Servir ditadura , com total SUBSERVINCIA, trajeto seguro para uma carreira PRECOCE. E at mesmo ETERNA, depois que a ditadura se foi. Marco Maciel fez tudo isso

Alfredo Carlos Vasconcellos:
Helio, acompanho a carreira de Marco Maciel desde 1965, nunca ouvi qualquer acusao de ele ser corrupto. Realmente, foi colaborador do movimento de 64, desde o incio.

Comentrio de Helio Fernandes:
No quesito CORRUPO, voc est com a razo: Marco Maciel poderia desfilar pela passarela da Sapuca, sem qualquer restrio. Mas no resto, Alfredo, Nossa Senhora, que cumplicidade com os horrores da ditadura. Apenas preocupado, interessado e voltado para enriquecer a prpria biografia.

Veja se no regime dito democrtico, com o voto, a urna e o povo, mesmo desastradamente antipartidrio e antipovo, poderia fazer a carreira que fez?

Vejamos as lembrana que ficaram desse pigmeu poltico, (embora altssimo no fsico) em 45 anos de atividade. De 1965 at hoje, quando continua em pleno aproveitamento da vida pblica.

Escrever sobre MM condenar o favoritismo dos DITADORES aos mais SUBSERVIENTES. Semnenhuma dvida, MM um Sarney, que chegou a presidente pela vice, coisa que tambmpoderia ter conseguido, foi VICE-VERSA POR 8 ANOS.

Comecemos pelo assombro de manuteno no poder, que esse espantoso Marco Maciel. H dias completou 70 anos, pela trajetria e pela SERVIDO SEM CONVICO, parece o dobro ou o triplo. Como nasceu em 1940, no golpe de 64 j descobrira os caminhos da glria e da permanncia no Poder.

Tinha ento 24 anos, no vou nem atender s exigncias da memria, no haveria espao. Em 1 de abril de 1964, quando Paulo Guerra traiu Miguel Arraes, que o colocara como vice, e assumiu o governo de Pernambuco, MM foi convidado e aceitou ser assessor-conselheiro do governador. Se aos 70 anos, sabe pouca coisa, como podia ACONSELHAR um governador, mesmo com aspas e paets, aos 24? Que Repblica.

O importante para ele e sua ambio: estava ao lado do governador, sem crach e com trnsito livre, era tudo o que precisava para levantar vo na vida poltica. Por enquanto apenas estadual, mas que sabia, seria logo, logo, nacional.

Deputado estadual e federal era o comeo, at que a certido de idade mostrasse que j tinha condies para ocupar cargos que estipulavam limites para entrar. Lgico, se filiou Arena, que no impunha limites para sair, desde que no contestasse os lderes.

Aos 36 anos, sua grande faanha: nos bastidores da Arena, disputava a indicao para governador de Pernambuco com o PRPRIO PAI, indito e inacreditvel, mas rigorosamente verdadeiro. O filho, indicado pelo ex-governador Nilo Coelho para a sucesso de Eraldo Leite. O pai, apadrinhado pelo traidor e tambm ex-governador Paulo Guerra. Tudo era Arena, o MDB, no tinha vez.

Mas como todo poder ditatorial vinha do presidente da Repblica, quando Geisel recebeu a comunicao para decidir, ficou indignado, reclamou: Isso ser uma desmoralizao. No indicou nenhum dos dois, nomeou Moura Cavalcanti, que na verdade no precisava, mas era quem tinha votos, e se elegia antes da ditadura.

Tomou posse, governou de acordo com as normas ditatoriais, mas no abandonou MM. Com 36 anos, foi eleito, perdo, nomeado presidente da Cmara dos Deputados. Quase to moo quanto Pedro Aleixo, s que este, grande e extraordinria figura. Geisel precisava de um presidente da Cmara, pois iria fech-la para fazer as “reformas”, e a ditadura amenizar a derrota de 1974 para o Senado, quando o MDB preencheu 16 das 22 vagas. O homem, nesse momento, era MM.

MM correspondeu ao esperado, permitiu tudo. Geisel criou os senadores binicos, vigorariam para 1978, quando seriam disputadas duas vagas para o Senado. Uma passou a ser de nomeao da ditadura, que j saa com 22 vitrias garantidas.

(Quanto aos BINICOS, Geisel seguia a inspirao de Vargas em 1933 para a Constituinte de 1934. Nomeou binicos trabalhadores e binicos patronais, todos eternizados como P-E-L-E-G-O-S. E que deram a ele a CONSAGRAO da ELEIO INDIRETA, frustrando o pas inteiro, que esperava a primeira eleio direta.

Numa carreira espantosamente FULMINANTE, com 36 anos, presidente de uma Cmara meio ABERTA e meio FECHADA, foi indicado por Geisel para governador de Pernambuco, com aval do tambm indicado por Geisel, Joo Figueiredo. Aconteceu ento o absurdo dos absurdos, a indignidade das indignidades, a provocao das provocaes. E o que JAMAIS FOI CONTADO.

MM eleito governador em outubro de 1978, mas continuou presidente da Cmara at maro de 1979. Quer dizer, acumulando dois cargos, sendo governador e presidente da Cmara, SI-M-U-L-T-A-N-E-A-M-E-N-T-E, prepotncia indita.

No cumpriu o mandato inteiro de governador, corria contra o tempo para construir a mais rpida carreira de histria. Deixou o cargo, para ser senador em 1982, com a ditadura no fim, mas ainda poderosa. Era apenas uma vaga, quase ia perdendo para Cid Sampaio, que depois seria governador sem aspas.

Aos 42 anos, no tinha limites. Apesar de ser de extrema-direita e catolico, gostava quando repetiam a frase, nem o cu tem limites para MM. Sabia que vencera por muito pouco, e por causa do antidemocrtico voto vinculado. Sua eleio continuava VINCULADA DITADURA.

Com essa CARREIRA SEMPRE ASCENDENTE, nada SURPREENDENTE que pensasse na Presidncia em 1985. Indireta e ainda dominada pelos resqucios (que palavra) da ditadura. Figueiredo no queria Maluf INDIRETO contra Tancredo Neves, aceitava MM candidato. Mas o sistema, apesar de tudo e dos servios que PRESTARA, no o aceitou.

No incio de 1984, vspera da eleio indireta para sucesso de Figueiredo, comunicou ao partido que seria candidato a presidente em 1985. Mas a repercusso da emenda Dante de Oliveira, das DIRETAS J, apesar de derrotada por 22 votos, mudou todo o panorama visto da ponte da ditadura.

Dentro do PDS, (sucessor da famigerada Arena) no ganhou de Andreazza, Maluf e do vice-presidente Aureliano Chaves. Ex-governador de So Paulo, Maluf era notvel articulador e pagador (no de promessa, claro), foi o vencedor dentro do partido, e candidato contra Tancredo. (At o PT votou em Maluf, expulsou os deputados que votaram em Tancredo).

MM ainda tentou, desesperadamente reverter a situao, presidente (?) aos 45 anos, que maravilha viver. Lanou ento, no Senado, a MAIS IMORAL e INDECENTE proposta, intitulada PARTICIPAO E COMPROMISSO, que defendia a implantao de um sistema eleitoral, em que todos OS CARGOS FOSSEM PREENCHIDOS POR ELEIO DIRETA.

Com seu passado, isso era uma aberrao completa, deveria ser considerado INELEGVEL para SEMPRE. No ROUBAVA dinheiro, mas ROUBAVA a dignidade da vida pblica. E continuou assim.

Em 1990, renovou o mandato de senador, uma excrescncia. Havia tentado, em 1989, a indicao presidencial j pelo PFL. Perdeu para Aureliano, que foi o candidato. No segundo turno, apoiou Collor.

Com tudo o que acontece entre 1990 e 1994, chegou a procurar Leonel Brizola para conversar sobre a eleio de 1994, sucesso de Itamar. Este lanou surpreendentemente o nome de FHC. MM ficou desolado e desesperado, coordenou o prprio nome para vice-presidente.

Depois de muita conversao, foi VETADO pelo PSDB, medo da repercusso de escolher um homem to SUBSERVIENTE ditadura. Preferiram Guilherme Palmeira, senador das Alagoas. Mas faltando 3 ou 4 meses para a eleio, surgiu um dossi contra Palmeira, o PSDB recuou, retirou seu nome e indicou quem? MM, que aceitou gostosamente, FHC j liderava as pesquisas. FHC COMPROU a REEELEIO, onde estava MM? DOOU as maiores empresas ESTATAIS, prejuzo de TRILHES para o Brasil, onde estava MM?

***

PS No corrupto, de BOTAR DINHEIRO NO BOLSO. Mas de se manter SILENCIOSO ENQUANTO O PAS DEVASTADO E SE EMPOBRECE com o ENRIQUECIMENTO de grupos MULTINACIONAIS, como que se chama isso?

PS2 Sem que ele mesmo esperasse, foi indicado pela Organizao Globo, para preencher a vaga (sempre vaga) de Roberto Marinho na Academia. O que pretendiam? Impedir que o sucessor atacasse Roberto Marinho?

PS3 MM sem ttulos ou credenciais, cumpriu o VOTO DO SILNCIO, como se fosse uma NOVIA REBELDE. Mas j passara dos 60 anos e jamais se rebelara, a no ser quando era REPELIDO.

PS4 Agora, diante do impasse e da obrigao de Serra esperar Acio, trabalhou dentro do partido a volta a vice. Raciocinava: se no assumiu o cargo em 8 anos, em outros 8 os fatos no se repetiriam, assumiria. No conseguiu a indicao.

PS5 Mas espera, tem pacincia. Isso garante. Quanto ao tempo, um jovem de 70 anos, sem convico, acredita apenas no destino e na l-o-n-g-e-v-i-d-a-d-e.

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