Só a GloboNews divulgou a retificação de Joaquim Levy

Levy se desmente: “Não será recessão, apenas contração”

Pedro do Coutto

Na tarde de quarta-feira, em Davos, o ministro Joaquim Levy, em conversa com jornalistas, afirmou que a situação encontrada na economia pelo segundo governo Dilma Rousseff exige medidas de contenção de despesas e elevação da receita pública, o que – acrescentou – poderá causar a ocorrência de uma recessão no primeiro trimestre. Divulgada em várias emissoras de TV, foi publicada nos jornais do dia seguinte, quinta-feira. Recessão exprime um panorama negativo, é claro, que provavelmente contrariou a presidente da República.

Tanto desagradou que, na tarde do dia 21, quinta-feira, também em Davos, na Suíça, o titular da Fazenda fez questão de gravar, com imagem em tempo real, a retificação que julgou imprescindível: substituir a palavra recessão pela palavra contração. Na primeira versão do episódio, politicamente importante, disse com todas as letras que a recessão não devia preocupar, pois duraria apenas três meses. Na segunda versão, afirmou que a compressão só duraria um trimestre e tal período seria suportável pela economia. Não se referiu especificamente à população.

Muito bem. Estes são os fatos. Mas e a repercussão? A da retificação foi infinitamente menor do que a matéria original. O que aconteceu com os canais de televisão, exceto a GloboNews? O que aconteceu com a imprensa escrita. Colunistas que habitualmente dirigem críticas ao governo nada escreveram sobre o posicionamento do titular da fazenda. Uma coincidência, pode ser, mas rara de suceder. Sobretudo depois de a presidente da República ter determinado ao ministro Nelson Barbosa, do Planejamento, retificar a posição que havia anunciado, como do governo, a respeito da lei que rege os reajustes do salário mínimo. É possível que, relativamente à substituição de recessão por contração, tenha ocorrido algo semelhante, dessa vez com Joaquim Levy.

PODERES MÁGICOS

Um equívoco que, a meu ver, vem sendo cometido por analistas da realidade econômica e financeira, é o de atribuir poderes mágicos a Joaquim Levy, como se ele, sozinho, fosse capaz de concretizar mudanças essenciais ao panorama atual do país. Não é nada disso. Como no futebol, ninguém vence o jogo sozinho, pois, ser assim fosse, a equipe do Santos não perderia um campeonato durante o período de quinze anos em que teve Pelé no time. A política é um confronto de equipes. Pessoa alguma, nem o presidente ou presidenta da República, avança e pode decidir tudo isoladamente.

Os chamados ajustes colocados à mesa governamental por Joaquim Levy vão produzir reflexos sobre a inflação. Aliás, tema de excelente reportagem de Cássia Almeida, O Globo, edição de sexta-feira 23, quando sustenta que o preço do aperto fiscal vai se refletir no índice inflacionário. Pois segundo analistas, frisa a repórter, será preciso deixar a inflação subir mais neste ano diante da necessidade de diminuir o rombo nas contas públicas, hoje em torno de 6% do PIB, portanto aproximadamente 300 bilhões de reais, incluindo os juros pagos pela rolagem da dívida interna. Não é possível fazer tudo ao mesmo tempo, assinala a economista Mônica de Bolle, citada na matéria.

De fato, como querer que aumento de alguns impostos, reajuste de tarifas públicas, diminuição de 2% (de 6,5 para 4,5%) na correção das declarações do Imposto de Renda, não reflitam no custo de vida? Impossível, simplesmente impraticável. Todos esses fatores vão pesar de forma inevitável, e não pode deixar de ser assim, na taxa oficial de inflação. Esta é a verdade. O resto, fantasia.

11 thoughts on “Só a GloboNews divulgou a retificação de Joaquim Levy

  1. O grande e experiente Jornalista Sr. PEDRO DO COUTTO, nos mostra que a Presidenta DILMA deve ter instruído seu Czar da Economia, Sr. JOAQUIM LEVY, de que nessa fase de “Ajustes”, aceita crescimento “pífio” (0,5% em 2015, 1,5% em 2016), mas não Recessão ( mais de 2 Trimestres de crescimento Negativo ). A meu ver, está muito certa nisso. Ela se vê obrigada a aceitar “os Ajustes”, mas sem aceitar Recessão, para não perder o Investment Grade das Agências de rating Internacionais, e para reconquistar a CONFIANÇA dos Agentes Econômicos. Duas forças positivas ajudam a espinhosa Tarefa do inteligente Sr. JOAQUIM LEVY, a Economia Mundial tende a aumentar o crescimento ( previsto para 3,5% em 2015, e a baixa de mais de 100% do preço do petróleo, reduz custos para todo mundo, injetando OTIMISMO, que é a chave para o crescimento Econômico. ( A Psicologia vem antes da Economia).

  2. Joaquim Levy foi secretário de Fazenda do Estado RJ no 1º Governo Sergio Cabral … modernizou as finanças … tornou o estado atrativo a muitos investimentos … deu continuidade à recuperação RJ iniciada nos governos Cesar Maia (município RJ) e Garotinhos!!!

    Tomara que consiga o mesmo para o nosso Brasil!!!

  3. Já faz um bom tempo que o governo faz uma ” previsão ‘ de crescimento que resulta em um erro de 6 a 8 vezes o previsto. Vão continuar maquiando tudo como já fazem a tempos? Não tem mais nem plataformas ‘exportáveis’….

  4. CONTINGENCIAMENTO DE 39% NA ” PÁTRIA EDUCADORA ” !
    Prezada comunidade acadêmica,
    Neste mês de janeiro a Presidência da República publicou o Decreto Federal 8.389/2015, que dispõe sobre a execução orçamentária
    do Poder Executivo até a aprovação da Lei Orçamentária de 2015 (LOA). O decreto determina que cada órgão do Executivo terá o
    limite mensal de execução financeira equivalente a 1/18 avos, o que significa na prática um contingenciamento imediato de 39% do
    orçamento previsto. Esta decisão serve como instrumento de aplicação da política econômica adotada pelos ministérios do
    Planejamento, Orçamento e Gestão e da Fazenda, conforme tem sido amplamente noticiado pela imprensa.
    Com a publicação do decreto, a situação financeira das universidades federais, que em 2014 foi sofrida, passa a ser ainda mais difícil,
    principalmente no caso da Unifesp, em que o orçamento está aquém do porte da instituição. Este cenário nos obriga a reavaliar
    medidas a cada instante devido à falta de recursos. Dentre estas está a suspensão de contratos ou cortes parciais nos mesmos. A
    Reitoria e diretorias acadêmicas dos campi estão trabalhando para a manutenção dos serviços essenciais enquanto a política de
    contingenciamento vigorar. Porém, não sabemos ainda quais impactos isso produzirá sobre as atividades de ensino, pesquisa e
    extensão, incluindo também o hospital universitário.
    Salientamos que a Reitoria e as diretorias dos campi da Unifesp têm executado tudo o que está ao alcance para a gestão adequada
    dos recursos financeiros. Contudo, o presente contingenciamento extrapola nossos limites de atuação.
    Informamos que diversas reuniões têm sido realizadas com os próreitores
    e diretores dos campi para conjuntamente
    compreendermos melhor o panorama e encaminharmos as soluções possíveis. Mais detalhes serão informados nas próximas reuniões
    de todos os conselhos centrais.
    A Reitoria está à disposição de sua comunidade para esclarecimentos e informará cada passo desse processo de acordo com sua
    política de total transparência em suas ações.

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