Serra, na busca de um caminho, admite deixar o PSDB

Pedro do Coutto

Esta matéria, assinada pelo repórter Cátia Seabra, foi publicada na Folha de São Paulo de terça-feira 8. O ex-governador e ex-prefeito de São Paulo, segundo o texto, não desistiu de disputar a presidência da República, seria a terceira vez, e, para isso, avalia como uma possibilidade trocar de legenda formando uma aliança com o deputado Roberto Freire, do PPS. Poderia até surgir uma nova sigla, uma nova legenda. Pessoalmente não acredito. Não vejo possibilidade de êxito na abertura de uma cisão na área tucana.

O senador Aécio Neves, cujo nome inclusive já foi lançado pelo ex-presidente FHC, parece estabelecer um consenso no PSDB. Se José Serra rompesse, claro, facilitaria a reeleição da presidente Dilma Rousseff. Se com a oposição unida, Serra perdeu em 2010 por 56 a 44% dos votos, nãoé difícil imaginar o que aconteceria depois da divisão, mesmo com a maioria tucana preferindo Aécio. O senador mineiro tem a seu favor, sob a ótica da oposição ao PT, a juventude, um toque novo no quadro sucessório. José Serra já alcançou duas oportunidades, uma terceira seria um exagero. Além do mais, sua derrota para a Prefeitura paulista contribuiu inevitavelmente para enfraquecê-lo no plano nacional.

A presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula devem ter ficado bastante satisfeitos com a hipótese colocada pela repórter, aliás excelente, Cátia Seabra. Se com as forças unidas, o caminho da oposição já é difícil, imagine-se diante da perspectiva de uma divisão. Não haveria a menor possibilidade de êxito.

DIVISÕES SÃO FATAIS

Não creio que os fatos e os passos de Serra confirmem a intenção que, por momentos, lhe passou pela cabeça. A popularidade de Dilma segue muito firme, a de Lula também, a ainda acrescentam a legenda do PT, segundo maior partido do país em número de deputados federais. Divisões são fatais.

Vencer apesar de cisões regionais, até hoje somente Juscelino Kubitschek conseguiu em 55 pelo PSD. Era um candidato tã forte que passou por cima das divergências de quatro seções estaduais: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Pernambuco. Elas, inclusive, não se fizeram sentir nas urnas. Venceu, mas com 33% dos votos, derrotando Juarez Távora com 27, Ademar de Barros que registrou 20 pontos e Plínio Salgado que atingiu 10%. Na época não havia exigência de maioria absoluta.

Já em 1950, Vargas chegou a 49% dos votos, venceu facilmente, com a oposição dividindo-se entre o brigadeiro Eduardo Gomes e o deputado Cristiano Machado. Este era o candidato do PSD, mas só no papel. Na realidade, o partido Social Democrático votou em Getúlio Vargas. Cristiano foi traído? Daí a palavra cristianização. Nem Tanto. Cristiano Machado, na realidade, foi usado para dividir o entivarguismo. Não havia necessidade disso para que Vargas vencesse. Mas foi o que aconteceu.

Voltemos a Serra. Seu conhecimento político fatalmente o chamará à razão. A ele tampouco interessa uma dissidência que só facilita a vitória da atual presidente da República e a de Lula, que poderá ser candidato, por exemplo, a senador por São Paulo, a meu ver seu roteiro mais provável. O quadro da sucessão de 2014 tem suas limitações nas possibilidades. É cedo para Eduardo Campos, parece também cedo para qualquer modificação na candidatura a vice, com a retirada de Michel Temer. A vez, pelo PSDB, é de Aécio Neves. Tarde demais para José Serra.

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