Sinal vermelho: País tem rombo de US$ 25 bilhões no trimestre, o maior desde 1970

Eduardo Rodrigues e Victor Martins
Agência Estado

BRASÍLIA – As contas externas do País registraram um recorde negativo no 1º trimestre. O déficit em transações correntes somou US$ 25,186 bilhões no acumulado do trimestre, o maior da série histórica do Banco Central, iniciado em 1970. Antes, o maior rombo nas contas externas havia sido registrado no primeiro período de 2013, quando somou US$ 24,7 bilhões. Em março, o déficit foi de US$ 6,248 bilhões.

As transações correntes fazem parte de uma conta maior, o Balanço de Pagamento, que representa a poupança do País. O BP teve saldo positivo de US$ 1,7 bilhão.

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, avaliou que os resultados das contas externas de março ficaram próximos do esperado, sendo inferior aos déficits apurados de fevereiro deste ano e março do ano passado. “Em doze meses, esse déficit caiu. No trimestre ficou muito próximo do mesmo período do ano passado”, afirmou.

Para Maciel, a reação lenta da balança comercial do primeiro trimestre fez o déficit aumentar nessa comparação. “O resultado comercial ficou abaixo do esperado nesse período em função dos preços desfavoráveis de produtos importantes da nossa pauta, que estão em patamar relativamente baixo, em especial os produtos agrícolas. A gente espera melhora da balança comercial ao longo do ano, porque os preços estão melhorando na margem”, acrescentou.

TURISMO EXTERNO

Maciel destacou ainda uma mudança na conta de serviços, com destaque para os gastos com viagens internacionais. “Os gastos vinham crescendo de maneira expressiva em 2013, mas o primeiro trimestre de 2014 mostrou estabilidade em relação ao mesmo período de 2013”, disse o economista. Segundo ele, a mudança está relacionada com a alta do câmbio. “O dólar mais alto desestimula essas viagens, isso influencia mais do que o crescimento da massa salarial”, completou.

O resultado de março ficou dentro do intervalo previsto, segundo levantamento da Agência Estado, que apontava déficit entre US$ 5,5 bilhões e US$ 8,100 bilhões, mas abaixo da mediana de US$ 6,400 bilhões.

De acordo com o BC, a conta de rendas ficou negativa em US$ 2,812 bilhões. A de serviços, negativa em US$ 3,658 bilhões. Essas saídas de recursos não puderam ser compensadas por um superávit comercial de apenas US$ 112 milhões no mês e por transferências unilaterais positivas em US$ 110 milhões.

No acumulado dos últimos 12 meses até março, o saldo está negativo em US$ 81,556 bilhões, o que representa 3,64% do PIB.

INVESTIMENTO ESTRANGEIRO

Os Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) somaram US$ 4,995 bilhões em março, abaixo dos US$ 5,739 bilhões registrados no mesmo período do ano passado. No acumulado de 2014, o IED soma US$ 14,171 bilhões (2,65% do PIB). No mesmo período do ano passado, o IED acumulado era de US$ 13,256 bilhões (2,47% o PIB). Em 12 meses até março, o IED está em US$ 64,961 bilhões, o que corresponde a 2,90% do PIB.

O Banco Central informou que o investimento estrangeiro em ações brasileiras, dentro e fora do País, ficou positivo em US$ 1,303 bilhão em março. No mesmo período do ano passado, estava positivo em US$ 1,850 bilhão. No acumulado do ano até março, o valor caiu de US$ 7,094 bilhões em 2013 para US$ 319 milhões em 2014.

O saldo para ações negociadas no País ficou positivo em US$ 1,310 bilhão em março e está positivo em US$ 317 milhões no acumulado de 2014. Em relação aos papéis negociados no exterior, o investimento estrangeiro ficou negativo em US$ 7 milhões no mês passado e está negativo em US$ 2 milhões no acumulado do ano.

RENDA FIXA

O saldo de investimento estrangeiro em títulos de renda fixa negociados no País ficou positivo em US$ 5,785 bilhões em março. No mesmo mês de 2013, o resultado havia sido positivo em US$ 1,448 bilhão.

No acumulado do ano, entraram no País US$ 11,643 bilhões para renda fixa, ante US$ 1,752 bilhões no mesmo período do ano passado. Em junho de 2013, o governo zerou o IOF sobre esse tipo de aplicação.

O investimento em títulos negociados no exterior ficou negativo em US$ 591 milhões em março. No mesmo período do ano passado, o saldo dessas aplicações ficou positivo em US$ 949 milhões. No acumulado do ano, o valor passou de positivo em US$ 260 milhões nos três primeiros meses de 2013 para negativo em US$ 598 milhões no mesmo período de 2014.

5 thoughts on “Sinal vermelho: País tem rombo de US$ 25 bilhões no trimestre, o maior desde 1970

  1. Não se preocupem. Dia desses dão uma garfada pra valer no bolso e nos pés de meia da moçada, empurram mais um tempo os problemas com a barriga, ela fica a chorar suas perdas uns quantos anos e acompanhar ansiosa os inúmeros pedidos de vista na JUSTIÇA. E, se ultrapassar os limites do protesto, levará umas porradas da PM e ainda será tachada de baderneira por alguns calhordas aqui.

  2. Brasil vai de mal a pior nas transações correntes. Ano passado fechamos com um déficit em torno de US$80,0 bilhões, ou 3,6% do PIB. Este ano a previsão do Banco Central para o déficit de transações correntes é similar a 2013 – US$81,0 bilhões.

    Em termos de manutenção das nossas reservas, a sorte é que a conta financeira está compensando com entrada de dólares em volume superior à saída de dólares ocasionada pelo déficit em transações correntes.

    Assim o Balanço de Pagamentos no período ficou positivo em US$1,7 bilhão, como bem assinalou o artigo.

  3. O déficit em transações correntes evidencia o efeito colateral de duas políticas mantidas neste governo: a manutenção da sobrevalorização do real e a política de estímulo do consumo.

    Com a sobrevalorização do real ocorre a exposição da nossa indústria à competição com indústrias mais competitivas que colocam seus produtos aqui no mercado nacional a preços menores que os produtos nacionais.

    O resultado é a retração do nosso setor industrial, que nos últimos anos encolheu, favorecendo ainda mais as importações pela necessidade de atender ao nosso mercado consumidor que vem aumentando, principalmente, na base do aumento do crédito oferecido pelo setor financeiro. Há, também, aumento do consumo induzido pelos aumentos do rendimento médio real habitual do trabalhador brasileiro.

    Ano passado consumimos R$123,0 bilhões a mais do que a economia nacional foi capaz de produzir, isto é, esse montante foi suprido com produtos e serviços vindos de fora – do resto do mundo – gerando um déficit, cuja tendência este ano demostra ser, ainda, maior.

    Tal fato deve ser lido como o vazamento de poupança, da economia do Brasil para outros países. O que logicamente não é bom.

    Se um dos agentes com grande peso nesse consumo é o próprio governo que vem, cada vez mais, aumentando a sua despesa (consumo), bom sinal daria se passasse a demonstrar maior responsabilidade fiscal reduzindo os seus gastos e, com isso, favorecendo a balança comercial brasileira e o balanço de pagamentos como um todo.

    Reduzir os 39 ministérios para no máximo uns 20 já seria de bom alvitre.

  4. Bem melhor que o artigo, foram os comentários do Sr. Wagner Pires, sintetizando o assunto em relação aos seus aspectos mais relevantes, para a compreensão de todos.
    Principalmente, tranquilizando a todos sobre as nossas reservas cambiais, transformada em calcanhar de Aquiles, no contexto da administração da nossa política econômica..
    Oportuna, a charge do Sponholz…

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