Servidores do Banco Central querem receber reposição inflacionária dos salários

Charge do Jota.A jota-a.blogspot.com)

Pedro do Coutto

Na noite de segunda-feira, o Sindicato dos Servidores do Banco Central anunciou que os funcionários do BC apoiam a reivindicação do funcionalismo público do país e deseja ser atendido pelo percentual de reajuste inflacionário que o governo Jair Bolsonaro pretende aplicar para a Policia Federal, Polícia Rodoviária e Polícia Judiciária.

Reportagem de Matheus Garcia e Tiago Resende, Folha de S. Paulo de segunda-feira, revela o inicio da adesão do quadro técnico do Banco Central ao movimento unificado dos funcionários públicos marcado para o dia 18 de janeiro na esplanada de Brasília.

RENOVAÇÃO ANUAL – A reivindicação, claro, é justa, sobretudo porque o artigo 37 da Constituição federal determina que os reajustes salariais dos funcionários têm que se basear na mesma porcentagem para todos e a data única de sua entrada em vigor, renovando-se anualmente, porque a inflação também é medida a cada 12 meses pelo IBGE.

O Banco Central tem 3400 servidores e cerca de 500 estão ameaçando se afastar dos cargos comissionados que ocupam, insatisfeitos com a escala de remuneração que lhes é aplicada. Vale observar que o pessoal do Bacen figura no topo da remuneração, inclusive porque não estão sujeitos ao teto de R$ 36 mil por mês, uma vez que se trata de uma autarquia independente, cujo presidente, por exemplo, tem mandato definido, como é o caso de Roberto Campos Neto.

Os vencimentos dos funcionários públicos têm sofrido diminuições desde 2017, pois nesse período não viram a cor de nenhum  reajuste. Com isso, tanto os servidores do banco central quanto de todo o funcionalismo civil perdeu poder aquisitivo, pois os preços sobem sem parar, ao contrário de seus salários.

ABALO – O movimento do pessoal do Bacen abala a posição do ministro Paulo Guedes, já balançada, aliás, por tantos fracassos e contestações. Para Paulo Guedes, os preços podem subir à vontade, mas, ao contrário, os salários têm que ficar congelados, o que representa uma diminuição lógica do poder de compra. O movimento dos funcionários públicos civis têm ganhado corpo e receberam um apoio importante dos funcionários do Banco Central.

Importante sobretudo porque os funcionários do Banco Central têm uma escala de remuneração diferente a exemplo das estatais, como é o caso da Petrobras, do Banco do Brasil, de Furnas, da Eletrobras e da Caixa Econômica Federal que possuem um fundo de complementação salarial que se aplica quando se aposentam.

COMPLEMENTAÇÃO – O fundo é essencial para o pessoal do Bacen e para as estatais, uma vez que o teto de aposentadoria para o INSS, do qual são contribuintes, é de R$ 6.600 por mês. Alguém, por exemplo, que ganha R$ 10 mil, pode se aposentar com R$ 6.600? Sofrer tal diminuição? Aí entra o fundo de complementação. Por tanto, o quadro do Banco Central faz parte de uma elite técnica formada por especialistas com diploma de nível superior, Mestrado e Doutorado, em número expressivo de casos com cursos realizados no exterior.

Portanto se técnicos capacitados assim estão lutando por reposição inflacionária, que a meu ver é de 25%, de 2017 a 2021, imaginem os leitores a aflição que desaba sobre a média do funcionalismo civil que não possui tais qualificações, mas que têm que viver, sustentar suas famílias, pagar as suas contas em dia e enfrentar os aumentos de energia elétrica, gasolina e alimentos nos supermercados. Acho que o funcionalismo federal deve enviar documento nesse sentido ao ministro Paulo Guedes e ao presidente Jair Bolsonaro.

TERCEIRA VIA  – Reportagem focalizando o posicionamento de empresários e banqueiros a respeito da terceira via de Julio Wiziack, Folha de S. Paulo de ontem. A matéria acentua que as classes empresariais que sempre acompanham com interesse especial os debates políticos, principalmente as eleições, têm razões fortes para isso, pois como todos sabem, são fontes de financiamento para campanhas eleitorais. Quanto mais forte estiver o candidato, maior a facilidade para ele, é claro, caso de Lula.

Em relação a Jair Bolsonaro, o apoio também se fará sentir porque ele é o atual presidente da República e tem, portanto, o controle sobre a caneta mágica que se aplica a um número enorme e pouco transparente da administração pública. Os casos que precederam o embate de 2022 são suficientes para explicar e iluminar os bastidores e sombras políticas que não são da visão clara dos eleitores e das eleitoras.

A terceira via desapareceu com a queda de Ciro Gomes, de acordo com o Datafolha e o IPec,  ultrapassado por Sergio Moro.  É possível que o ex-juiz avance mais um pouco. Ele atualmente tem nove pontos, mas dificilmente, na minha opinião, ultrapassará 15% dos votos. Além disso, Lula está reunindo condições para vencer a sucessão de outubro deste ano no primeiro turno.

DESDOBRAMENTOS – Os banqueiros, industriais e comerciantes , sem dúvida alguma, acompanham com grande interesse os desdobramentos e os limites de cada candidatura. João Doria, por exemplo, com quatro pontos , entra em seu limite, sobretudo porque tem uma rejeição de 34%. Muito alta para quem se encontra ainda bem atrás na maratona.

Para termos uma ideia, a rejeição de Doria é igual a de Lula. Mas o petista tem 48% das intenções de voto. A rejeição a Bolsonaro varia entre 55% a 59%. Mas ele tem 22% de eleitores dispostos a votar nele.

CLUBES –  Os clubes se transformarão em empresas? Esse foi o tema focalizado na edição de segunda-feira de O Globo, por Tatiana Furtado, referindo-se aos investimentos empresariais a serem destinados ao Botafogo e ao Cruzeiro, que se transformariam em sociedades anônimas. Os clubes de futebol têm preço ? Não adianta colocar no papel o ativo das agremiações esportivas. Não podem ser traduzidos em valores econômico-financeiros porque eles operam no terreno sensível da paixão popular.

As receitas produzidas pela presença dos torcedores variam de acordo com a colocação dos times nas tabelas. Além disso, tem que se abrir uma chave para a contratação de jogadores e também não vou esquecer de frisar, a venda de craques que surgem das escolinhas de futebol e que vêm de campos humildes de peladas. Mas estes casos são exceções,  cujas transações rendem lucros aos que dirigem os clubes.

Quanto à rentabilidade dos investimentos previstos (R$ 400 milhões para o Cruzeiro através da empresa de Ronaldo Fenômeno), dificilmente poderão proporcionar um lucro superior ao da aplicação normal em papéis do mercado financeiro.

VACINA OBRIGATÓRIA –  O debate sobre a vacina obrigatória está sendo alimentado pelo presidente Bolsonaro e  pelo ministro Marcelo Queiroga,  que encontra exemplo no tempo da História do Brasil.

Aconteceu em 1922, quando Oswaldo Cruz no governo Epitácio Pessoa, lançou a vacina obrigatória contra a febre amarela. O governo Bolsonaro recuou um século para se tornar testemunha de mais uma etapa de casos absurdos.

9 thoughts on “Servidores do Banco Central querem receber reposição inflacionária dos salários

  1. Tudo são consequências do apoio ao golpe de 2016 que resultou na eleição de Bolsonaro. É a democracia funcionando.
    Todo povo tem o governo que merece.

  2. Concordo com o comentarista Ronaldo. A categoria de classe A dos servidores públicos, votou em massa no Bolsonaro e agora leva o troco.
    Quem pensava equivocadamente, que esses servidores no topo da escala salarial, fosse petista, está redondamente enganado.
    São Udenistas de carteirinha e jamais perfilariam ao lado dos trabalhadores.
    Votaram no Bolsonaro, não porque gostavam deles, tirando uma parcela, que votou ideologicamente no mito, votaram para afastar o PT do Poder.
    Essa classe média altíssima, que não se considera como integrante do proletariado, começa a fazer barulho por aumento salarial.
    Marcaram manifestação no dia 18 de janeiro, tudo bem, más, não terá o apoio da população.
    O povo sabe com quem pode contar: com eles mesmos, pois a classe alta dos servidores públicos do pensa neles e os políticos com a próxima eleição e com a continuidade no Poder, e as delícias das mordomias.
    O Brasil está virando, o paraíso do patrimonialismo, o tudo por dinheiro e as pessoas, mero produto para faturamento geral e irrestrito.
    Começo a ficar preocupado com a deterioração da sociedade, com a empatia do ser humano, com a melhoria do país.
    Vivemos hoje, a teoria do caos, do atraso, do retorno a Idade Média, do cada um por si e Deus que cuide de todos. Mas, Deus não se mete nessa coisa mundana, nesse materialismo vulgar, nessa corrida do ouro, do Eu primeiro e os outros que se virem.
    É assim, que as sociedades começam a ruir, como na Síria, na União Soviética, na Iosgulavia, na Líbia e aqui bem pertinho de nós, na Venezuela.
    Ninguém da Elite do Poder, nem na Elite do Funcionalismo se preocupa com a pobreza e com o desemprego que assola o país, de ponta a ponta.
    A Reforma Trabalhista feita pelo Temer destruiu os Sindicatos, que não valem mais nada, pois atingiram a economia das Centrais Sindicais, que tocavam as greves por aumento, com o fim do Imposto Sindical, sem dinheiro, sem amor pela causa. Simples assim, não é ?
    E tem mais, o Guedes e o Bolsonaro, ainda querem fazer uma nova Reforma Trabalhista, para acabar com o Sindicalismo de vez, entretanto, acho que não vai dar tempo, pois os parlamentares não gostam de fazer o MAL em ano de eleições. Quem sabe, num segundo governo Bolsonaro, todas as Reformas venham com tudo, para acabar de vez, com a Política do Bem Estar Social.
    Os empresários querem isso e tudo irão fazer para o Bolsonaro permanecer.
    Vamos ver.

  3. Mestre Pedro do Couto, você fez uma análise precisa da Terceira Via.
    Moro não subiu nas pesquisas e o Ciro estacionou. João Dória patina no fim da fila.
    Isso não é bom para Bolsonaro, que está estacionado nós 20% e caindo cada vez, que dá seus tirinhas no pé, como agora deu, indo contra a vacina no braço das crianças e tirando férias, enquanto o povo do sul da Bahia sofria o pão, que o diabo amassou, com as enchentes e a perda das suas casas.
    O governo terá que trabalhar para algum candidato crescer e no somatório de cada candidato, conseguir impedir a derrocada anunciada do segundo turno.
    É uma operação complicada, pois a Ditadura Militar tentou essa operação no Rio de Janeiro em 1982 e se deu mal:
    Para impedir a vitória anunciada de Miro Teixeira, então liderando as pesquisas eleitorais, os militares aborrecidos com o discurso de Miro em Madureira, contra a Comunidade de Informações, o governo federal investiu na campanha de Brizola. Resultado: Brizola cresceu tanto, que assumiu a liderança nas pesquisas. Ficaram então, apavorados, pois o candidato do sistema era o gato angorá, Moreira Franco.
    Bateu o Pânico nos estrategistas do Planalto. Sem saída, tentaram a fraude da Proconsult. Um tal de comando Delta invadiu os computadores do TRE colocando no colo de Moreira, os votos brancos e nulos.
    O fato foi denunciado por jornalistas Patriotas do Jornal do Brasil e a operação foi cancelada.
    Brizola foi eleito governador.
    O Mito está ansioso, com a queda nas pesquisas, deste ano, portanto, podem esperar pelas mais ardis tentativas, dele ir para o segundo turno, que é uma nova eleição. O Mito voltou a condenar as Urnas Eletrônicas.
    Se perder irá fazer barulho e não entregará o Poder com tanta facilidade.
    Iremos viver esse ano, o fantasma de Donald Trump. Precisa dizer mais?

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *