Sindicalistas advertem: demissões em Furnas podem causar apagão

Carlos Newton

Se não houver uma solução positiva para o problema dos contratados e servidores absorvidos por Furnas, que se encontram há mais de 10 anos trabalhando na empresa, o fornecimento de energia elétrica no país corre o risco de sofrer interrupção, repetindo o apagão de 2001 no governo FHC. A advertência é do secretário-geral do Sintergia, Luiz Fernando Souza, e do diretor da Associação dos Empregados de Furnas, Jordan Drumond Pimenta.

A empresa possui 6.586 empregados e não tem condições de funcionar com apenas 3.786, exatamente os mais antigos, a maioria já completando o tempo para aposentadoria. Furnas produz e transmite 41% da energia consumida no país e abastece áreas de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, responsáveis por 63 por cento do PIB nacional.

A questão – frisaram os dois sindicalistas – vem se arrastando na Justiça, enquanto se espera uma decisão da presidente Dilma Rousseff, criando um estatuto com base no art. 173 da Constituição. Não só em relação a Furnas, que possui 2,8 mil contratados, mas incluindo a Petrobras, que tem 291 mil, e o Banco do Brasil com mais de 30 mil, além dos contratados da Caixa Econômica Federal e dos Correios.

No setor elétrico, se houver demissões ou greve, a primeira cidade atingida será Brasília. Pois dos 156 trabalhadores que operam a subestação de Samambaia, responsável pelo abastecimento da capital, 147 são contratados.

No final da tarde de terça-feira, houve uma reunião dos contratados, nas dependências de Furnas, que contou inclusive com a presença e o apoio do engenheiro Flavio Decat, presidente da estatal, e que acentuou seu empenho em resolver o problema.

Luiz Fernando Souza e Jordan Drumond Pimenta destacaram a importância, para Furnas, de todos os empregados, de forma geral, agirem para fortalecer Flavio Decat. Lembraram que antes do governo Collor, Furnas possuía em seus quadros 12.500 servidores. Mas com o programa de demissões incentivadas de então, que visava privatizá-la, esse número recuou para apenas 2.400. A empresa estava para ser vendida com um passivo muito pequeno, como convém aos compradores.

Hoje, reúne 6.586, quadro reduzido, sobretudo levando-se em conta sua expansão nos setores de geração e transmissão dentro do PAC. Além das hidrelétricas de Santo Antonio, Simplício e Batalha, Furnas comanda a construção da maior linha de transmissão de energia do mundo, de Porto Velho, em Rondônia, até Araraquara, em São Paulo. Essa linha vai do Rio Madeira até o maior centro de produção industrial brasileiro.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *