Serra pode não ser presidenciável agora. Pretende ficar na vida pública até os 80 anos. Em 2010 estará com 68, mais 4 de governador, seria candidato a presidente com 72, sairia com 80

Embora quase todos, nos mais diversos partidos, considerem José Serra candidato certíssimo à sucessão de 2010, isso pode não acontecer. A obsessão de Serra, que jamais trabalhou na vida, é continuar sem trabalhar. E isso só pode acontecer se ficar mais alguns anos ocupando cargos públicos.

O raciocínio (?) de Serra é o seguinte. 1- Se disputar a presidência em 2010 e perder (perderá), sua carreira acabou. 2- Estará então com 68 anos, fazer o quê? 3- Se em 2010 for reeleito governador (será), deixará o cargo com 72 anos.

4- Disputará então a presidência da República. 5- Digamos que se eleja, e como não existe a menor possibilidade de voltarmos ao mandato único, sem reeeleição, Serra ficará mais 4 anos. 6- Sairá então com os citados 80 anos, e ficará como o “patriarca” do Brasil, que era o objetivo de FHC. Foi traído pela ambição, pela arrogância e pela doação do patrimônio nacional.

FHC e Serra que se detestam “intimamente”, têm muitos traços em comum, principalmente esse de não trabalharem. FHC foi professor, atraído pelas “menininhas”, que não aprenderam nada, nem ele tinha o que ensinar. (Ainda “escreveu” um livro em parceria, nem vou falar sobre isso, o Millor já disse tudo que precisava ser dito).

Em 1964, com 22 anos, estava quase saindo da Faculdade, precisava trabalhar. Veio o golpe de 1964, fugiu para o Chile, veranear era melhor do que lutar. (FHC nem precisou fazer coisa alguma, a ditadura não se incomodou com ele. Como não tinha o que fazer, e muitos amigos estavam no Chile, ia para lá. Depois, em 1978, foi suplente do senador Montoro, começava a carreira “democrática”, sem voto, sem povo, sem urna. Mas isso já é outra história).

José Serra voltava para o Brasil 15 anos depois, no limite dos 40 anos. Protegido por empresários que não podendo chegar pessoalmente ao Planalto, apostavam em nomes, Serra viveu sem trabalhar até 1983. Montoro eleito governador de São Paulo, nomeou Serra secretário. Era o primeiro cargo público, que maravilha viver. Aí não parou mais, só que perdia seguidamente quando concorria a cargos que precisavam do voto popular.

Apressado, Serra deixou a secretaria, candidato ao importantíssimo lugar de prefeito da capital. Perdeu, ninguém o conhecia. Os amigos poderosos colocaram-no novamente numa secretaria. Insistente e péssimo analista, voltou a se candidatar a prefeito, o que esperava? Foi fragorosamente derrotado. Aí o governador já era Orestes Quércia, que não queria nada com Serra.

Ficou vagando, sentia que o fim chegaria antes do princípio, o que fazer? Depois de derrotado duas vezes, se elegeu deputado federal, financiado pela Febraban, e por muitos bancos. Reeleito, participou da Constituinte, que promulgaria a Constituição de 1988.  Sem maior destaque, e sem que se soubesse como vivia.

Aí, inesperadamente foi procurado por grandes empresários de SP, que pretendiam financiá-lo para disputar o Senado. Desde que o suplente fosse “o pai da Fiesp”, Klabin Segall.

Antes e depois, foi 5 vezes lembrado (e descartado) para Ministro da Fazenda de vários presidentes. Mas foi com o amigo (?) FHC que sua carreira ministerial deslanchou. Primeiro no Planejamento, depois na Saúde, com o suplente se divertindo com o mandato de senador.

Em 1994, surpreendentemente, FHC é candidato a presidente. Mas compreendendo que não ganharia de Lula, reduziu o mandato de 5 para 4 anos. Ganhou e se vingou, prolongando a permanência no Planalto de 4 para 8 anos.  Comprando a prorrogação ou reeeleição, com dinheiro amealhado pelo amigo Sérgio Motta. (Sócio de Golbery em negócios escusos).

Aí, com o patrocínio dos mais reacionários empresários de SP, (quase todos são) foi prefeito, candidato derrotado a presidente em 2002, governador em 2006, o mandato acaba em 2010.  O primeiro grito pela PRIVATIZAÇÃO DA VALE, foi dado por José Serra, por ordem desses empresários. Depois da Vale, foi todo o resto (com prioridade para os bancos) do patrimônio nacional.

Por tudo isso, por ser um homem que se dizia, “o arauto da transição entre o CAPITALISMO e o SOCIALISMO”, e que passou a ser um dos mais reacionários homens públicos, é o que eu disse ontem, “tenho medo de Serra presidente”. (Idem, idem para Dona Dilma e Ciro Gomes).

Com essa rápida passagem e ligeira documentação de sua vida, José Serra é a grande incógnita da sucessão de 2010. Há 10 dias dei uma nota sumária sobre o que Serra pensava (?) do próprio futuro. Agora vou mais fundo.

Serra não dá como definitiva a candidatura a presidente em 2010. Está atentamente monitorado na trajetória de Luiz Inácio Lula da Silva, incógnita maior ainda do que o governador.

Serra tem medo de Lula, e acha que o presidente ainda não deu o lance vencedor para 2010. Enquanto Lula não se decidir, Serra também não se decide. Esse é o panorama sucessório visto da ponte de 2010.

***

PS- Lula leva vantagem sobre Serra em matéria de tempo para resolver. Se não conseguir uma das três opções com as quais está jogando, pode ficar no Planalto até á eleição, sem qualquer impedimento.

PS2- Para Serra as coisas são e serão diferentes. Em 31 de março (vá lá, mais dois ou três dias) de 2010, sua decisão será pública e definitiva, sem fazer qualquer pronunciamento. Se deixar o governo de SP, é candidato a presidente. Se continuar no cargo, disputará a reeleição. Falta pouco tempo.

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