Serra reduz ao mínimo a presença de Ciro

Pedro do Coutto

Na sexta-feira, numa entrevista ao repórter José Luiz Datena, da TV Bandeirantes, manchete da Folha de São Paulo e de O Globo de sábado, o governador José Serra finalmente assumiu a posição de candidato do PSDB às eleições presidenciais de 2010. Estava custando a sair a definição mas ele fez de forma inteligente compatível com seu nível intelectual.

Assumiu a candidatura elogiando o governo Lula, manobra que reduziu o impacto da candidatura da ministra Dilma e expôs completamente ao ridículo a de Ciro Gomes. Tanto fazendo que dispute a presidência da República ou o governo de São Paulo. Jogou Ciro para escanteio, mostrando ao presidente Lula, ao PT e à opinião pública que o ex-governador do Ceará não possui papel algum a desempenhar na campanha. Ciro Gomes só serviria a Lula como acessório se agredisse Serra e exaltasse o governo.

Mas se o governo é exaltado pela principal figura de oposição, para que serve Ciro Gomes? Para nada. Transferiu à toa seu título para São Paulo onde enfrentará Geraldo Alckmin. Nem mesmo o papel de reduzir a diferença de votos em São Paulo ele poderá fazer. Pois dificilmente as bases petistas poderão aceitá-lo como um estranho no ninho. Não é até impossível que perca a convenção paulista para, por exemplo, Marta Suplicy ou para seu ex-marido Eduardo. A respeito de tal hipótese me lembro de uma frase dita a mim e a Villas Boas Correa, na campanha de 60, pelo governador de Minas.

Tancredo Neves perdeu para Magalhães Pinto exatamente por 25 mil votos, diferença muito pequena para um eleitorado tão grande como o de Minas Gerais. Eu e Villas Boas perguntamos a Magalhães, amigo pessoal de Villas, como estava inda a campanha em Minas. Havia surgido suspeitas que Valadares, senador e principal líder mineiro depois de JK, enigmático, aliás como sempre, respondeu: Vai mais ou menos. Estabeleceu-se um silêncio daqueles que Valadares adorava.

Depois de uma pausa proposital, respondeu: é melhor um adversário cordial do que um correligionário hostil, Não eram boas as relações entre Tancredo e Valadares, embora ambos do PSD. A cidade natal de Valadares era Pará de Minas, eleitorado pequeno. Mas, coincidência ou não, foram de lá que vieram os 25 mil votos que contribuíram para mudar o Brasil em 64. Os outros 23 mil vieram do Rio, quando por esta diferença Carlos Lacerda derrotou Sergio Magalhães.

Estou recorrendo à história, como, aliás, gosto de fazer, para mostrar que a candidatura Ciro Gomes a governador de São Paulo pode terminar ampliando a vantagem de Alckmin sobre Ciro e, consequentemente, a de Serra sobre Dilma em São Paulo. Isso porque, como é do conhecimento geral, a hostilidade de Ciro Gomes é a quase todo mundo. A questão de uma passagem para sua mãe ir a Londres, pela resposta que deu, comprova seu estilo. Mas a questão não é apenas esta. O que ganham Marta e Eduardo Suplicy com a vitória de Ciro? Nada. Absolutamente nada. Para eles Alckmin é muito melhor. É do ninho paulista.

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