Só o poder de consumo do povo é capaz de sustentar o desenvolvimento econômico

TRIBUNA DA INTERNET | Atrair investimentos depende do poder de ...

Charge do Allan Sieber (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

O que penso do desenvolvimento econômico e social de um país, no caso o Brasil, está contido no título deste artigo. Não adiantam soluções mágicas, reformas tributárias, corte de gastos públicos, reduções de jornada de trabalho, que nada disso pode assegurar um desenvolvimento sustentável, expressão que está em moda, como se houvesse um desenvolvimento econômico não sustentável.

Somente o consumo de modo geral é capaz de assegurar uma receita tributária compatível com as dimensões e problemas de nosso país. Ao lado do poder de consumo alinha-se o pleno emprego. Com o desemprego superior a 12 milhões de pessoas não se pode esperar a retomada do progresso nem a busca do tempo perdido, como no título de Marcel Proust.

CARTEIRA ASSINADA – Reportagem de Gabriel Shinohara, Manoel Ventura e Cássia Almeida, edição de ontem de O Globo, destaca que no mês de julho surgiram no horizonte 131 mil postos de trabalho com carteira assinada.

O ministro Paulo Guedes comemorou o resultado e disse que o fato acentua uma recuperação econômica mais rápida do que o esperado. Entretanto, acentua a reportagem que neste ano 1 milhão e cem mil demissões foram adicionadas aos 12 milhões de desempregados.

SEM RETOMADA – Pode se colocar um aspecto, necessitando para isso comparar o volume dos salários dos 131 mil com o salário médio brasileiro que, segundo o IBGE encontra-se na escala de apenas 1.900 reais. De qualquer forma, porém, os 131 mil empregos reabertos são importantes, principalmente para a escala social brasileira. Por ser de fato o recomeço de uma nova etapa da vida nacional.

Portanto, não se pode concluir que a economia tenha avançado, pois não se nota um aumento do poder de consumo de alimentos e de bens de modo geral. Sem consumo, acrescento, não há solução mágica capaz de superar a lógica.

PRIVATIZAÇÃO DIFÍCIL –  Ontem, escrevi sobre a privatização da Eletrobrás apontando a dificuldade de aprovação do projeto. Hoje, acrescento alguns obstáculos a mais. Por exemplo, Furnas, Chesf, Eletronorte e Eletrosul são as estatais que compõem a holding. Foram criadas em períodos diversos, e cada uma se baseia em legislação própria. A mais antiga é a Chesf, seguida de Furna,s criada por JK em 1957.

Entretanto o problema não é apenas este. É que em diversos casos as quatro empresas formaram parceria com empresas privadas, como no caso das usinas de Santo Antonio, Jirau e Belo Monte. Na hidrelética de Santo Antonio, Furnas participa com 39% e a Odebrecht com cerca de 20%, entre os principais acionistas.

Parcerias público-privadas existem também em Jirau e Belo Monte. Na usina de Belo Monte, conforme ele próprio admitiu, o ex-ministro Delfim Neto participou como articulador, recebendo por esse trabalho uma soma que ele declarou ao Imposto de Renda, segundo sua própria informação.

AMAZÔNIA EM FOGO – As queimadas que ocorrem na Amazônia, cujas labaredas ameaçam o ministro do Meio Ambiente, estão ligadas ao desmatamento em série da região, como tem sido revelado tanto pelos jornais brasileiros quanto pela imprensa internacional.

Uma reportagem de O Globo, assinada por Rafael Garcia, revela que 54% das queimadas na floresta verde estão ligadas ao desmatamento. Ameaça gravíssima até para o futuro do mundo. Não sei como o ministro Ricardo Salles ainda não foi demitido. É um fator de grande desgaste para o próprio governo Jair Bolsonaro. É atacado por todos os lados da imprensa e sua política desagrava até o agronegócio. Afinal de contas, a quem a permanência de Ricardo Salles agrada?

4 thoughts on “Só o poder de consumo do povo é capaz de sustentar o desenvolvimento econômico

  1. Quando maior o consumo, piores serão as desgraças ecossistemáticas.
    Bom seria se consumíssemos produtos feitos com matérias-primas de outro planeta e manufaturados por lá mesmo!
    Bom tempo por pouco tempo!

    • Prezado Pedro Couto,
      Devo dizer que concordo que o consumo da sociedade é fator importante para termos uma economia sólida e auto sustentável.
      Todavia, mais importante que isso, é termos os meios de produçao saudáveis, a começar pela indústria que em qualquer país sério está na frente dos demais setores.
      Não vou me alongar para dar maiores explicações pois todos sabemos que para isso, precisamos de educação tecnológica, pesquisas, e sobretudo de dirigentes capazes, que. Ao menos, compreendam essa questão num aspecto amplo.
      Ainda assim, não o estado não pode pagar aos funcionários públicos algo acima da capacidade que o setor privado produz, sobretudo os altos salários percebidos em todas as esferas do governo com um gravíssimos problema de ser ineficiente e corrupto.
      Portanto para afirmarmos tal coisa é mister que antes acertamos os ganhos do setor público com a a capacidade de produção do privado.
      É urgentissimo uma reforma administrativa para reduzir os ganhos dos funcionários públicos, militares e estatais, e daí reduzir drasticamente os impostos para que assim esse dinheiro fique na mão do povo e possa usar-lo de forma mais justa.
      Não imaginemos coisas fora de uma lógica simples e inquestionável.
      O setor público está levando o Brasil para um desastre econômico jamais visto para um país capaz como o nosso.
      Os dirigentes que aí estão são insensíveis aos sinais que saltam aos olhos, como exemplo, basta criarmos a nossa dívida pública que está quase igual ao PIB, e. com tendência de alta e de descontrole.
      Notem que do governo de FHC que levou a dívida de 300 bilhões para 800.
      Logo veio o corrupto Luiz Inácio qua a trouxe para três trilhões, seguida por Dilma que a encostou em quase cinco trilhões de reais.
      É muita responsabilidade junta, e faltava apenas o desajuizado Bolsonaro para o estrago ser o que assistimos.

  2. Mas, parece que as potencias internacionais são mais eficazes quando tem seus interesse em jogo como por exemplo ao destruírem o Iraque, Libia, Libano, Siria, Afeganistão entre outros.

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