‘Só não faremos pacto com o diabo’, diz Bolsonaro sobre apoio de Barbalho

Bolsonaro

Bolsonaro ironizou a declaração de Dilma em 2014

Deu no Estadão

Apesar de o presidenciável do PSL, Jair Bolsonaro, estar mantendo o discurso contra “políticos tradicionais”, o diretório do partido no Pará costura uma aliança com o ex-ministro da Integração Helder Barbalho, do MDB, que concorre ao governo do Estado nas eleições 2018. Na disputa federal, o senador Jader Barbalho, pai de Helder e patriarca do grupo, manifesta apoio, pelo menos formalmente, à pré-candidatura do ex-ministro Henrique Meirelles, de seu partido, e espera uma definição do nome que o PT lançará à Presidência.

Em visita a Marabá nesta quinta-feira, 12, ao ser questionado pelo Estado sobre a aliança, Bolsonaro afirmou que não participa das conversas de aproximação entre o PSL e o MDB no Pará, que na prática representa uma aliança indireta com o clã Barbalho para formar palanques, mas que não pode evitar acordos nas sucessões estaduais.

PACIÊNCIA – “Se o nosso foco é a cadeira presidencial, paciência”, disse o pré-candidato. “Só não vamos fazer pacto com o diabo”, completou, numa referência a um discurso em que a presidente cassada Dilma Rousseff afirmou que podia “fazer o diabo quando é hora da eleição”. Bolsonaro, no entanto, disse que não tem “nada a ver” com a costura no Estado e lembrou que conseguiu barrar um acordo do PSL com o PCdoB no interior de Minas Gerais.

O presidente estadual do PSL, Rogério Barra, afirmou que o partido, ligado especialmente aos policiais militares, está na oposição ao governador Simão Jatene (PSDB). “Ele não recebe a tropa da polícia, que forma a base do nosso partido”, disse.

“O PSL tem um diálogo com o grupo oposicionista, mas uma aliança ainda está indefinida”, completou.

NEGOCIAÇÕES – Em Brasília, a costura entre o PSL e Helder é conduzida pelos deputados paraenses Eder Mauro (PSD), pai de Rogério, e José Priante (MDB), primo de Jader. Mauro desconversa sobre as negociações, mas adianta, porém, que nas conversas com Helder, está acertado que ele ditará a segurança pública no Estado num eventual governo do grupo.

Costuras de bastidores à parte, Bolsonaro enfrentou no começo da tarde desta quinta-feira o sol escaldante de Marabá, no sudeste paraense, para rejeitar, pelo menos em público, alianças com nomes tradicionais.

“O que eles têm, não queremos. O que temos, eles não terão: o povo ao lado do futuro”, disse, em cima de um carro de som, para um grupo de cerca de mil pessoas, na estimativa da Polícia Militar, que foi recepcioná-lo no aeroporto da cidade.

MADRUGADA – Na sexta-feira, Bolsonaro acordou cedo para cumprir agenda de pré-candidato em Marabá. Ele chegou ao aeroporto de Brasília às 4h30. Acompanhado de um assessor, do general da reserva Augusto Heleno Ribeiro Pereira e de Eder Mauro, Bolsonaro tomou um rápido café, enquanto atendia pedidos de selfies. Depois, sentou num canto, de costas para o corredor, para fugir do assédio e disparar os primeiros telefonemas.

Não escondeu a apreensão com as dificuldades de alianças. A maior preocupação é o PR, do ex-deputado Valdemar da Costa Neto (SP) e do senador Magno Malta (ES), seu nome favorito para a vice. “Estou sentindo que ele vai sair para o Senado”, relatou Bolsonaro.

Num avião comercial de médio porte, o pré-candidato fez escalas em Belo Horizonte e Carajás, antes de desembarcar, às 12h50, em Marabá. Entre um voo e outro, ele fez dezenas de selfies e vídeos para passageiros enviarem a parentes e amigos.

“FASCISTA” – O único contratempo ocorreu no aeroporto de Confins, onde uma pessoa gritou “fascista” e correu. “Fale para ele que 2030 está chegando, é quando o Lula sai da cadeia”, disse Bolsonaro, a um simpatizante que disparava a câmera do celular. Eder Mauro reagiu com outro grito: “Pão com mortadela”.

Numa lojinha de Confins, Bolsonaro pediu um desodorante “barato”. Fechou a cara, mas levou uma marca de R$ 21. Depois, uma adolescente se aproximou e disse que era lésbica, mas “não gostava” do PT. O general Heleno passou um bom tempo conversando com a jovem e relatou o “ótimo” diálogo a Bolsonaro. O pré-candidato contou que outro rapaz também se identificou como homossexual e prometeu voto. “É aquilo, general, não tem uma placa na cara da pessoa dizendo a orientação dela. Eu, por exemplo, posso ter uma recaída, e aí? Não temos nada contra ninguém.”

Com experiência na área de imprensa do Exército, Heleno começa a apontar diretrizes para a comunicação da pré-campanha. Ele disse que a tendência é a busca de discursos de “união” e “diálogo”. Quando o avião chegou a Marabá, quase sete horas após a decolagem em Brasília, Bolsonaro não demorou para retomar o tradicional discurso contra a “patifaria” das políticas de gênero. Carregado nos ombros de apoiadores no aeroporto, ele vestiu uma faixa presidencial e começou a fazer ataques aleatórios, mirando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a crise na segurança e até o modelo de extração mineral no Pará. “Sabemos que aqui exploram tudo e fica só um buraco para vocês”, disse. “Espero que o Supremo não liberte esse canalha chamado Lula, eu quero vê-lo em cana.”

14 thoughts on “‘Só não faremos pacto com o diabo’, diz Bolsonaro sobre apoio de Barbalho

  1. Ligando modo ironia:

    Vou votar no Bolsonaro porque ele vai armar o povo e fala mal do Lula.

    Desligando modo ironia.

    Ligando modo sério:

    Fala verdade Bolsonaro, diz o que você e seu economista querem fazer com nossas riquezas, patrimônio e o povo trabalhador.
    O que vocês querem fazer contra o Brasil???

  2. Deus e o Diabo na Terra do Sol, um marco do cinema novo no Brasil, dirigido pelo genial Glauber Rocha, bem que poderia ser usado para ilustrar a situação brasileira atual.

    Considerado como um dos cem melhores filmes de todos os tempos, a sinopse é a seguinte:
    O sertanejo Manoel e sua mulher Rosa levam uma vida sofrida no interior do país, uma terra desolada e marcada pela seca.
    No entanto, Manoel tem um plano:
    Usar o lucro obtido na partilha do gado com o coronel para comprar um pedaço de terra.

    Quando leva o gado para a cidade, alguns animais morrem no percurso.
    Chegado o momento da partilha, o coronel diz que não vai dar nada a Manoel porque o gado que morreu era dele, ao passo que o que chegou vivo era seu.
    Manoel se irrita, mata o coronel e foge para casa. Ele e sua esposa resolvem ir embora, deixando tudo para trás.

    Manoel decide juntar-se a um grupo religioso liderado por um santo (Sebastião) que lutava contra os grandes latifundiários e em busca do paraíso após a morte.
    Os latifundiários decidem contratar Antônio das Mortes para perseguir e matar o grupo.

    Acho que não preciso dizer quem é quem nesse filme, se imaginarmos o povo e o governo como participantes nesse roteiro.

    Pois estamos exatamente como na imaginação fértil e prodigiosa de seu autor, onde Antônio das Mortes nos persegue implacavelmente para nos matar, e de várias formas.

    Quem nos ajudará para que sobrevivamos de seus ataques?
    Quem nos armará para enfrentarmos o temível bandido?
    Quem terá coragem para enfrentá-lo?

    Resumindo:
    Se corrermos o bicho pega, se ficarmos o bicho come!

  3. Ao Observando digo que eu gostaria também que os demais pre candidatos dissessem efetivamente o que pretendem fazer com a nossa economia, nossas riquezas e com o povo brasileiro. Mas ninguem se interessa, só de Bolsonaro isso é cobrado. De Ciro, de Marina e dos demais ninguém cobra nada. A propósito, quando Ciro disse que é preciso pagar a dívida foi questionado como pagar e o genial economista e ex ministro de fazenda de algum governo passado apenas respondeu:”pagando”. É um gênio em economia.

  4. Texto corrigido:
    O pior é que os outros candidatos fazem o mesmo, só que nos seus discursos, espertamente não especificam nada, só generalizam.

    A verdade é que o problema do Brasil é o brasileiro que, como já disse aqui é produto de uma educação – ensino, que o leva á convicções e não a dúvidas sobre tudo e todos.
    Assim, como se vê nitidamente em muitos aqui, essas pessoas já têm respostas prontas para tudo.
    Aprisionadas pelas convicções já não percebem que cada caso é um caso e aí….

    Fico com Bolsonaro que, mesmo com sua loucura, nela ainda se encontra alguma coisa de óbvio.

  5. Esse é o tipo do artifício pseudoingênuo, para ludibiar eleitores realmente inocentes. Nessa fase de campanha, o candidato corre atrás da quantidade em detrimento da qualidade. Age como aquele estudante que leva toda a vida “pescando”, na ilusão de que amanhã “Deus dê um jeito”, ele vai aprender em um passe de mágica aquilo que deixou de aprender passo a passo. Qualquer dúvida, pergunte aos mata-sanos e medicastros brasileiros formados na Bolívia.
    Acertos promíscuos celebrados por candidatos são fantasmas que vão assombrar os eleitos pela administração inteira.

    • Imprensa marrom, lá no Maranhão, tem levado muitos blogueiros e jornalixos pro inferno. O caso de maior repercussão foi o assassinato do meu amigo Décio Sá. Mandantes e executor ainda estão presos, porque Sarney, de quem Décio era lambe-saco, interveio pessoalmente.
      Durante as investigações, teriam encontrado R$ 600.000,00 na CEF e R$ 1.000.000,00 noutra conta do Banco do Brasil, em nome do negão.
      Desse período, até hoje, já trucidaram dezenas, cujas mortes sequer foram investigadas. Apenas uns presuntos a mais para contaminar o lençol freático.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *