

Pedro do Coutto

O governador José Serra afirmando não ter pressa para definir se é ou não candidato à presidência da República, recorreu à poesia de Lupicínio Rodrigues para indiretamente responder a Aécio Neves, que, embalado pelo apoio da direção do DEM deseja que o processo de escolha do nome do PSDB seja desencadeado de imediato. Divergência mesmo? Não sei. Creio que tem razão o jornalista Jânio de Freitas que, em artigo em 29  , na Folha de São Paulo, sustentou a tese que o dilema entre um e outro no fundo alimenta o jogo político de ambos. Não existe inclusive muito espaço para qualquer outra solução. E se o governador de São Paulo lidera as pesquisas, como têm comprovado os levantamentos do Datafolha, Ibope, Sensus, Vox Populi, mas Aécio, em vez de pedir mais prazo para suas articulações, pois está em desvantagem, deseja, pelo contrário, antecipar, é porque qualquer resultado agora o interessa. Caso contrário, a tradicional prudência mineira, a mineiridade como se diz, levaria a uma atitude oposta. Quem está atrás deseja mais tempo para tentar equilibrar a disputa. Isso é lógico. E não existe político que não siga tal regra. Inclusive, em Minas, com base em exemplos deixados por figuras tradicionais do passado, a primeira coisa que um candidato diz é exatamente que não será candidato. Mas se as circunstâncias exigirem, as pressões em favor de seu nome se tornarem inelutáveis, então aí sim, poderá rever seu posicionamento para assegurar a unidade partidária. Necessita, entretanto, ser indicado à convenção pela unanimidade do Diretório Central. Faz questão de ressaltar que não postulou, não articulou em causa própria, frisando que somente terminou aceitando a indicação para garantir a unidade interna de legenda, a qual pode se desfazer caso ele se recusasse a ser candidato. Isso de um lado. De outro, exige de todo o reconhecimento público de que o cargo é de sacrifício.

Há exceções na história mineira: JK sempre se afirmou candidato. Mas naquele tempo existia o voto por procuração nas convenções. Em 1955, o senador Benedito Valadares detinha 240 procurações de correligionários do antigo PSD que haviam colocado seus votos nas mãos do velho senador e chefe político. No momento da convenção, que se realizou no Rio, num dos andares do edifício Piauí, que está de pé até hoje, e depois foi inclusive a sede do PMDB fluminense, Benedito Valadares apareceu com a sessão já em andamento e, no momento de dar o seu e os votos que possuia, disse em tom baixo:Juscelino Kubitschek. Ele vinha se retraindo até aquele momento. Somente no final, quando não podia mais adiar a decisão, a revelou.

Em São Paulo, ao contrário, os candidatos tradicionais sempre anunciavam previamente que se apresentavam para a disputa. Assim era Ademar de Barros e Jânio Quadros, políticos com enormes potenciais de votos. Agora parece que as tendências se inverteram: Aécio, mineiro, quer que o páreo tenha sua largada logo. Serra, paulista, dizendo ter nervos der aço, prefere adiar para março do ano que vem. Em relação a Serra e Aécio não há diferença que justifique existirem comportamentos opostos: governadores todos dois, se forem candidatos têm que deixar as chefias dos executivos no final de março. Portanto, nesse caso não existe diferença a consignar.Creio assim que Jânio de Freitas tem razão quanto ao jogo de tabela que um está fazendo em relação ao outro, no qual, no fundo, interessa aos dois. Até porque em São Paulo e Minas votos não faltam nem a um, tampouco ao outro.

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