Silvio Santos tenta passar a borracha em seu passado de bajulador dos sucessivos governos militares.

Carlos Newton

Morreu na semana passada Dom, o remanescente da dupla Dom & Ravel, que surgiu em meados da década de 60 e conquistou o país com a música “Eu te amo, meu Brasil”, que estourou nas paradas de sucesso quando a seleção saiu-se tricampeã no México. Ravel, já havia morrido há alguns anos.

Na época, Silvio Santos se aproveitou do sucesso da dupla, incentivando os dois irmãos a continuarem compondo músicas ufanistas, que apresentava em seu programa aos domingos, para bajular os governantes militares. Quando pleiteava sua primeira estação de TV, Silvio Santos fez com que a dupla Dom e Ravel, no auge da fama, viajasse a Brasília para pedir ao presidente Geisel que desse a concessão ao homem do Baú, e foram atendidos.

Vejam como as coisas mudam. Agora, na morte de Dom, o telejornal do SBT esqueceu (ou passou a borracha) na ligação entre a dupla e Silvio Santos. O texto lido pelos apresentadores era só de críticas a Dom & Ravel, por seu apoio ao regime militar.

Quanta hipocrisia. Silvio Santos agora é de esquerda, coloca no ar uma novela (“Amor e Revoluçao”) exaltando os que lutaram contra a regime militar de 64, dá um golpe espetacular na Caixa Econômica Federal, passa adiante o Banco PanAmericano, completamente falido, não acontece nada, e adivinhem quem patrocina o Jornal do SBT. Ora, a Caixa Econômica Federal, é claro. Afinal, não são parceiros?

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