Sindicalistas temem mais retrocesso nos direitos sociais

Carolina Gonçalves
Agência Brasil

Com a menor bancada sindical no Congresso Nacional desde 1988, quando 44 sindicalistas compunham a representação no Legislativo, segundo levantamento do Sindicato de Servidores Públicos Federais (Sindsep), trabalhadores temem o retrocesso de direitos adquiridos ao longo dos últimos anos. O número de representantes da categoria no Legislativo caiu pela metade, de acordo com os resultados das urnas em outubro, e passará dos atuais 83 parlamentares para 46 a partir deste ano.

Por outro lado, a bancada empresarial que defende interesses de diversos setores manteve composição significativa na Câmara e no Senado, apesar de perder mais de 50 representantes na próxima legislatura. Os empresários passarão dos atuais 246 parlamentares para 190 no dia 1º de fevereiro.

Todos os números no Congresso podem mudar com as definições do Planalto sobre os cargos no Executivo, mas, ainda que nomes sejam cotados, o equilíbrio de forças dificilmente será alcançado. Do lado dos sindicalistas estão outros setores considerados vulneráveis como os movimentos indígenas e a comunidade LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e travestis).

CONSERVADORES EM ALTA

Diante dos resultados das urnas, especialistas do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) concluíram que a nova composição do Congresso é a mais conservadora desde 1964, pelo número de parlamentares eleitos ligados a segmentos militares, policiais, religiosos e ruralistas. O analista político do Diap Antônio Augusto de Queiroz prevê que, com essa composição, a tendência é que “algumas conquistas, como a garantia dos direitos humanos, sejam interrompidas ou até regridam”.

Levantamento do Diap mostrou, por exemplo, que, enquanto nenhum dos candidatos que se autodeclarou indígena foi eleito para a Câmara dos Deputados, a bancada ruralista cresceu. Números da Frente Parlamentar da Agropecuária revelam que os representantes do setor passarão dos atuais 14 senadores e 191 deputados para 16 senadores e 257 deputados.

DE BOLSONARO A WYLLYS

O novo cenário pode significar a retomada de matérias como a proposta de emenda à Constituição (PEC 215/00) que é alvo de protesto de grupos indígenas. O texto, que deve ser arquivado sem votação com o fim da atual legislatura, transfere a competência da União na demarcação das terras indígenas para o Congresso e possibilita a revisão das terras já demarcadas.

No caso de policiais e setores vinculados, como o de apresentadores de programas policialescos, foram eleitos 55 deputados, como o delegado da Polícia Federal Moroni Torgan (DEM), candidato mais votado do Ceará, com 277 mil votos, e o coronel da reserva da Polícia Militar Alberto Fraga (DEM), o mais votado no Distrito Federal, com 155 mil votos. Parte desses nomes defende propostas como a revisão do Estatuto do Desarmamento.

Na mesma linha, mais de 464 mil eleitores do Rio de Janeiro decidiram reeleger o atual deputado Jair Bolsonaro (PP), militar da reserva que segue para o sétimo mandato. Por outro lado, no mesmo estado, a população também elegeu, com mais de 144 mil votos, o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), principal nome ligado ao movimento LGBT.

14 thoughts on “Sindicalistas temem mais retrocesso nos direitos sociais

  1. Digo que essa gente supostamente e auto intitulados progressistas não passam de um bando de canalhas defensores dos direitos “dus manus” e estão pouco se lixando para os direitos das verdadeiras pessoas de bem que são diariamente roubadas, estupradas e humilhadas por monstros que tem todo o apoio de entidades que só servem para defender direito de bandidos como OAB e partidos como os Petralhas.
    È um processo demorado, mas aos poucos o povo vai reconhecendo quem realmente está defendendo os seus direitos(principalmente o sagrado direito a vida e segurança) tais como o deputado Bolsonaro e separando o joio do trigo, mas infelizmente escrecências morais como esse Jean Willys ainda são eleitos.

  2. Senhores Sindicalistas!
    Que alegria a posição que ocupam sejam nos sindicatos, federações ou confederações!
    Passaram a fazer parte da nobreza nacional!
    Não precisam mais trabalhar!
    Como qualquer individuo que se elege para o legislativo mas mirando cargo executivo, o interesse maior é a sacripanta boca! O passeio, a viagem, o bom restaurante, a vida a tripa forra!
    E, o trabalhador? Realmente é uma preocupação constante ,…mas para pagar a conta!
    Se sua representação no Congresso foi reduzida pela metade! Sorte de quem ficou numa boa……mais quatro anos de mamata!
    Como trabalhador sei que V.Sas. estão empenhados arduamente em melhorar coisa alguma!
    SDS
    Feliz 2019!

    • Quando, no Comperj, os trabalhadores pararam contra as condições inumanas do trabalho, o sindicato cutista contratou jagunços para abrirem fogo contra os trabalhadores. RIDICULOS !

  3. Caro Jornalista,

    Deixa eu ver se entendi:

    -Quer dizer que enquanto o povo estava votando nos candidatos da BANCADA SINDICAL o país caminhava para a DEMOCRACIA.

    -Mas agora, como parte da população acordou e resolveu votar em quem trabalha (suposto ou realmente) usando mais as mãos do que o gogó e produz alguma coisa de concreto, o país caminha para o RETROCESSO e para um ESTADO POLICIALESCO?

    É isso?

  4. É mesmo? Mas não era o o Aécio que iria acabar com os direitos dos trabalhadores? Agora aguentem a Dilma com seu ministério repleto de direitistas. Batam palmas pra ela enquanto ela se acerta com os conservadores.

  5. Esperam o que? Fizeram silêncio ou vistas grossas para:
    – o engavetamento do projeto que determinava o fim do pedágio para aposentadoria (Paulo Paim)
    – situação dos aposentados relegados a último plano. Só sobe o salário minimo!
    – os reajustes vergonhosos em tempo de crise para parlamentares, aprovados sem rubor
    – apoio à reeleição de Dilma mesmo sabendo que ela estava mentindo quando acusou outro candidato de tirar direitos dos trabalhadores, se eleito, sendo que ela mesma o está fazendo.
    – ampliação das terceirizações nas estatais (com protestos pífios, para só brasileiro ver)
    – corrupção e desmonte do estado, conforme noticiado pelos jornais.
    – Praticam e incentivam o patrulhamento (termo que utilizavam para os considerados de direita), para quem destoa das suas instruções ou opiniões ideológicas ou não.

    Como dizem: Sindicalismo chapa-branca!

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