Só quando o sargento Garcia prender o Zorro…

Roberto Nascimento

Estamos tão mal acostumados com as costuras políticas entre Executivo e Legislativo, aquele legislando no lugar do parlamento, através de Medidas Provisórias e Decretos, que quando os nossos representantes nas duas casas legislativas exercem seu papel constitucional, de vetar indicados do Executivo para cargos nas Agências Reguladoras e outras funções específicas (suprimir ou acrescentar emendas em projetos enviados pelo Executivo), o mundo vem abaixo.

Então, advém um cipoal de críticas notadamente de jornalistas de certo canal a cabo, que compungidos diante das câmaras, direto de Brasília acusam os parlamentares de chantagistas, de enfiarem a faca no pescoço do governo e de atuarem em causa própria no interesse de suas paróquias.

Penso que os nobres jornalistas se acostumaram com o toma lá dá cá da base aliada governamental criada nos diferentes governos desde o fim da ditadura militar. Esse é um dos males do presidencialismo de coalizão. Nenhum governo foi capaz de vencer com maioria absoluta dos votos e, portanto, para governar precisam se aliar para obter as condições de governabilidade.

Esse é o preço que pagamos para ter tantos ministérios, hoje chegando à casa dos 40, pois é preciso acomodar todas as legendas do arco de alianças com algum ministério ou comando de Agências e presidências de empresas estatais (enquanto elas existirem). Até as legendas nanicas exigem seu quinhão para votar no escuro em tudo que vem do Olimpo.

É voz corrente nas conversas das elites, de que o culpado de todas as nossas mazelas é do povo, pela sua ignorância na hora do voto. Ledo engano, o povo usa de toda a sua sabedoria ao depositar o voto na urna. Vejam só: Nenhum partido no Brasil conseguiu hegemonia nas casas legislativas federal e estadual. No dia em que isso vier a acontecer estaremos diante de um regime autoritário, o qual imporá todas as suas vontades sem oposição. A democracia em conseqüência iria para o ralo.

No frigir dos ovos, o povo “vota mal”, porque os partidos indicam os piores candidatos para concorrer aos mandatos. Diante daquelas listas compostas de palhaços, falsos profetas do apocalipse, craques de futebol, artistas, cantores das multidões, pagodeiros, sertanejos, representantes de empreiteiras, bancos, indústrias, comércio e também políticos profissionais e de uma minoria de bons candidatos, que se contam nos dedos da mão, o que fazer para mudar o quadro atual?

Certamente a resposta é investir mais em educação e cultura, mais isso só acontecerá quando o sargento Garcia prender o Zorro! Da década de 60 até os dias atuais, o investimento nas pessoas, no ensino fundamental só vem piorando.

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