Situação do país é pior do que se imaginava na campanha

Vicente Nunes
Correio Braziliense

A primeira semana de Dilma Rousseff como presidente reeleita foi de amargar. Nem o mais pessimista dos pessimistas acreditava que, em apenas cinco dias úteis, o governo revelasse que a situação econômica do país é pior do que se imaginava. Agora, se tem a noção clara do porquê o Palácio do Planalto adiou a divulgação de indicadores para depois das eleições. Temos um Brasil quase de joelhos.

Muitos dizem que foi surpreendente a alta de juros promovida pelo Banco Central na última quarta-feira. Não foi. Na verdade, o Comitê de Política Monetária (Copom) já deveria ter elevado a taxa básica (Selic) muito antes, devido à persistência da inflação no teto da meta, de 6,5%. Não o fez pelo desejo de Dilma de ser reeleita. O problema é que a situação se complicou de uma tal forma que, mesmo com a Selic passando de 11% para 11,25% ao ano, a carestia poderá fechar 2014 acima do teto da meta.

Esta semana, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgará o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) dará um sinal explícito nessa direção. A previsão do Banco Santander é de que o indicador tenha subido 0,50% em outubro, cravando 6,68% em 12 meses. Se confirmado, será o segundo mês seguido em que o custo de vida superará o limite de tolerância definido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Até setembro, a inflação bateu em 6,75%.

PLANTANDO INFLAÇÃO

Isso mostra que a presidente Dilma plantou inflação para colher juros. Se realmente estiver disposto a retomar o controle da carestia, o BC terá que avançar no processo de aumento da Selic 2015 adentro. O aperto não vai parar na reunião de dezembro do Copom, quando se espera alta de 0,5 ponto na taxa básica, para 11,75%, o que fará com que a petista encerre o primeiro mandato com os juros um ponto percentual acima da taxa que recebeu de Lula.

Ou seja, se o arrocho dado pelo BC realmente for forte, com a Selic passando de 12%, como espera boa parte dos analistas, há um enorme risco de o Produto Interno Bruto (PIB) fechar o primeiro ano do segundo mandato de Dilma com retração. Juros altos inibem investimentos e o consumo e batem pesado na indústria, que está em recessão profunda — são quatro trimestres consecutivos de queda.

2 thoughts on “Situação do país é pior do que se imaginava na campanha

  1. O Brasil não está de joelhos, está de “quatro” e lambendo o chão da recessão. Isto é óbvio!

    Também é óbvio, que o governo optou por abandonar a austeridade na política fiscal para insuflar artificialmente o mercado de trabalho, seja na manutenção de um aparelho estatal inchado, seja através de subsídios às empresas privadas – por meio dos bancos públicos, especialmente o BNDES – que utilizaram os recursos para fazer capital de giro e manter o mercado de trabalho aquecido.

    Tudo isso, toda a economia nacional está – literalmente – se sustentando em cima da dívida pública.

    Quando a oposição na pessoa do economista Armínio Fraga chamou a atenção para a principal característica de nossa indústria – a falta de produtividade – ele, praticamente mostrou isso à sociedade. Que a economia e, principalmente o mercado de trabalho, está sendo mantido artificialmente pelo governo através do endividamento público e não por competência.

    Ao governo petista já estão garantidos os próximos quatro anos. Para garantir os próximos 12, com o retorno da figura do Lula, nas próximas eleições, só será possível se Dilma e sua próxima equipe retirarem a máscara da falsa competência e resolverem meter o dedo na pústula que colocou a economia do país em xeque.

  2. No mês de outubro a inflação (IPCA) divulgada pelo IBGE foi de 0,42%. Com isso a inflação acumulada no ano é de 5,05%.

    Veja: i = [(1,0055 x 1,0069 x 1,0092 x 1,0067 x 1,0046 x 1,004 x 1,0001 x 1,0025 x 1,0057 x 1,0042) – 1] x 100 = 5,05%.

    A inflação acumulada nos últimos doze meses alcançou o patamar de 6,59%, segundo o IBGE, e manteve a inflação de 12 meses acima do teto de 6,5% estabelecido pelo Banco Central do Brasil.

    A projeção inflacionária para 2014 tende a 6,1%, isto é, abaixo do teto de 6,5% de controle do Banco Central, mas, bem próxima ao teto.

    Veja: inflação projetada = {[(1,0055 x 1,0069 x 1,0092 x 1,0067 x 1,0046 x 1,004 x 1,0001 x 1,0025 x 1,0057 x 1,0042)^1,2] – 1} x 100 = 6,1%.

    Temos, ainda, os meses de novembro e dezembro e grandes chances da inflação fechar o ano acima do teto.

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