Servidoras mudaram o modo de se vestir para escapar dos “assédios” do presidente da Caixa

Quem é Pedro Guimarães, investigado por assédio sexual no comando da Caixa  | InvestNews

Certo da impunidade, Pedro Guimarães se julga irresistível

Andréia Sadi
G1 Brasília

Mais uma vítima de assédio sexual pelo presidente da Caixa, Pedro Guimarães, falou ao blog. Em condição de anonimato, contou que ele pedia para ir na sala dele, como se fosse mostrar alguma coisa, e abraçava e pegava na cintura. Em seguida, começava a perguntar sobre a carreira da servidora. Inclusive, ela conta que as mulheres mudaram a maneira como se vestiam para evitar que o corpo aparecesse para Guimarães.

“É onde ele começa essas perguntas. Qual o nosso interesse em relação à carreira e onde que a gente pretende chegar. Ele sempre vinha na abordagem de trabalho para ver se colava. Ao ponto de você ficar sem saber com sair daquela situação. Porque você precisava fazer o seu trabalho e precisava ter um jogo de cintura para não desagradá-lo. Porque, uma vez que ele não gostasse da sua resposta, vinham cortes, perda de função e, em alguns casos, ameaças”, disse a funcionária.

MUDANÇA DE HÁBITO – Sobre a mudança na vestimenta, assinalou: “Inclusive, nós [servidoras da Caixa] mudamos a nossa forma de se vestir, evitando que o nosso corpo aparecesse, evitando que nossa beleza se sobressaísse para que tivéssemos menos em evidência nesses momentos em que tivéssemos que participar com ele.”

A servidora complementa dizendo que não se sente segura para falar com o assunto nem com um colega, porque, por conta disso, muitas pessoas foram tiradas da função no banco estatal.

“Quem participava começou a subir para o alto estalão, eram pessoas da confiança dele. Não tínhamos para quem recorrer.”

LIGADO A BOLSONARO – Guimarães é investigado pelo Ministério Público Federal (MPF), com base em denúncias feitas por funcionárias do banco. Ele é um dos nomes mais próximos do presidente Jair Bolsonaro, a quem costuma acompanhar em viagens e em “lives” na internet. Ele está na presidência da Caixa desde o início do governo.

À TV Globo, funcionárias da Caixa que preferem não se identificar, relataram o comportamento de Guimarães.

Ao site “Metrópoles”, a Caixa disse que “não tem conhecimento das denúncias apresentadas, que adota medidas de eliminação de condutas relacionadas a qualquer tipo de assédio e que possui canal de denúncias por meio do qual são apuradas quaisquer supostas irregularidades atribuídas à conduta de qualquer empregado, independente da função hierárquica, que garante o anonimato, o sigilo e o correto processamento das denúncias”.

DESDE 2019 – Segundo relato de três ex-integrantes de conselhos da Caixa ao Blog da Ana Flor, o comando do banco sabia dos casos de assédio envolvendo Pedro Guimarães e acobertou as denúncias, inclusive com promoções.

Os primeiros casos chegaram aos canais de denúncia do banco ainda em 2019, quando Pedro Guimarães assumiu a presidência.

Segundo os relatos ouvidos pelo blog nesta quarta-feira (29), mulheres vítimas do assédio de Guimarães que aceitavam não levar adiante as denúncias foram transferidas, receberam cargos em outras instituições públicas ou ficavam temporadas no exterior, em cursos. Já quem ajudava Guimarães a acobertar os casos chegou a receber promoção.

ELOGIO À MULHER –  Acusado de assédio sexual, presidente da Caixa ignora denúncias e diz ter ‘vida ética’. Sob pressão para renunciar, Pedro Guimarães falou em evento do banco, não mencionou relatos de funcionárias e agradeceu à sua mulher.

Guimarães chegou ao governo por ser próximo tanto de Bolsonaro como do ministro da Economia, Paulo Guedes. Antes de aceitar o cargo, era um dos sócios do banco de investimentos Brasil Plural. Também entrou na administração Bolsonaro creditado por ter um perfil liberal. Assessorou, por exemplo, a privatização do Banespa, antigo banco estadual do estado de São Paulo.

Antes da campanha presidencial de 2018, ficou próximo de Bolsonaro ao levá-lo para um giro pelos Estados Unidos para conversas com investidores estrangeiros em outubro de 2017 e por ser um dos primeiros integrantes do mercado financeiro a apostar na candidatura do então deputado federal, como mostrou o blog da Julia Duailibi.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O pior disso tudo é a demora da demissão desse psicopata. Era só o que faltava nesse governo para prejudicar a eleição de Bolsonaro, que sofre alta rejeição das mulheres. Quem planta, colhe, diz o ditado. (C.N.)

21 thoughts on “Servidoras mudaram o modo de se vestir para escapar dos “assédios” do presidente da Caixa

  1. Só não entendi uma coisa:
    Quem pode demiti-lo não seria o próprio Bolsonaro ?
    Então, se o maníaco não foi ainda demitido, a responsabilidade é exclusivamente do Bolsonaro.
    Certamente, desta vez, dira que colocará suas partes íntimas no fogo, pelo tarado.

  2. Se encaixa bem no perfil do brasileiro clássico cristão defensor da moral, da família e dos bons costumes e contra o aborto.
    E aposto que se o verme não estivesse patinando nas pesquisas, ele seria era promovido nesse governo, isso sim.

  3. Um ASSEDIADOR Sexual dos mais covardes, porque usava de seu poder de presidente do Banco para conseguir seus intentos sexistas.
    Os relatos do assédio são estarrecedores. Podridão na presidência e na alta cúpula do Banco federal.
    E o setor de Compliance recebia as denúncias e repassava para o ASSEDIADOR.
    Lamentável. Mas, o que esperar de um homem, que foi um dos mais violentos e deploráveis naquela fatídica reunião de 22 de abril de 2020 no Palácio do Planalto, ocasião em que, Sergio Moro foi humilhado e os palavrões mais cabeludos corriam solto, na boca suja de gregos e troianos.

    • Já vai tarde o Alain Delon da Caixa. A crueldade das assediadas por ele, foi demais. Ele queria mais confiança. Só queria carinho, nada mais, o coitado.
      É cada uma. Mas, nessa o Guimarães, se deu mal, pois próximo da eleição de outubro, esse escândalo não pode pautar o noticiário por muito dias, logo, o auxiliar tinha que sair. Bolsonaro até tentou manter ele, mas, o Centrão aconselhou a saída do governo. Nessa, não houve o erro de botar a cara no fogo e depois ficar queimado.

  4. Certamente, como aconteceu com no caso do Indigenista e o jornalista que foram assassinados na Amazônia, tentaram colocar a culpa nas vítimas e amenizar a atitude do maníaco.

  5. Pra desespero da bandalha NARCO-socialista, a mesma que faz de conta que se indigna com assédio, enquanto defende com unhas e dentes estupradores e pedófilos, a CEF tem JÁ uma novA presidentA. Bolsonaro aprovou a escolhida pelo ministro Paulo Guedes.

  6. “Eu sempre pautei minha pela ética, moral, bons costumes e honestidade e pelo blá,blá,blá,blá e nhénhénhénhén.!””

    Demais da conta., as desculpas sempre as mesmas e esfarrapadas.

    Mas como estamos no Páis da Impunidade e os Maníacos Estupradores ficam numa boa, com certeza esse picareta nem passará um dia em cana.

    Exemplos clássicos estão por toda a parte, os últimos casos, a Gangue de Estupradores do Futebol com o Chefão e ex-jogador Estuprador Robinho , o famoso “comediante” global da Rede Goebbells, e os dois Chefões da Máfiazinha MBTLNostra……

    Livres ,, leves e soltos, para cometerem mais abusos, estupros e afins…

    E Viva a Impunidade…

  7. ASSÉDIO SEXUAL: ENTÃO BOLSONARO SABIA DE TUDO?
    Escreve o jornalista Valdo Cruz no G1:
    “As denúncias de assédio sexual contra Guimarães já eram de conhecimento do Palácio do Planalto e da equipe presidencial. Segundo um assessor, Bolsonaro chegou a conversar com o presidente da Caixa há cerca de um mês sobre o caso, alertando que se algo fosse comprovado e viesse a público, ele seria demitido.”

    Como é? Bolsonaro sabia e não fez nada? Ao contrário, andava com Guimarães pra cima e pra baixo. Só puniria “se algo viesse a público”? Assédio escondido pode?

    https://twitter.com/reinaldoazevedo/status/1542227853487620104?cxt=HHwWkIC-nfmDjOcqAAAA

  8. “…prejudicar a eleição de Bolsonaro, que sofre alta rejeição das mulheres.”

    É verdade, sofre alta rejeição das petistas, psolistas, pdtistas, comunistas, feministas e comunidade LGBTQIA+

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