Situação desesperadora, chances de Dilma diminuem a cada dia

Charge do Iotti, reprodução da Zero Hora

Carlos Newton

Os ministros do chamado núcleo duro tentam demonstrar otimismo com a volta de Lula, que desde a noite de terça-feira está em Brasília mantendo sucessivas reuniões com os dirigentes dos partidos que supostamente ainda estão na base aliada, mas já começaram a costear o alambrado, como dizia Leonel Brizola ao se referir aos desertores. Lula também opera “no varejo”, como diz ele, ao  conversar individualmente com deputados dessas legendas, enquanto os assessores do Planalto fazem e refazem os cálculos das expectativas da votação na Câmara, que será no próximo dia 17 ou, no mais tardar, no dia 24 de abril.

O Planalto só tem garantidos os votos das bancadas do PT, PCdoB, PSOL e PDT. Representam um total de apenas 96 votos. Portanto, Lula tem de se virar para arranjar mais 75 deputados dispostos ao sacrifício de apoiar um governo que nem existe mais.

Acontece que nem mesmo esses 96 votos de PT, PCdoB, PSOL e PDT podem ser considerados garantidos, pois há possibilidades de defecções, inclusive na bancada petista, vejam a que situação chegou o governo Dilma.

LIBEROU GERAL

Lula insiste, tenta convencer os dirigentes, mas a resposta é sempre a mesma: os partidos estão liberando as bancadas, seguindo o exemplo do PSD de Gilberto Kassab (31 votos), que venceu na vida como corretor de imóveis e sabe fazer negócio. Liberar a bancada  significa que não diz sim nem não, e pode continuar usufruindo das benesses do poder sem nenhum ônus. Assim, na hora da verdade os deputados do PSD não terão o menor compromisso de votar contra Dilma. Até agora, 70% (21 votos) já se manifestaram a favor do impeachment.

O mesmo acontece com outros dois partidos importantíssimos para decidir a questão, o PP e o PR, que também não aceitaram as propostas de Lula, liberaram as bancadas e vão aguardar a Comissão de Impeachment, que fará a votação dia 12.

Tradução simultânea: os três partidos já se acertaram também com o PMDB. Ou seja, se no dia 12 a Comissão recusar o pedido de impeachment, o PP, o PR e o PSD aceitam os ministérios oferecidos por Lula e ficam no governo. Porém, se a Comissão aprovar o impeachment, o PP (49 deputados), o PR (40 deputados) e o PSD (31 deputados) fecham com Temer e dão adeus às ilusões.

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PS
Detalhe final: na semana passada, 15 deputados do PP eram a favor do impeachment. Agora, o número aumentou para 22, em viés de alta, como se diz em linguajar estatístico. E o líder do PR, Mauricio Quintella, fala abertamente no “próximo governo”, o que indica já estar considerando que o governo Dilma acabou. E a bela Marcela Temer, que engordou um pouquinho nos últimos anos, está fazendo dieta para sair bem na foto, durante a cerimônia de posse. (C.N.)

5 thoughts on “Situação desesperadora, chances de Dilma diminuem a cada dia

    • Esses prejuízos causados pelo reconhecimento da perda de ativos (impairments), tanto na Eletrobras quanto na Petrobras – nas estatais -, todos eles causados pelo processo de corrupção cujo superfaturamento foi a grande causa.

      Assim, pelo superfaturamento, um ativo que está sendo construído acaba custando muitas vezes mais do que o seu valor real de mercado.

      Por exemplo a refinaria Abreu e Lima cujo preço de mercado real é de R$2,0 bilhões, saiu com um superfaturamento pelo preço de R$18,0 bilhões. Isto é, um valor irreal de R$16,0 bilhões que a empresa terá de dar baixa em sua contabilidade, reconhecendo o prejuízo econômico-financeiro.

      É assim que as estatais estão amargando sucessivos prejuízos.

      Uma desgraça para o país!

      • Em 2014 a Petrobras amargou um prejuízo de R$ 21,587 bilhões devido à perda de R$ 44.636 milhões por desvalorização de ativos (impairment).

        Em 2015 a mesma Petrobras amargou um prejuízo de R$34,836 bilhões que, entre outros motivos, por conta da desvalorização de ativos (impariment) no valor de R$3,04 bilhões.

        Essas perdas de valor de ativo (impairment), volto a repetir, decorrentes do superfaturamento de ativos -como ocorre com as refinarias -, que, estão dando seguidos prejuízos contábeis às estatais. Esses prejuízos decorrem da confrontação entre o valor real de mercado do ativo ou conjunto de ativos das estatais e o preço exorbitantemente superfaturado com que esses ativos foram construídos no processo de corrupção desvendado pela Lava Jato.

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