Serra vai tentar novamente a presidência em 2014. As chances são mínimas, mas ele não se emenda.

Carlos Newton

O ex-governador José Serra não concorrerá à Prefeitura de São Paulo em 2012. É o que garante o deputado federal tucano Ricardo Tripoli, um dos pré-candidatos do PSDB à eleição na capital paulista. E qual o significado dessa decisão? É claro que o eterno candidato tucano sonha em disputar mais uma vez a presidência da República.

Não tem carisma, não tem futuro, mas insiste, porque a vaidade fala mais alto. Financeiramente está muito bem, é um homem rico, ninguém sabe como, mas na política brasileira essas coisas acontecem. Não é o primeiro, nem será o último. Basta ver os exemplos de José Sarney, Jader Barbalho, Newton Cardoso, Orestes Quércia, João Alves, Joaquim Roriz, Antonio Carlos Magalhães, José Roberto Arruda, José Dirceu, Antonio Palocci e mais, e mais, e mais.

“Não há a menor possibilidade de o Serra concorrer. Estive com ele ontem. E já conversamos muito sobre o assunto. Ele, o governador Geraldo Alckmin e o ex-presidente Fernando Henrique me estimularam a sair candidato”, afirma o deputado Trípoli, dizendo que a disputa interna no partido agora está restrita a ele e aos secretários estaduais Andrea Matarazzo (Cultura), Bruno Covas (Meio Ambiente) e José Aníbal (Energia), sem mencionar o senador Aloizio Nunes Ferreira, que também tinha sua candidatura cogitada.

O deputado conta ter procurado José Serra antes de protocolar, há dois meses, sua inscrição como pré-candidato, na qual anexou o apoio de 219 delegados (cerca de 20% do total). Questionado sobre a chance de o ex-governador, mais uma vez, se apresentar em cima da hora, Tripoli diz acreditar que a situação agora é diferente. “Dessa vez, se ele for, vai haver prévias”, afirma. Da mesma forma que o PT, o PSDB também deve antecipar a realização das prévias no Estado.

Inicialmente, a previsão era que as prévias se realizassem entre 1º de janeiro e 31 de março do ano que vem. Mas o diretório estadual prefere deixar a cargo dos diretórios municipais a antecipação da data.

O presidente regional do partido, deputado estadual Pedro Tobias, também diz achar improvável a candidatura de José Serra e prefere que o PSDB lance um nome novo. “Ninguém vai ser contra, se ele quiser, mas pessoalmente gostaria que se criassem lideranças novas. Vou estimular as prévias e a oxigenação do partido, com o debate de militantes. Não dá para ser sempre o amigo do ex-presidente Lula, do Geraldo Alkmin, de alguém grande”, diz Tobias, em referência aos acordos de cúpula e à influência dos caciques, tanto no PT quanto no PSDB, na escolha dos candidatos.

A decisão de José Serra não concorrer à prefeitura deixa em sinuca o senador Aécio Neves, que continua tentando sair candidato a presidente, mas enfrenta a forte resistência do diretório de São Paulo, que realmente domina o PSDB. Pela legislação, Aécio nem pode trocar de partido, e seu futuro depende da reforma política, que deve abrir uma janela para um troca-troca de legendas. Nesse caso, Aécio iria para o PMDB, como já se especula há tempos.

Teríamos, assim, um quadro múltiplo de candidaturas. Como Dilma Rousseff (ou Lula) no PT, José Serra no PSDB, Aécio Neves no PMDB, Marina Silva em seu novo partido, Cristovam Buarque pelo PDT e por aí a fora. Mas por enquanto, tudo nao passa de suposições, é claro.

 

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