Só a renovação libertará DIlma

Carlos Chagas

As perguntas surgem simples, as respostas é que parecem complicadas: até quando Dilma Rousseff aguentará a chantagem dos partidos de sua base parlamentar? Quando ela comporá um ministério à altura das necessidades nacionais e de seus próprios conceitos e programas?

Tem gente imaginando o limite da paciência presidencial no resultado das eleições de outubro, caso o eleitorado venha a colaborar, ou seja, se houver ampla renovação de valores. Mesmo sendo municipais, ou por isso, nada melhor para o governo do que ver surgirem lideranças novas e jovens nas capitais e principais cidades do país. Importa menos se pertencerem majoritariamente a um determinado partido.

Essencial é que apareçam desvinculados das atuais chefias e direções, na demonstração de que o PT, por exemplo, voltará às origens se conseguir livrar-se de José Dirceu, Rui Falcão, Marta Suplicy, Antônio Palocci e outros. Ou que o PMDB poderá colaborar muito mais caso isole Michel Temer, Henrique Eduardo Alves, Romero Jucá e companhia. Que tal o PDT com Carlos Lupi mantido à distância, ou o PTB sem Roberto Jefferson? O PR deslocando Waldemar da Costa Netto e Alfredo Nascimento?

A renovação municipal, se acontecer, determinará o esvaziamento desses e de outros caciques, coincidentemente os que obturam o governo. Seria excelente ensaio geral para mudança mais profunda de métodos, ideais e propósitos, nas eleições gerais de 2014. Mas precisaria começar em outubro, pois dois anos a presidente Dilma já terá perdido.

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O PRÓXIMO LANCE 

Parecem satisfeitos os poucos líderes que ousam botar o pescoço de fora, entre os 400 oficiais da reserva signatários do manifesto de crítica ao governo. Mais do que solidarizar-se com os presidentes dos três clubes militares, acima e além de admoestarem duas ministras e a próprias presidente Dilma, eles pretenderam posicionar-se contra a Comissão da Verdade.

Mandaram um aviso a respeito dos limites que pretendem para o grupo ainda não composto. Quem sabe até contribuíram para protelar um pouco mais a designação dos sete membros que investigarão denúncias de crimes praticados por agentes do estado, durante a ditadura militar?

O próximo lance nesse delicado jogo de xadrez caberá à presidente Dilma, prevendo-se que o manifesto de rebeldia esgotou-se em si mesmo. A nomeação dos sete indigitados integrantes da Comissão da Verdade despertará polêmica, qualquer que seja. Serão pressionados tanto pelo estamento castrense quanto pelos grupos parlamentares empenhados em revolver e reviver o passado.

Fica impossível esquecer as barbaridades praticadas, tanto quanto não lembrar que subversivos e terroristas adotaram métodos semelhantes. Como também será difícil evitar que venham a público depoimentos abrangendo os execráveis excessos dos dois lados. Contestar a anistia não dá, por decisão do Supremo Tribunal Federal. Deixar de constituir a Comissão da Verdade, também não.

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