Serra não deve depender de Aécio na vice

Pedro do Coutto

Em sua coluna no Estado de São Paulo, edição de 19 de maio, brilhante como sempre, Dora Kramer analisa a aflição que toma conta da campanha de José Serra para que Aécio Neves aceite ser o candidato a vice em sua chapa e também como pretendem agir o DEM, o PSDB e o PPS em resposta ao uso do horário eleitoral do PT, pelo presidente Lula, para fazer propaganda direta da candidatura Dilma Roussef.

No que se refere à aflição dos articuladores de Serra, na mesma edição do jornal foi publicada matéria assinada por Cristiane Samarco. Vamos por partes. Em primeiro lugar, o nervosismo em torno da aceitação por parte de Aécio em disputar a vice acentua uma boa dose de insegurança que está envolvendo a caminhada dos tucanos, no fundo condicionando o êxito de uma candidatura presidencial àquele que consideram ideal para companheiro de chapa. Esta atitude reflete negativamente para o candidato à presidência. Um sinal de fraqueza, dependência eleitoral.

Um candidato – me disse JK em 1960 numa entrevista para o Correio da Manhã – tem que se afirmar por si, romper a marcha, ir em frente. Os apoios vêm a seguir. O candidato não pode depender previamente das adesões que pretende atrair e conquistar, As adesões aparecem em função de sua presença, de sua força. Não são as adesões que tornam uma candidatura forte. E sim o contrário: é uma candidatura forte que arregimenta os apoios. JK falava sobra a candidatura do General Lott, que perdeu a eleição para Jânio Quadros.

Mas seu raciocínio contém uma verdade política eterna e se aplica à posição de José Serra, hoje. Enquanto seus principais articuladores se preocuparem com a decisão final do ex governador de Minas, Serra perderá espaço. Perderá espaço porque a opinião pública, ainda que indiretamente, percebe a dependência. E a dependência é sinal claro de fraqueza. José Serra, está evidente, perdeu terreno nas pesquisas, mas nem por isso os responsáveis pelo encadeamento de sua campanha devem publicamente se voltar para Aécio como se  este fosse o salvador de uma candidatura que sofreu um rebate, ao ser ultrapassado pela adversária. É só comparar as situações: Serra emprenhado pelo apoio que o vice possa acrescentar. Para Dilma Roussef, a importância do vice está apenas no tempo de televisão (5 minutos) que o PMDB irá acrescentar. Tanto faz ser Michel Temer como qualquer outro.

Mas há poucas linhas eu falei em salvador, portanto em salvação. Palavras muito usadas em contextos religiosas cristãos. Não creio que sejam positivas. Afinal, se alguém vem nos salvar, é porque tacitamente reconhecemos que estamos em perigo ou envolvidos num ambiente ruim e perigoso. Ninguém busca salvação se não estiver em situação de risco.

Passemos à reação prevista para o DEM, PSDB e PPS, segundo Dora Kramer. Cada um dos três partidos vai usar 10 minutos de televisão nos dias 27 de maio e 17 e 24 de junho. Devem responder a Lula e Dilma na mesma moeda, ultrapassando os limites da lei eleitoral, como Lula e Dilma ultrapassaram. Acontece que não terão a seu lado a popularidade do presidente da República. E aí está a diferença maior desta campanha pela sucessão. Portanto vão ter quer buscar novos argumentos, novas posturas, novas afirmações para motivar o eleitorado. Esperemos. Vamos ver o que vai acontecer.

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