Sirene de alarme toca no país, porque está aumentando a pobreza extrema

Bolsonaro desde o início do mandato ignora o crescimento da miséria

Pedro do Coutto

Reportagem de Fernando Canzian, Folha de São Paulo, com dados do FGV IBRE – Instituto Brasileiro de Economia, revela um ponto dramático que afeta diretamente a população do país. No primeiro trimestre de 2021, os miseráveis (renda mensal inferior a R$ 246/mês) somavam 16% da população, ou 35 milhões de pessoas.

Desde agosto do ano passado, segundo a FGV Social, quase 32 milhões de pessoas deixaram a classe C (renda domiciliar entre R$ 1.926 a R$ 8.303). A maioria (24,4 milhões) desceu à classe E (renda até R$ 1.205) ou direto à miséria.

SEM COMIDA – Além dos dados da FGV, a reportagem baseou a sua matéria em recente pesquisa do Datafolha. Para se ter uma ideia do circuito voltado para a miserabilidade basta assinalar que o universo percentual é ainda mais alarmante quando técnicos da FGV destacam que milhões de brasileiros e brasileiras no momento não têm sequer a possibilidade de se alimentar.

A fome levantou uma nova realidade que é péssima para todos aqueles que se preocupam com os seres humanos. Fracassou a previsão do governo de que o desemprego iria recuar. Enquanto isso, a informalidade não apresentou qualquer avanço importante, pois caso contrário a pobreza extrema não teria aumentado.

É impressionante a insensibilidade do governo quando se trata de política social permanente, ao contrario da atual que se baseia no auxílio emergencial.

MERCADO DE TRABALHO – O auxílio de emergência esgota-se em curto espaço de tempo. A solução indispensável encontra-se no mercado de trabalho, pois somente os salários são capazes de retirar do porão da sociedade aqueles que cada vez mais nele ingressam.

A pandemia tem a sua influência, mas não é só ela, pois existe uma realidade mais ampla. Essa realidade tem, inclusive, contribuído para o avanço de um panorama no qual mergulha insensivelmente a política econômica traçada pelo ministro Paulo Guedes.

A política de Paulo Guedes, aceita por Jair Bolsonaro, não está resolvendo problema algum. Ao contrário, tem potencializado a falta de solução que não se define à base de pequenas quantias que chegam às mãos e ao estômago das camadas mais carentes dos brasileiros.

SEM RUMO – O estrago da pandemia e da falta de rumo aumentou, como era previsto, uma vez que a direção social do Planalto praticamente não existe. Não era para menos. O presidente da República desde 2020 encontra-se em campanha pela reeleição nas urnas de 2022. Enquanto isso, a miséria vem crescendo.

Crescente, os miseráveis sofrem com perda de renda sucessiva, embora não se possa chamar de renda aquela realidade na qual se insere ao lado da pobreza também um aumento do endividamento interno brasileiro. Esse endividamento aproxima-se de 90% do PIB.

O salário médio brasileiro encontra-se na casa de apenas R$ 2,4 mil por mês. Enquanto isso, como observamos seguidamente, os lucros dos bancos continuam altíssimos: Itaú, Bradesco, Banco do Bradesco e Caixa Econômica Federal são testemunhas e parceiros do êxito.

DO BOLSO DOS BRASILEIROS – Como não existe crédito sem débito, a soma dos lucros, mesmo faltando o do Santander, reflete que a diferença financeira para mais em suas operações saiu do bolso de alguém. No caso, do bolso dos brasileiros sem dúvida alguma. Só pode registrar lucro aqueles que negociaram com êxito no período a que se refere às pesquisas. Quem pagou a conta? Todos nós assalariados.

Para o economista Sérgio Vale, da MDB Associados, o governo Bolsonaro está deixando uma herança maldita para aquele que o sucederá em 2022. Com a atuação do Planalto, o emprego informal tem se tornado permanente, consequência e também causa da pobreza e da desigualdade social. Um outro economista, Samuel Pessoa, da FGV, acentua que o governo conduziu o Brasil a um casamento com a mediocridade. Há uma cadeia de fatos e reflexos em relação aos quais o governo não consegue pelo menos perceber.

Acho até que não poderia perceber, uma vez que Paulo Guedes continua no Ministério da Economia com poderes diretos e indiretos na onda econômica brasileira. Onda cada vez mais fraca e injusta para com os pobres. A pobreza diminui porque a miserabilidade cresceu. O impasse brasileiro é gigantesco.

12 thoughts on “Sirene de alarme toca no país, porque está aumentando a pobreza extrema

  1. Pois poderíamos ouvir todas as sirenes do Brasil, que os governantes fariam ouvidos moucos à situação social crítica que nos encontramos.

    A pobreza e a miséria, somadas ao desemprego e ao analfabetismo absoluto e funcional, colocam-nos diante da irreversibilidade deste quadro dantesco.
    Não há mais como trazer para uma condição mínima de sobrevivência, mais de CEM MILHÕES DE PESSOAS!!!

    Vou mais além:
    Comprovo esta minha afirmação, da irreversibilidade dos desvalidos, o aumento CRIMINOSO do Bolsa Família, o maior engodo e crime social praticado contra as pessoas carentes nesta republiqueta.

    Bilhões de reais jogados literalmente jogados fora porque não mata a fome, e não inclui ninguém no mercado de trabalho!
    Em outras palavras:
    Eis o Atestado da Estupidez e Idiotice, de nossos governantes para com o povo brasileiro.

    Roubam nosso dinheiro;
    exploram a miséria e a pobreza;
    somos manipulados pela corrupção, desonestidade e bandidos!

    A presente condição do povo tende a se agravar.
    Primeiro:
    Nada tem sido feito para diminuir o desemprego, nada;
    Segundo:
    os poderes constituídos absorvem totalmente om impostos pagos pelo contribuinte, em razão de salários milionários, privilégios, mordomias, regalias, penduricalhos e auxílios diversos;
    Terceiro:
    A divisão política nacional, radicalizada e polarizada entre dois delinquentes, e duas tendências políticas que se dizem antagonistas mas, entretanto, ambas têm como objetivo roubar, explorar e manipular o cidadão e o País!

    Por que as castas, elites, banqueiros, iriam se preocupar com o pobre?
    Se os governantes são meros fantoches nas mãos desse pessoal, muito menos haverá quem considere os desvalidos como necessitados de atenção.

    A bem da verdade, o povo hoje acusa as consequências de décadas de abandono, de desprezo, de desconsideração pelos três poderes:
    desemprego e analfabetismo, logo, aumento da miséria e pobreza, cuja cereja desta massa aziaga é a falta de Ensino/Educação ineficientes com a grandeza desta Nação!

    O Brasil hoje é um País de categoria inferior, sem futuro, sem qualquer perspectiva de desenvolvimento.
    Se, paradoxalmente, o agronegócio aumenta e traz divisas para o Brasil, carecemos de condições internas para colocar no mercado de trabalho milhões de brasileiros.

    Enquanto o Bolsa Família não for substituído por postos de trabalho, e perder este vínculo demagogo, pernicioso, nocivo e nefasto usado contra os necessitados, teremos a cada ano aumentos neste flagelo social que nos encontramos, a ponto de se atingir uma situação ali, adiante, de total insegurança.

    • Comprovo esta minha afirmação, da irreversibilidade dos desvalidos, o aumento CRIMINOSO do Bolsa Família, o maior engodo e crime social praticado contra as pessoas carentes nesta republiqueta.

      Perfeito.
      Isso foi feito para jogar o povo na pobreza e miséria, assim fica mais fácil a manipulação.
      Os dois vermes sanguessugas bandidos ladrões, genocidas, covardes que deram “a grande criação” dessa Bolsa Miséria estão novamente de mãos dadas para acabar de vez com o povo….

      • Armando,

        Se FHC e Lula foram os mentores intelectuais deste crime social, o Bolsa Família, Bolsonaro segue a mesma trilha perniciosa e nefasta para o cidadão brasileiro!

        Sem interesse algum pelo povo;
        desconsiderando totalmente a gravidade da condição social deste País;
        sem nenhuma atitude para diminuir o desemprego, o analfabetismo,, a miséria e a pobreza, Bolsonaro se torna mais um presidente criminoso, maldoso, mal intencionado, de má fé!

        Abraço.
        Saúde e paz.

  2. A pobreza é miséria está á vista de todos
    Mas alguns usam tapa olho para não enxergarem a realidade., como por exemplo os “jornalixos de plantão”.
    Não precisam nem de ir aos bairros perífericos, onde a miséria já está instalada algum tempo,
    Pessoas que todos os dias reviram os lixos nas calçadas para encontrarem o seu sustento diário.
    Mas vão na Região Central, no Centro Velho do Tucanistão para ver a “Grande Obra” dos Irmãos Metralhas que agora revivem e estão com o AMOR revigorado.
    Ali´, está a misería para o MUNDO ver…., bem numa das maiores Cidades do Planeta…..
    Estamos “venuzuelados” faz tempo ..

  3. Esse empobrecimento do povo brasileiro vem desde o fim do governo militar ..

    O país era pobre, hoje o Brasil é rico, mas o povo empobreceu, desde Sarney ao Temer , o que nós vimos foram os políticos e empresários enriquecendo as custas do povo trabalhador ..
    Agora nesse governo Bolsonaro aqueles que se aproveitavam estão a mingua , a globo que o diga !

    E o fica em casa contribuiu e muito para miséria !!

    • País rico, povo pobre.

      Mas que baita contradição. Que falta do que dizer.
      Então a Globo é a causa da miséria e pobreza do brasileiro?

      Che, o cara até pode ser ignorante, sem problemas – eu sou um deles.
      Agora, o que escreveste é má intenção, manipulação, culpar a imprensa pelos crimes de nossos governantes, principalmente de Bolsonaro e “famíglia”!

      Toma tenência!
      Desde quando uma Nação pode ser rica e, ao mesmo tempo, o povo, na sua imensa maioria, é pobre e miserável??!!
      Aonde foi que leste ou aprendeste esta aberração??

      De que adianta o Brasil ser naturalmente rico, se mal aproveitado, mal explorado, mal conduzido, mal administrado e mal governado?

      Começar uma segunda-feira lendo asneiras, PQP, vou voltar a ver TV, e a Globo!!!

  4. Não temos nenhum projeto de desenvolvimento do país.
    Não temos projeto algum para a educação.

    A renda média só cai, com o congelamento dos salários e da tabela do IR, com os aumentos dos itens essenciais, com o aumento dos impostos, com o aumento da inflação. Então, diminuir gastos é essencial à sobrevivência. E quem perde mais ainda com essa restrição de gastos? O pessoal da camada mais baixa, com a fome grassando entre essa população.

    A fome forçada é uma das maiores mazelas do ser humano e precisa ser combatida de qualquer maneira. O Bolsa família, apesar de todos os seus defeitos, continua a ser um programa essencial para tentar minimizar essa chaga. Mas deveria ser algo transitório, enquanto um plano amplo de desenvolvimento de longo prazo é posto em prática.

    Um grupo pequeno permanece incólume, com seus privilégios mantidos e até aumentados, enquanto a grande maioria padece.

    Parece incrível que uma parte considerável dessas pessoas tenha a fé como único suporte permanente de esperança para melhorar. E essa fé é sempre explorada por gente esperta e sem escrúpulos, sem nenhum senso de empatia e compaixão.

  5. Ronaldo,

    Uma pequena correção:
    A direita quer o bem do Brasil … deles;
    A esquerda quer o bem dos brasileiros, desde que sejam … eles.

    Saúde e paz.

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