Só Brasil, Bangladesh e Butão utilizam urna eletrônica sem haver comprovante impresso

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Charge do Alpino (Yahoo Notícias)

Patrícia Campos Mello
Folha

Brasil, Bangladesh e Butão são os únicos países que adotam a votação por urna eletrônica sem registro em papel em larga escala em eleições nacionais. A Namíbia abandonou o sistema no ano passado, após questionamento na Justiça do país, e voltou para cédulas em papel. Na Rússia, urnas eletrônicas sem voto impresso foram usadas por apenas 9% do eleitorado na última eleição presidencial, em 2018, diz a Comissão Central Eleitoral do país.

Segundo levantamento da Folha, a maioria dos países que usa urnas eletrônicas adota a segunda geração dessas máquinas, que imprimem um comprovante em papel (o tal voto impresso), enquanto o Brasil ainda utiliza as de primeira geração.

NOVA DISCUSSÃO – No Brasil, uma nova discussão sobre a implantação de um comprovante de voto impresso foi puxada pelo presidente Jair Bolsonaro, que alega possíveis fraudes nas urnas eletrônicas sem nunca ter apresentado provas ou indícios. Nunca houve evidências de fraudes nas urnas eletrônicas, em uso desde 1996.

Atualmente uma proposta de emenda à Constituição sobre isso é discutida no Congresso, mas o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) já sinalizou que não haverá tempo para sua implementação em 2022, mesmo que aprovada na Câmara e no Senado.

A tramitação de uma PEC, de qualquer forma, é muito mais difícil do que projetos comuns, independentemente do mérito. Para ser promulgada, é preciso o voto de pelo menos 60% dos deputados e senadores, em dois turnos de votação em cada Casa.

MODALIDADES – Em alguns países, o voto impresso pode ser conferido pelo eleitor através de um visor e depois cai automaticamente em uma urna, sem nenhuma intervenção humana. É o caso da Índia, que começou em 2011 a mudar seu sistema, que era igual ao brasileiro, e só em 2019 conseguiu concluir a transição.

Esse é o modelo defendido pela deputada Bia Kicis (PSL-DF), autora da PEC do voto impresso, que está tramitando na Câmara. O texto da PEC prevê “a expedição de cédulas físicas conferíveis pelo eleitor, a serem depositadas, de forma automática e sem contato manual, em urnas indevassáveis, para fins de auditoria”.

Em outros países, como na Venezuela, após votar na urna eletrônica, o eleitor recebe seu voto impresso e o deposita, manualmente, em uma urna. Especialistas apontam que o comprovante impresso confere maior confiabilidade ao processo.

NÃO HÁ COMPROVANTE – Hoje, a auditagem das urnas eletrônicas no Brasil só se faz em cima dos registros eletrônicos, ou seja, não há um comprovante que não seja dependente do software.

Segundo especialistas, é necessário ter um comprovante físico, independente do software. No entanto, a maioria rejeita mudar o sistema neste momento, a pouco mais de um ano e meio da eleição, por causa do tempo exíguo e da politização do tema.

“Mais uma medida de auditoria seria importante, mas em outro momento; agora causaria mais instabilidade, porque esse debate foi sequestrado no meio de uma enxurrada de fake news”, diz a advogada Ana Cláudia Santano, coordenadora-geral da Transparência Eleitoral Brasil.

DESINFORMAÇÃO – Há grande circulação de desinformação nas redes sociais sobre supostas fraudes em urnas eletrônicas e o próprio presidente Bolsonaro, sem apresentar provas, tem feito reiterados ataques ao voto eletrônico. “No atual contexto, a urna eletrônica garante segurança em várias etapas, mas obviamente o registro impresso daria uma segurança a mais –o que não quer dizer que a votação hoje em dia não seja íntegra”, diz Ana Cláudia.

A urna eletrônica possui inúmeras medidas de auditoria e segurança, como a zerésima, comprovante impresso mostrando que não havia votos armazenados na memória da urna no início da votação, e os boletins de urna, que são registros em papel emitidos por cada urna com informações como a quantidade de votos para cada candidato, além de brancos e nulos.

10 thoughts on “Só Brasil, Bangladesh e Butão utilizam urna eletrônica sem haver comprovante impresso

  1. Tremenda bobagem ficar discutindo sobre eleições e urnas nesse momento no Brasil. Isso é cortina de fumaça para tudo o que estão aprovando no Congresso. Gente investigada aprovando leis as pressas, passando a boiada… Todos os que estão lá, a favor ou contra, se elegeram com tais urnas. Da nojo!!! Oh raça peçonhenta!!!

  2. Putin é o ditador com mais tempo no poder desde Josef Stalin. A legislação russa foi modificada para que ele permaneça como ditador for ever! Biden o chamou publicamente de assassino.
    Nos Estados Unidos o processo de votação pode variar com o estado (através de escolha numa tela, leitura de papel marcado com o voto, etc) Pode-se até votar pelo correio! O voto nos USA pode ser verificado posteriormente como é o caso do Brasil – as máquinas de votação no Brasil podem fornecer dados relativos a cada urna a posteriori!
    Levantar a lebre levianamente sobre a falibilidade do nosso sistema de verificação de votos demonstra ou má fé ou ignorância.

    • Parece que dessa vez, você se enrolou (se desmentiu) nas suas palavras.
      Evoluir, é como o Bolsonaro quer com a impressão do voto eletrônico.

      “Involuir”, é o que você defende; e significa: “Ficar como está”.

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