Site do PT, que não respeita as orientações de Lula, Franklin e Vannucchi, acusa cunhado de Alckmin por denúncia ainda sob investigação. Se eles não controlam nem o site do PT, como querem controlar a imprensa inteira?

Carlos Newton

O ainda presidente Lula costuma criticar a imprensa por divulgar denúncias sem comprovação, que ainda estão sendo apuradas. Este é um dos seus principais argumentos para defender algum tipo de controle, e o faz com apoio incondicional e entusiasmado dos ainda ministros Franklin Martins (Comunicação Social) e Paulo Vannucchi (Direitos Humanos).

Mas os três esquecem que os jornalistas do próprio PT não fazem outra coisa. Agem exatamente assim. Agora mesmo, está circulando na internet uma notícia escandalosa, divulgada pelo site Macro PT ABC, sob o título “Até cunhado de tucano mete a mão no cofre público… É a família unida”, nos seguintes termos, baseada numa reportagem da Folha de S. Paulo”.

“Paulo Ribeiro, cunhado do governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), está sob investigação do Ministério Público do Estado sob acusação de intermediar o pagamento de propinas a políticos e funcionários públicos que contratavam empresas de merenda. Ontem (dia 28) a Polícia Civil fez uma operação de busca e apreensão na casa de Ribeiro, irmão de Lu Alckmin, a esposa de Geraldo Alckmin. Ele é alvo de investigação que apura crimes de lavagem de dinheiro, superfaturamento e direcionamento de licitação.

A investigação é conduzida pelo promotor Arthur Lemos Jr., do Gedec (Grupo de Atuação Especial de Repressão à Formação de Cartel e à Lavagem de Dinheiro). A  acusação se baseia em escutas telefônicas e documentos apreendidos, aos quais a Folha não teve acesso.

A operação foi feita à procura de documentos que mostrariam detalhes sobre o caminho das comissões pagas por empresas para obter contratos públicos.Há dois anos a Promotoria apura a existência de uma suposta máfia da merenda, que agiria como um cartel para subir os preços.

No esquema, o preço da merenda é sempre superfaturado, funcionários públicos e políticos recebem propina pelo valor mais alto, e o partido do prefeito recebe contribuição não declarada.

A apuração começou em São Paulo, mas hoje se estende a Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e Maranhão. Há prefeituras ligadas a PSDB, PDT e PPS.

O nome de Ribeiro aparece na lista como suspeito de ter atuado como lobista em dois contratos com indícios de superfaturamento, com as prefeituras de Pindamonhangaba e de Taubaté.

Em Pindamonhangaba, cidade natal de Alckmin e de Lu, a prefeitura contratou a empresa Verdurama em 2005 para fornecer merendas para cerca de 30 mil alunos. O pagamento anual é de cerca de R$ 5 milhões.

Em Taubaté, há a suspeita de que Ribeiro teria ajudado a Sistal a elevar o valor do contrato de R$ 10,8 milhões para R$ 25 milhões num período de três anos, sem um grande aumento de alunos”.

Na matéria da Folha, o cunhado de Alckmin é tratado apenas como “suspeito”, não há menção a partidos, mas o blog do PT logo identifica como “prefeituras ligadas a PSDB, PDT e PPS”. Além disso, já providenciou a condenação, no título da matéria. É uma demonstração de que Lula, Franklin e Vannucchi melhor fariam se esquecessem essa obsessão por controlar a imprensa. Se não conseguem controlar nem mesmo os sites do PT, por que teriam a pretensão de policiar todo o resto?

Quanto mais livre a imprensa, melhor, não interessa se o alvo da denúncia é do PT, do PSDB ou de qualquer outro partido. Se a denúncia não for verdadeira, a Justiça está aí para ser acionada, de forma a indenizar a vítima de difamação, injúria ou calúnia, na forma da lei. É assim que a coisa funciona.

E mesmo com a divulgação permanente dos atos de corrupção, é muito difícil alguém pagar por isso no Brasil. É mais fácil um jornalista ser condenado do que um corrupto (ou corruptor, apesar de corruptores serem uma categoria à parte, praticamente fora de qualquer punibilidade). Esta é a nossa realidade.

Por fim, Lula só existe como líder político e fenômeno eleitoral porque a imprensa sempre divulgou suas iniciativas, desde os tempos difíceis do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo. Ele não deveria ser tão ingrato. Pega mal.

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